Por 426 votos, Jucá não se reelege em Roraima e deixa Senado após 24 anos

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

  • Pedro Ladeira/Folhapress

O presidente nacional do MDB, Romero Jucá (MDB), não conseguiu se reeleger para o Senado Federal por Roraima neste domingo (7). Na última pesquisa Ibope, divulgada na sexta-feira (5), cinco candidatos ao Senado estavam empatados tecnicamente em busca das duas vagas do estado, com Jucá numericamente na terceira colocação.

Os dois eleitos foram Chico Rodrigues (DEM), com 22,76% dos votos válidos, e Mecias de Jesus (PRB), com 17,43%. Jucá terminou na terceira colocação com 17,34%. A diferença entre ele e Mecias foi de apenas 426 votos.

Jucá buscava seu quarto mandato como senador. Ele foi eleito pela primeira vez para o cargo em 1994, quando ainda era filiado ao antigo PPR. Conseguiu se reeleger em 2002, dessa vez pelo PSDB. Em 2010, disputou novamente as eleições para o cargo, dessa vez pelo PMDB – que perdeu o P nas eleições deste ano.

O senador também já ocupou cargos no Executivo. No governo Lula, foi ministro da Previdência Social, em 2005.

Mais recentemente, foi ministro do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão do governo Temer, em maio de 2016, permanecendo à frente da pasta durante apenas uma semana e meia. Deixou o cargo após a Folha de S. Paulo divulgar uma conversa entre ele e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado de que uma "mudança" no governo federal resultaria em um pacto para "estancar a sangria" representada pela Operação Lava Jato, que investigava os dois. Apesar do diálogo, o inquérito aberto contra os envolvidos no STF (Supremo Tribunal Federal) foi arquivado.

"Estancar a sangria", "acordo nacional", "com Supremo, com tudo": ouça o diálogo de Jucá e Machado

Mesmo após deixar o ministério, Jucá se manteve como um dos aliados mais fiéis do presidente Michel Temer ao assumir a liderança do governo no Senado. Não foi a primeira vez que ele fez parte da liderança do governo na Casa – atuou como vice-líder e líder das gestões de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT).

Jucá deixou a liderança do governo Temer no dia 27 de agosto deste ano, já durante a sua campanha para a reeleição. Ele informou que tomara a decisão por discordar da forma como o governo federal vinha tratando a questão dos venezuelanos em Roraima. Apesar de Temer amargar reprovação popular histórica, o senador negou que sua atitude teria a finalidade de afastar a sua imagem da de Temer.

O presidente Michel Temer não tira um voto em Roraima (....) O resultado do governo não está em xeque nessa questão, nós estamos discutindo crise venezuelana, é outra coisa
Romero Jucá (MDB)

A migração dos venezuelanos para Roraima foi um dos pontos centrais da campanha de Romero Jucá. Ele reclamou diversas vezes que sua proposta para barrar a entrada de venezuelanos no Brasil não foi aceita por Temer.

Jucá apostou em vídeos simulando a apresentação de um programa televisivo, o Café com Jucá, no qual ouve líderes comunitários, para humanizar a sua imagem. A estratégia, porém, não foi suficiente para ele se reeleger.

O senador recebeu R$ 2,25 milhões, para fazer sua campanha, sendo R$ 2 milhões destinados pelo MDB, e gastou R$ 2,05 milhões, segundo dados divulgados no dia 29 de setembro no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Ele declarou ter patrimônio de R$ 194.802,49 em 2018, montante 80,3% menor do que o declarado em 2010. Na época, ele informou ter R$ 607.901,41 em bens, que hoje valeriam R$ 989.048,85, se corrigidos pela inflação no período.

Apesar de não ter estabelecido alianças no âmbito nacional, neste ano o MDB esteve junto com o PSDB, DEM, PSD, PPS, SD, DC e PTC nas eleições em Roraima.

O senador é economista, nasceu no Recife, mas fez sua carreira política em Roraima, tendo sido escolhido pelo então presidente da República José Sarney (MDB) para ser governador do recém-criado estado, em 1988.

Réu no STF por corrupção

Romero Jucá é réu no STF (Supremo Tribunal Federal) pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em decorrência de depoimentos em delações de executivos da empreiteira Odebrecht na Operação Lava Jato.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) afirma que ele teria se beneficiado da função de senador para favorecer a Odebrecht em troca de R$ 150 mil em doações ao diretório do MDB em Roraima, seu reduto eleitoral. O senador nega quaisquer irregularidades e diz que todas as doações recebidas foram declaradas ao TSE.

Jucá responde ainda a outros 12 inquéritos no Supremo, entre desdobramentos da Lava Jato e suspeitas de ilegalidades na construção da usina de Belo Monte. Em fevereiro deste ano, um dos processos foi arquivado por prescrição após 14 anos de tramitação. O inquérito apurava o suposto envolvimento de Jucá em desvios de verbas de emendas parlamentares em obras do município de Cantá, Roraima.

Senadores eleitos

Chico Rodrigues (DEM), 67, é engenheiro, empresário e natural de Recife (PE). Ele, que já foi vereador por Boa Vista (1989-1991) e deputado federal por Roraima (1991-2010), elegeu-se vice-governador na chapa com José de Anchieta Júnior e comandou o estado por nove meses em 2014, quando o titular saiu para concorrer ao Senado.

Enquanto ainda cumpria mandato tampão, em 1º de dezembro de 2014, foi cassado por decisão do TRE-RR (Tribunal Regional Eleitoral de Roraima) com base na Lei da Ficha Limpa – sendo substituído no dia seguinte pelo então presidente da Assembleia Legislativa. Nesta eleição, Chico Rodrigues participou das eleições na coligação PSDB, DEM, MDB, PSD, PPS, Solidariedade e DC.

A outra vaga ficou com o deputado estadual Mecias de Jesus (PRB), 56, administrador, formado em gestão financeira e natural de Graça Aranha (MA). Ele foi vereador por São João da Baliza (RR) de 1993 a 1994 e, desde então, acumulou seis cargos como deputado, tendo presidido a Assembleia Legislativa no biênio 2003-2004. Nesta eleição, disputou o Senado pela coligação PSL, PRB, PTC, PRP, PROS, PSC e PPL.

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