Alvaro Dias critica candidatura de Lula em debate: "encenação" e "afronta"

Ana Carla Bermúdez e Luciana Amaral

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

O candidato à Presidência da República pelo Podemos, Alvaro Dias, criticou nesta sexta-feira (17) a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamando-a de "encenação" e "vergonha nacional".

"O político inelegível [Lula] não é um preso político. Ele é um político preso. Essa encenação de candidatura é uma afronta ao país, desrespeito à Justiça, violência ao Estado de Direito e à legalidade democrática. Não há como admitir esta vergonha nacional de uma encenação de uma candidatura que não pode existir", afirmou.

A declaração foi dada durante o debate entre os candidatos à Presidência promovido pela RedeTV! em parceria com a revista IstoÉ na noite desta sexta. No momento, Alvaro Dias perguntou à adversária Marina Silva (Rede) como ela percebia a candidatura do petista e sua tentativa de participar da campanha, inclusive do evento.

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Apesar das investidas do PT na Justiça, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou do debate. A RedeTV! Propôs deixar um púlpito vazio com o nome de Lula, mas a ideia foi rejeitada por sete dos oito presidenciáveis presentes, com exceção de Guilherme Boulos (Psol). Entre ontem e hoje, os advogados do PT entraram com três recursos no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para que o petista pudesse participar do evento. Todos foram negados, o último deles a menos de 40 minutos do debate.

Lula está preso em Curitiba desde o dia 7 de abril, onde cumpre pena por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Condenado em segunda instância, ele é considerado inelegível pela Lei da Ficha Limpa. Mesmo assim, o PT registrou sua candidatura na última quarta-feira (15). Por decisão da Justiça, o ex-presidente está proibido de dar entrevistas na prisão ou de deixar o local para atos de campanha, como comícios e debates.

Oito candidatos participam do encontro nesta noite: Marina, Alvaro, Boulos, Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB) e Jair Bolsonaro (PSL).

No momento do debate, os presidenciáveis podiam fazer uma pergunta a um concorrente de livre escolha. Em resposta a Alvaro, Marina Silva disse o Brasil "precisa dar uma resposta" a casos de políticos envolvidos em corrupção, como os de Lula e do senador Aécio Neves (PSDB-MG) – que passou para o segundo turno nas últimas eleições e perdeu para Dilma Rousseff (PT).

"Esse púlpito vazio já está preenchido pelos mesmos que estavam no palanque anterior, já no palanque do candidato do PSDB. Por isso que eu digo, aqueles que criaram o problema não vão resolver o problema. Nós precisamos combater a corrupção apoiando o Ministério Público, a Polícia Federal, para que aqueles que se envolvem no uso ilegítimo de dinheiro público sejam punidos", falou.

Marina se comprometeu a blindar órgãos de combate à corrupção de indicações políticas e a escolher pessoas de ficha criminal limpa para os primeiros escalões do governo, se eleita. Do Paraná, onde se concentra a principal força-tarefa da Operação Lava Jato, Alvaro também optou pelo combate à corrupção como principal bandeira de campanha. No debate, prometeu reforçar o apoio à equipe da Lava Jato e reforçou que todos devem ser tratados igualmente perante a Lei.

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