Bolsonaro concentra viagens ao NE, onde tem seu pior desempenho em pesquisa

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

  • Facebook/Maura Jorge - 14.jun.2018

    Bolsonaro discursa durante ato de pré-campanha em São Luís, no Maranhão

    Bolsonaro discursa durante ato de pré-campanha em São Luís, no Maranhão

Há pouco mais de um mês, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) deu início a uma série de viagens de sua pré-campanha à Presidência da República em cidades do Nordeste. Até o fim de junho, o deputado federal deverá visitar seis dos nove estados da região. Não é coincidência.

Foi no Nordeste que Bolsonaro teve seu pior desempenho em todos os cenários da última pesquisa Datafolha, divulgada na semana passada. Na região, o deputado teve também seu maior índice de rejeição: 41% dos nordestinos entrevistados pelo instituto disseram que não votariam nele "de jeito nenhum".

No Nordeste, o deputado federal tem que enfrentar sombra do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso desde abril, mas segue como pré-candidato do PT ao Palácio do Planalto. Reduto historicamente lulista, a região conferiu os resultados mais favoráveis ao petista na pesquisa.

A margem de erro do estudo, que ouviu 2.824 eleitores de 174 municípios do país nos dias 6 e 7 desse mês, é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Números do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) revelam a importância da região. Com 26,5% dos 146,6 milhões de eleitores brasileiros, trata-se da segunda maior em número de eleitores, segundo os dados mais recentes disponíveis, de abril. Já o Sudeste concentra 43,6% do eleitorado nacional.

Segundo aliados de Bolsonaro ouvidos pela reportagem, a investida do presidenciável no Nordeste neste momento da pré-campanha se deve tanto à necessidade de promover seu nome na região quanto ao período de festas juninas.

Como tem feito nos últimos anos e intensificado desde o ano passado, Bolsonaro aproveitou as viagens já realizadas a Natal, Salvador, Aracaju e São Luís para demonstrar sua popularidade ao ser recebido por pequenas multidões nos aeroportos das capitais. Fotos e vídeos com as imagens logo se espalham pelas redes sociais.

As viagens de Bolsonaro

Maio
17 - Natal (RN)
24 - Salvador (BA)

Junho
7 - Aracaju (SE)
14 - São Luís (MA)
21 e 22 - Campina Grande e Patos (PB)
28 e 29 - Fortaleza (CE)

Com viagens já agendadas à Paraíba, onde participará do "Maior São João do Mundo", em Campina Grande, e ao Ceará, ele também deve ir em julho, provavelmente após a Copa do Mundo, a Pernambuco e Alagoas. Único nordestino ausente na lista, o Piauí já foi visitado por ele no ano passado.

Nesse período, Bolsonaro abriu duas exceções à jornada nordestina, para participar de atos religiosos na mesma semana. No dia 29 do mês passado, foi a Belo Horizonte para prestigiar um culto na Igreja Batista Getsêmani. Dois dias depois, esteve em São Paulo por conta da Marcha para Jesus.

O que apontou o Datafolha

Quando a resposta dos entrevistados é espontânea, Bolsonaro lidera nacionalmente com 12% das intenções de voto, mas tem 6% no Nordeste. O índice é três vezes maior no Centro-Oeste (18%), por exemplo. Já no Sudeste, que concentra quase 44% do eleitorado brasileiro, ele aparece com 13%.

Ainda de acordo com o levantamento espontâneo, ele sofreria a única derrota regional justamente no Nordeste, onde Lula tem 21%.

Dos quatro cenários estimulados, Bolsonaro lidera numericamente três e fica em segundo lugar em um, atrás de Lula. Em todos eles, o seu ponto mais fraco é a região nordestina, nos quais registrou de 8% a 12% das intenções de voto.

Na única situação em que foi testado, Lula obteve 49% no Nordeste contra 8% de Bolsonaro. Nacionalmente, o petista também liderou, com 30%. Em segundo lugar, o deputado federal teve 17%.

Aliados minimizam pesquisa

Coordenador da pré-campanha de Bolsonaro no Nordeste, o presidente do diretório do PSL na Paraíba, Julian Lemos, chamou o resultado da pesquisa de "absurdo" e citou a popularidade de exibida Bolsonaro em suas viagens como contraponto aos números do Datafolha.

"Tem alguma coisa que não batendo", comentou. "No Maranhão, um estado [cujo governador é] do PCdoB [Flávio Dino], era muita gente no ato", conta. O espaço em que ele discursou tinha, segundo ele, capacidade para 1.500 pessoas, e recebeu cerca de 2.500.

De acordo com Lemos, que também é vice-presidente nacional do partido e acompanha o presidenciável nos atos, a sequência de viagens ao Nordeste foi uma "coincidência", além de ocorrer em uma "época muito festiva". "Tem muitos desses estados que ele não tinha ido ainda", afirma.

"Não é forçado, é muito espontâneo", declara o presidente do PSL no Ceará, Heitor Freire. "O nordestino é muito conservador, tradicionalista, de família e está se identificando com ele."

Para Freire, os nordestinos são também muito "retos, diretos, no ponto, sem muito arrodeio". "Plano de governo muito bonito, com muita historinha", segundo ele, não agrada aos eleitores da região.

O aliado do presidenciável citou ainda os altos índices de violência nos estados, que aproximam a população de uma das principais bandeiras de Bolsonaro, a segurança pública.

Bolsonaro testa popularidade em aeroportos

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