Comandante quer de candidatos estabilidade orçamentária para o Exército

Luis Kawaguti

Do UOL, em São Paulo

O comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, publicou um vídeo no YouTube nesta quarta-feira (16) afirmando que o tema da Defesa Nacional tem que ser discutido nas eleições e dizendo que a instituição espera que candidatos, se eleitos, desenvolvam políticas que garantam "estabilidade orçamentária" para os projetos estratégicos das Forças Armadas.

Uma fonte ligada à cúpula do Exército disse ao UOL que o vídeo, de uma série chamada "O Comandante Responde", se destina ao seu público interno. Segundo apurou a reportagem, não se trata de uma mensagem aos pré-candidatos, mas uma tentativa de tomar uma posição ativa, para deixar claro aos militares qual é a postura da instituição em um momento em que o debate político se torna mais intenso e polarizado.

O vídeo foi publicado dias depois de um grupo de militares da reserva anunciarem que entre 60 e 70 militares da reserva e da ativa devem concorrer nas eleições de 2018. Também ocorre em meio à divulgação de documentos da CIA (agência de inteligência americana) que ligariam o ex-presidente militar Ernesto Geisel a assassinatos de opositores durante o regime militar.

O UOL apurou que o vídeo é o início de uma série de ações de mídia que visam afirmar que o Exército é uma instituição de estado e distanciá-lo da política partidária. Embora o primeiro vídeo seja destinado oficialmente ao público militar interno, o Exército não descarta publicar peças de mídia voltadas à sociedade em geral até as eleições.

"[O Exército] é uma instituição politicamente neutra e apartidária", afirma o comandante Villas Boas no vídeo.

Questionado por uma entrevistadora sobre as eleições, Villas Boas diz que o momento atual é oportuno para que a Defesa Nacional seja discutida "e que se verifique as propostas que cada candidato traz em seus programas de governo".

"Essa é uma chance para que os candidatos eleitos para o próximo mandato possam garantir o avanço dos programas estratégicos das forças", disse o comandante.

Ele defendeu que haja um fluxo estável de verbas para programas estratégicos como o Sisfron (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras), o programa de Defesa cibernética (contra ataques virtuais), o programa Guarani, de compra de veículos blindados para o Exército e o esforço de construção de submarinos para a Marinha.

Villas Boas também defendeu remuneração adequada para militares e pensionistas.

Presença nas redes sociais

A gestão do comandante do Exército vem sendo marcada por uma participação intensa nas redes sociais – diferente do que ocorria com comandantes anteriores.

Uma das publicações mais significativas de Villas Boas ocorreu no início de abril, na véspera do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Ele disse no Twitter que o Exército "julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia".

No dia seguinte o STF acabou negando o habeas corpus ao ex-presidente, que acabou sendo preso dias depois.

Na ocasião o Exército não comentou o tuíte, mas analistas interpretaram a publicação como um recado direto aos ministros -- reforçado por outra suposta mensagem política: a reunião do Alto Comando para acompanhar o desenrolar do julgamento. 

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