Bolsonaro é transferido para São Paulo

Hanrrikson de Andrade e Luís Adorno

DO UOL, em Juiz de Fora (MG) e São Paulo

O candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) deixou a Santa Casa de Juiz de Fora (MG) por volta das 8h20 desta sexta-feira (7) em direção ao Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. A transferência ocorreu cerca de 12 horas após ele ser operado depois de ser esfaqueado em uma atividade de campanha na cidade mineira.

A ambulância deixou a Santa Casa de Misericórdia em direção ao aeroporto da Serrinha, localizado em Juiz de Fora, com escolta da Polícia Militar. A UTI (unidade de terapia Intensiva) aérea chegou ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo, por volta das 9h45 após um voo de 45 minutos.

De Congonhas, Bolsonaro foi levado em um helicóptero da PM de São Paulo até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista e vizinho ao hospital. De lá, ele foi levado em uma ambulância até o Albert Einstein.

Desde a noite de quinta-feira (6), equipes dos hospitais Sírio Libanês, também de São Paulo, e Albert Einstein estiveram na Santa Casa e avaliaram a possível transferência.

A mudança de local já era prevista, mas não foi informada à imprensa com antecedência. Até ontem à noite, os médicos diziam que não havia previsão de transferência uma vez que era necessário estabilizar o quadro de saúde de Bolsonaro.

Segundo Eunice Dantas, diretora técnica da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, a decisão da transferência foi da família, mas não houve qualquer divergência com a equipe médica. Ela afirmou que os profissionais avaliaram em conjunto que não haveria riscos em transferi-lo hoje pela manhã.

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"Assim que ele teve condição clínica, a transferência foi realizada. Sem nenhum risco para o deputado. Ele teve uma condução muito boa do caso e a cirurgia foi muito bem feita", explicou.

"Tudo isso [a transferência] foi discutido exaustivamente. Só foi possível o transporte porque ele está bem. Ele vai com sonda, oxigênio, soro, medicações. Ele está recebendo todo o suporte terapêutico", afirmou.

"Desde o momento que chegou, chegou lúcido. Desconfortável, claro, mas muito tranquilo", complementou.

"Foi por pouco", afirma médica

Segundo a diretora, ele pode ter alta em menos de duas semanas. "Ele está estável, mas é uma cirurgia de grande porte. Toda cirurgia de grande porte depende do procedimento. Daqui a pouco ele vai poder comer, andar. Vai depender da evolução, mas o previsto é de que tenha alta hospitalar de sete a dez dias", disse. Segundo explicou Eunice, porém, a avaliação ficará a cargo da equipe do Albert Einstein. Não há previsão concreta de alta.

A diretora afirmou que a agilidade em levá-lo ao hospital foi fundamental para que o ataque não tivesse resultado mais grave. "Foi por pouco. Se ele não chegasse no hospital naquele momento, ele poderia ter morrido. Foram quatro bolsas de sangue para ajudá-lo", disse.

Bolsonaro deixou o hospital com bom humor, diz filho

Um dos filhos de Bolsonaro, o candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro (PSL), disse que o pai deixou o hospital em Juiz de Fora com bom humor.

"Ele saiu bem e, mais uma vez, bem-humorado, rindo e dando sinal de positivo. Graças a Deus o pior não aconteceu. Vamos avaliar os próximos passos agora junto com a família e a equipe", disse.

Na versão dele, a família considerou que a transferência para o Albert Einstein foi considerada a melhor opção. Outros hospitais também ofereceram atendimento, como o Sírio Libanês e a rede Dor.

Pouco antes da transferência, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), outro filho do presidenciável, afirmou que o pai estava corado e mais lúcido do que o dia anterior.

"Ele acordou e está conversando um pouco melhor do que ontem. Está mais corado e falando melhor", disse Eduardo.

Questionado se o pai tinha alguma lembrança do ataque, ele respondeu que, logo após ser agredido, o presidenciável pensava se tratar de "um soco muito forte no estômago".

Bolsonaro fala pela primeira vez após ataque

"Nunca fiz mal a ninguém", diz Bolsonaro após facada

Durante a madrugada, na primeira declaração pública após ter sido esfaqueado, Bolsonaro disse que "nunca fez mal a ninguém". O candidato apareceu em um vídeo gravado e divulgado pelo senador e pastor Magno Malta (PR-ES).

Bolsonaro agradeceu a equipe médica, Deus e disse ser inofensivo. "Será que o ser humano é tão mau assim? Eu nunca fiz mal a ninguém", disse o presidenciável do PSL.

"Eu estava muito preocupado. Parecia apenas uma pancada na boca do estômago, mas já levamos bolada no futebol. A dor era insuportável. Por isso parecia que tinha algo mais grave acontecendo. Essa equipe maravilhosa e abençoada evitou que o mal maior acontecesse", complementou Bolsonaro, com voz baixa.

"Muito obrigado aos médicos e enfermeiros de todo o Brasil por ter colocado essas pessoas certas nesse dia, às vésperas do nosso Sete de Setembro", disse. Ele lamentou ainda não poder participar das festividades da data no Rio. Bolsonaro comentou ainda que já se preparava para um momento como esse.

Veja como foi o ataque a Bolsonaro em MG

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