Haddad espera aceno de Ciro e diz que projetos pessoais não podem se impor

Do UOL, em São Paulo

  • Jales Vaquer/Framephoto/Estadão Conteúdo

    Haddad participa do programa "Roda Viva", da TV Cultura

    Haddad participa do programa "Roda Viva", da TV Cultura

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, disse nesta segunda-feira (22) aguardar "ansiosamente" uma manifestação pública de apoio de Ciro Gomes, que disputou o cargo pelo PDT no primeiro turno. Haddad deu a declaração em entrevista ao programa "Roda Viva", da TV Cultura.

"Eu esperava e espero que o Ciro dê um alô de onde ele estiver, porque é muito importante para o Brasil que ele se manifeste publicamente. Aguardo ansiosamente o seu aceno, porque precisamos ganhar a eleição e governar juntos o Brasil", disse Haddad.

O petista falou de Ciro quando perguntado se não cabia uma autocrítica do PT na relação do partido com o pedetista. Haddad foi lembrado da declaração da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, de que Ciro não passava no partido "nem com reza brava".

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Haddad disse que não tinha a mesma opinião, e afirmou que Ciro é um "grande quadro" da política nacional. O candidato do PT também relatou ter conversado em abril com o filósofo Roberto Mangabeira Unger, conselheiro do candidato do PDT, sobre a possibilidade de uma chapa em que Ciro seria vice do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e poderia assumi-la em caso de veto à candidatura de Lula.

"Eu sempre agi com muito desprendimento em relação a isso, porque eu acho que o que está em jogo no Brasil é tão sério que, na minha opinião, projetos pessoais jamais deveriam se impor a qualquer outro interesse que não fosse o interesse nacional", declarou Haddad.

No dia 10 de outubro, o PDT, de Ciro Gomes, declarou "apoio crítico" a Fernando Haddad. Na ocasião, Ciro não se manifestou. O presidenciável, que terminou o primeiro turno da eleição em terceiro lugar, não declarou apoio direto ao petista e viajou para a Europa, de onde deverá voltar nesta semana. Carlos Lupi, presidente do PDT, declarou que Ciro não participaria de nenhum ato de campanha com Haddad.

Já na segunda-feira passada (15), o irmão de Ciro, senador eleito Cid Gomes, participou de ato do PT em Fortaleza e afirmou que o partido perderia "feio" a eleição devido a erros cometidos pelos governos petistas. O discurso de Cid chegou a ser usado na propaganda eleitoral de Jair Bolsonaro, e o pedetista gravou vídeo manifestando apoio a Haddad.

"Alerta" sobre Bolsonaro tem alusão a Hitler

Haddad negou que o PT tenha errado em insistir na candidatura de Lula e que isso ajude a explicar o voto em Jair Bolsonaro (PSL), seu adversário no segundo turno e líder nas pesquisas de intenção de voto. O candidato também refutou a hipótese de que estaria buscando um afastamento de Lula no segundo turno, ao interromper as visitas na prisão em Curitiba e o fim da estratégia que tinha como lema "Haddad é Lula". 

"Eu não tenho nenhuma dificuldade de dizer da minha relação com Lula", disse, para em seguida opinar que o ex-presidente foi "injustiçado". "Prefiro estar tranquilo com a minha consciência do que ganhar um voto."

Haddad também foi questionado sobre se apresentar como fiador da democracia em oposição a Bolsonaro, que defende a ditadura militar (1964-1985) e vem sendo retratado pela campanha petista como um candidato autoritário e violento, e se com isso não corria o risco de dizer que os eleitores de Bolsonaro não seriam democratas.

"Você está falando de um candidato que está incitando a morte de opositores", disse. "O que nós temos que fazer durante uma campanha eleitoral é alertar. Você acha que os sociais-democratas alemães erraram ao alertar sobre a ameaça da chegada ao poder do Hitler? Ou do Mussolini, ou do Franco? Foi um erro deles alertar? Eu estou dizendo que o Bolsonaro não tem cultura democrática. Isso está provado em centenas de vídeos." 

Na resposta, Haddad fez alusão à declaração dada por Bolsonaro no domingo (21), de que fará uma "faxina" e que "marginais vermelhos serão banidos" do país.

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