Richa assume segundo mandato em Curitiba e acena com disputa ao governo em 2010

Marcus Vinicius Gomes
Especial para o UOL Notícias
Em Curitiba (PR)

O prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), assume nesta quinta-feira (1º) o segundo mandato à frente da administração municipal sob os rumores de que deve disputar o governo do Estado em 2010.

Pesquisa divulgada pelo jornal "Gazeta do Povo" no início da semana mostrou que 60% dos curitibanos apóiam a idéia de Richa disputar a sucessão de Roberto Requião no Palácio Iguaçu, enquanto 31% esperam que ele cumpra o mandato até o final.

De olho em 2010

  • Osamu Honda/AP

    As dificuldades de Beto Richa para disputar o governo do Estado, por enquanto, são "caseiras". A aliança que elegeu o tucano, formada por 11 partidos, já deu mostras de que pode retirar o apoio caso os planos do prefeito em disputar o governo provoquem instabilidade política

Richa foi candidato ao governo em 2002, quando era vice-prefeito de Curitiba, mas ficou na terceira posição. Ainda assim, os 16% de votos que obteve na eleição o credenciou para disputar a prefeitura da capital em 2004.

Em entrevista ao UOL no início da campanha deste ano, Richa disse que cumpriria o mandato, caso fosse eleito, mas recusou-se a assinar um termo de compromisso registrado em cartório proposto pela reportagem.

Na semana passada, durante a diplomação dos eleitos, em Curitiba, o prefeito admitiu a possibilidade de concorrer ao governo caso as pesquisas de opinião no Paraná "apontem para esse caminho".

Eleito no primeiro turno com 77% dos votos válidos (foi o segundo mais votado entre os prefeitos das capitais), Richa é apontado pela cúpula tucana como o principal cabo eleitoral do PSDB na região sul do país. As capitais de Santa Catarina e Rio Grande do Sul estão sob controle do PMDB.

Em setembro, os tucanos José Serra e Aécio Neves, ambos pré-candidatos à presidência da República, desembarcaram em Curitiba para participar de jantar de arrecadação de fundos da campanha de Richa.

Serra, que deve ser o indicado do PSDB para disputar a sucessão de Lula, elogiou a administração de Richa e disse "sentir inveja" de sua popularidade na capital - que chegou a bater 80% em aferição do Datafolha.

Fogo amigo
As dificuldades de Richa para disputar o governo do Estado, por enquanto, são "caseiras". A aliança que elegeu o tucano formada por 11 partidos - entre os quais o DEM, o PP, o PPS e o PDT - já deu mostras de que pode retirar o apoio a Richa ainda no início do segundo mandato, caso os planos do prefeito em disputar o governo provoquem instabilidade política.

O PP e o DEM manifestaram publicamente descontentamento com a distribuição de cargos nas secretarias. O deputado federal e presidente do DEM-PR, Abelardo Lupion, disse que o partido foi desprestigiado, apesar da indicação do também deputado federal e membro do Democratas, Alceni Guerra, para a Secretaria Municipal de Planejamento.

Além disso, o senador Osmar Dias, presidente estadual do PDT, partido que também integra a grande aliança, lançou antecipadamente a sua candidatura ao governo e vem dando sinais mais do que visíveis de que espera a retribuição de Richa em sua campanha. Em 2006, o senador pedetista foi derrotado por Requião na disputa ao governo do Paraná por uma diferença de 10 mil votos.

Osmar Dias é um dos aliados de peso que deverão faltar à posse de Richa nesta quinta-feira (1º), no Memorial de Curitiba. Dias enviou comunicado declinando do convite para passar o réveillon com a família. Já o deputado federal e presidente estadual do PP, Ricardo Barros, preferiu acompanhar a posse do irmão Sílvio Barros (PP) na prefeitura de Maringá.

Cerca de 400 convidados estão sendo esperados na cerimônia. De acordo com o cerimonial da prefeitura, a posse do prefeito acontece a partir das 19 horas. Antes, serão empossados os 38 vereadores da Câmara Municipal de Curitiba.

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