Bolsonaro exalta general e diz que não pensou em vice para "ganhar voto"

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

  • Hanrrikson de Andrade/UOL

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, exaltou nesta segunda-feira (6) o nome escolhido como seu vice, general Hamilton Mourão (PRTB), e afirmou que não pensou nele "para ganhar voto". O oficial militar foi a quarta opção do presidenciável, que antes havia convidado o senador Magno Malta (PR), o general Augusto Heleno (PRP) e advogada Janaina Paschoal (PSL). Todos recusaram.

A novela da definição do vice se arrastou até este domingo (5), quando Bolsonaro fez a opção por Mourão em detrimento do príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança. Os dois eram cotados para o caso da negativa de Janaina.

"Alguns se assustam porque eu coloquei um general como vice. Não vou colocar colega de alguma região do Brasil para ganhar voto. Eu vou colocar porque eu quero governar", declarou o candidato, durante evento da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) nesta segunda.

Escolha de general para vice de Bolsonaro divide opiniões de militares

"Tem partido e candidato que escolhem a vice para fins eleitoreiros. Tem que ser de tal gênero, de tal raça, de tal região... Eu quero é governabilidade. O Brasil tem problemas seríssimos para resolver. Eu tenho que ter um vice que trabalhe junto comigo e não que seja uma peça decorativa", afirmou.

Bolsonaro recebeu algumas críticas pela escolha do nome, já que ele próprio é capitão do Exército e muito identificado com os assuntos relacionados ao militarismo. A chapa, em tese, conversaria com uma fatia da população que já tende a votar no concorrente do PSL, não com o eleitorado que rejeita a candidatura do presidenciável.

O concorrente ao Planalto disse ainda que ter um general na vice-Presidência dá força a um eventual governo nas questões referentes ao "futuro do país". Ele citou exemplos como a defesa da Amazônia, que estaria na mira de outros países como a China, a imigração e a entrada de refugiados no território brasileiro. "Nós somos o último obstáculo para o socialismo", declarou.

Bolsonaro foi recebido por representantes da indústria fluminense e empresários associados à Firjan. O presidenciável chegou ao evento acompanhado do economista Paulo Guedes, que tem sido apontado por ele como o formulador de seu programa de governo na área econômica.

Em várias entrevistas, Bolsonaro tem dito que, se eleito, caberá a Guedes conduzir a política econômica de seu governo.

Na abertura do encontro, o presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, anunciou a presença do candidato e discursou sobre os entraves criado pelo poder público para a iniciativa privada. Segundo ele, os líderes do setor sentem a "tutela do estado no cangote", sobretudo nos aspectos da tributação e da legislação de controle. "Existem regras para tudo", reclamou Gouvêa Vieira.

"É preciso deixar que a capacidade empreendedora do brasileiro aconteça. Nós somos muito bons do muro para dentro. O problema está fora dos muros, com essa grande tutela do estado", completou Gouvêa.

Bolsonaro disse concordar com o dirigente da Firjan e afirmou que pretende "tirar o estado do cangote" da iniciativa privada. De acordo com o candidato, se eleito, o governo se empenharia no sentido de "desburocratizar" e "desregulamentar" as relações com a indústria, o comércio e o mercado financeiro. Além disso, buscaria "dar um freio nas ONGs [organizações não governamentais]" e "fazer comércio com o mundo todo e sem viés ideológico".

Mourão e a Casa Civil

Bolsonaro afirmou entender que o general Mourão lhe proporcionará "governabilidade". Questionado sobre qual seria o papel do militar na articulação com o Congresso, o candidato respondeu: "Vai ser o chefe da Casa Civil, vai ser ele também. Ele é uma pessoa culta, um patriota".

Logo após a declaração, os jornalistas perguntaram se ele estava anunciando o novo ministro-chefe da Casa Civil em caso de vitória no pleito. O candidato havia se confundido. "Na Casa Civil, talvez... Não. Não deve ser um militar, não. Pode ser um deputado, com toda certeza. A Casa Civil, no meu entender, é um deputado ou senador", afirmou.

De acordo com o candidato do PSL, Mourão e o Orleans e Bragança estavam empatados na briga pelo posto de vice até o último minuto. A decisão, segundo afirmou Bolsonaro, se deu porque o militar é "paraquedista igual a ele".

Bolsonaro disse que a chapa composta por dois membros das Forças Armadas não é um problema, mas uma solução. Disse ainda que "para que não haja dúvida", vai "ter um montão de ministro militar". "Porém, isso não funcionaria de forma aleatória. Logicamente, tem ministério que não cabe militar. Não tem cabimento até porque não temos vivência nisso."

O presidenciável chamou de "fake news" informações veiculadas na imprensa de que Luiz Phillipe de Orleans e Bragança, preterido na escolha do vice, ficaria à frente do Ministério das Relações Exteriores. "Eu não prometi nada para ele. Apenas que ele terá participação em algum local ou ministério, mas não como ministro. Quem vai ser o chefe do Itamaraty será alguém do Itamaraty", projeta.

Bolsonaro deseja "poucos votos" a Alckmin

Bolsonaro disse não se importar com a aliança entre Geraldo Alckmin (PSDB-SP) e Ana Amélia (PP), que pode agregar votos para o tucano em relação ao eleitorado conservador, sobretudo na região Sul do país.

"Eu não tenho obsessão pelo poder. Eu não [faço] acordo com o diabo para chegar lá, não. Quero chegar lá se Deus quiser isento e montar um ministério, dar alegria para esse povo e segurança. Dar esperança saindo da política de sempre", declarou. "Não estou preocupado. Boa sorte para eles e poucos votos."

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