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Gecopa em Cuiabá anuncia que também vai investigar suposta fraude no Ministério das Cidades

Jorge Estevão

Do UOL Notícias, em Cuiabá

24/11/2011 18h55

O Grupo Especial de Acompanhamento da Copa 2014 (Gecopa) em Cuiabá vai requisitar futuras provas coletadas e depoimentos feitos à Procuradoria da República em Brasília a respeito das informações publicadas pelo jornal “Estado de S. Paulo”, em edição desta quinta-feira (24), que apontam fraudes dentro do Ministério das Cidades para escolha do modal de transporte na capital de Mato Grosso, que é o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).

O anúncio foi feito pelo promotor Clovis de Almeida Júnior, um dos integrantes do Gecopa, na tarde desta quinta (24). A equipe é um braço do Ministério Público Estadual criado exclusivamente para acompanhar todas as obras relativas à Copa do Mundo em Cuiabá. O promotor interrompeu as férias tão logo soube da notícia.

Com isso, o promotor deve aguardar os depoimentos e provas para começar investigação à Secopa, que “herdou” da extinta Agecopa todas as responsabilidades sobre obras de mobilidade urbana, bem como o novo estádio com vista aos jogos da Copa de 2014 em Cuiabá. Tramitam no Gecopa 20 inquéritos civis sobre a antiga agência, extinta pelo governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB).

Segundo informações do jornal, o Ministério das Cidades teria fraudado um parecer técnico de um analista de Infraestrutura da pasta contrário à troca do sistema de linha rápida de ônibus (BRT, sigla em inglês para Bus Rapid Transit) para construção do Veículo Leve sobre Trilho (VLT).

O documento teria sido forjado pela diretora de Mobilidade Urbana da pasta e autorizado por Cássio Peixoto, que é o chefe de gabinete do ministro Mário Negromonte, que também teria dado aval para fraude. Com isso, o custo da implantação do sistema ficou em R$ 1,2 bilhão, cerca de R$ 700 milhões a mais que o BRT.

Na avaliação do promotor, as informações publicadas no jornal refletem a forma como foi conduzido o procedimento do estudo técnico para implantação do VLT. “Tudo isso foi fruto de atropelo (da Secopa e Agecopa)”, disse Clovis Almeida.

Segundo o promotor, mesmo antes de ter ocorrido a escolha pelo VLT, anunciada pela presidente Dilma Rousseff no início de outubro, o Gecopa já havia instaurado um inquérito civil para apurar motivos pelo qual a Agecopa havia escolhido o VLT como modal de transportes entre Cuiabá e Várzea Grande, em detrimento do BRT (Bus Rapid Transit).

“Vamos pedir todas as oitivas e provas (da Procuradoria da República em Brasília) e, se for o caso, vamos mandar uma pessoa (do Gecopa) para acompanhar o desenrolar do caso”, informou Clovis Almeida.

Sem economizar adjetivos, o promotor disse que o “Estado sobrepôs as questões políticas às técnicas”. Almeida se referiu ao fato de que não houve um estudo técnico apropriado do governo do Estado para justificar a mudança do BRT para o VLT.

O promotor enumerou os problemas graves na saúde, educação e transportes em Mato Grosso e a escolha pelo VLT revela que o Estado vai usar toda sua capacidade de endividamento num projeto que não é prioridade na matriz de responsabilidade da Fifa. “Mato Grosso está na UTI”, comparou o representante do Gecopa.

Clovis Almeida diz que o MPE não é contra a escolha do VLT, mas que isso seja feito de forma criteriosa até para evitar possíveis embargos na obra. “O Estado tem dinheiro, mas não está sabendo gerir. E o VLT é uma obra muito grande”, disse.

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