Agressor de Bolsonaro desistiu de arma de fogo por entraves legais, diz PF

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

  • Polícia Militar/AP

    6.set.18 - Foto divulgada pela PM de Adélio Bispo de Oliveira, agressor de Bolsonaro

    6.set.18 - Foto divulgada pela PM de Adélio Bispo de Oliveira, agressor de Bolsonaro

O agressor do candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL), que o atacou com uma faca em Juiz de Fora (MG), afirmou em interrogatório à Polícia Federal que cogitou adquirir uma arma de fogo, mas desistiu do plano por causa dos entraves impostos pela legislação atual.

A aquisição da arma não estaria relacionada com o ataque a Bolsonaro, segundo a PF. No interrogatório, o agressor teria afirmado que cogitou da hipótese em momento anterior ao planejamento do ataque, e que pretendia ter uma arma como forma de defesa própria. O custo para adquirir uma arma de fogo também foi um empecilho, segundo a PF.

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Bolsonaro é um defensor da ampliação do porte de armas no país.

A Polícia Federal concluiu nesta sexta-feira (28) o inquérito sobre o ataque ao candidato.

Segundo o delegado Rodrigo Morais Fernandes, responsável pelo caso, o crime foi motivado por discordância política e a investigação aponta que o agressor agiu sozinho.

PM-JF/Divulgação
Faca utilizada pelo suspeito no ataque a Jair Bolsonaro

O agressor, Adélio Bispo de Oliveira, que confessou o crime, será indiciado por prática de atentado pessoal por inconformismo político, crime previsto na Lei de Segurança Nacional.

"Ficou claro ali que o motivo realmente era o inconformismo político do senhor Adélio, em razão de discordar com algumas opiniões políticas e alguns discursos que o candidato defendia", disse o delegado.

"Chegamos à conclusão de que naquele dia naquele momento o senhor Adelio teria agido sozinho, não contou com a participação de ninguém", afirmou Fernandes.

Apesar da conclusão de que o agressor agiu sozinho no momento do ataque, a Polícia Federal abriu um segundo inquérito para apurar se houve a participação de outras pessoas no crime.

Adélio Bispo de Oliveira foi preso logo após esfaquear Bolsonaro, em 6 de setembro, durante atividade de campanha em Juiz de Fora, em Minas Gerais. Na audiência de custódia, ele assumiu a autoria do crime e disse que o fez por motivação política e religiosa. A Polícia Federal abriu inquérito para elucidar duas questões que, apesar da confissão, permaneciam em aberto: se o suspeito havia tentado matar o candidato a mando de outra pessoa e/ou se havia sido financiado por terceiros.

Sob pressão devido ao calendário eleitoral, os agentes da PF ouviram testemunhas e apreenderam bens de Adélio, entre os quais quatro celulares e um notebook. O material foi enviado para perícia em Belo Horizonte e, posteriormente, constatou-se que o computador não era usado há um ano. Além disso, dois telefones também estavam sem funcionamento.

O resultado preliminar da perícia ajudou a reforçar a tese inicial da Polícia Federal, a de que Adélio seria um "lobo solitário".

O delegado responsável pelo caso, Rodrigo Morais, confirmou, em entrevistas, que a investigação caminhava para esse desfecho. A tese não agradou Bolsonaro, que, em sua primeira entrevista em vídeo desde o atentado, fez duras críticas à Polícia Federal. À rádio Jovem Pan, o candidato disse que poderia ocorrer uma tentativa de "abafar" o caso por parte da PF. O político e seus aliados afirmam acreditar na hipótese de que o agressor agiu a mando de terceiros.

Veja como foi o ataque a Bolsonaro em MG

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