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Demóstenes Torres sai de Brasília e viaja a sítio para preparar defesa

Demóstenes vai preparar sua defesa durante o feriado da Páscoa - 02.set.2009 - Sergio Lima/Folhapress
Demóstenes vai preparar sua defesa durante o feriado da Páscoa Imagem: 02.set.2009 - Sergio Lima/Folhapress

Roberta Lopes

Da Agência Brasil, em Brasília

04/04/2012 17h36Atualizada em 04/04/2012 17h59

O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) viaja hoje (4) para um sítio onde vai passar o feriado da Semana Santa, segundo o seu advogado, Antonio Carlos Almeida, conhecido como Kakay. “Ele vai analisar os documentos que eu lhe entreguei”, disse o advogado, que manteve em segredo o endereço do local.

Pela manhã, advogados do escritório de Kakay se reuniram com o senador para preparar a defesa. Ontem (3), Demóstenes Torres pediu o desligamento do seu partido, o DEM, alegando que a legenda fez um prejulgamento dele. O partido iria abrir processo disciplinar contra o senador, mas como ele pediu o desligamento, o procedimento será anulado.

Kakay deve entrar no Supremo Tribunal Federal na segunda-feira (9) com reclamação pedindo a anulação das escutas entre o senador e o empresário Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira. O advogado alega que o Ministério Público Federal e a Justiça Federal deveriam ter pedido autorização ao STF para fazer as gravações telefônicas da Operação Monte Carlo, porque Demóstenes Torres, na condição de parlamentar, tem foro privilegiado.

O senador é acusado de  tráfico de influência em favor do empresário. A relação entre Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira começou a ser divulgada pela imprensa poucos dias após a deflagração da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que resultou na prisão de Cachoeira e mais 34 pessoas, no final de fevereiro. Inicialmente, Demóstenes admitiu haver recebido presentes em seu casamento, mas negou conhecer as atividades ilegais do empresário.

Definição do futuro de Demóstenes: as escolhas

OPÇÕES PRÓ CONTRA
Renunciar ao mandatoSai do foco político, o que pode aliviar as enxurrada de denúncias contra elePode ficar inelegível até 2027 por conta da Lei da Ficha Limpa, perde o foro privilegiado no STF e passa a responder criminalmente na Justiça de Goiás
Perder o mandato por infidelidade partidáriaSai do foco político, mas mantém a imagem de ter lutado por seu cargo até o final. Neste caso, não é enquadrado na Lei da Ficha Limpa, com isso, pode ser eleito já em 2014Perde o foro privilegiado no STF e passa a responder criminalmente na Justiça de Goiás. O Senado, porém, pode decidir continuar o processo de cassação de mandato por quebra de decoro parlamentar. Seria algo incomum, mas não inédito
Licenciar-se do mandatoSai do foco político por 120 dias, mantém o foro privilegiado e espera que as denúncias esfriem com a aproximação das eleições municipaisContinua respondendo processo no Conselho de Ética do Senado e, se cassado, pode ficar inelegível até 2027
Responder ao processo no Conselho de Ética do SenadoMantém a imagem de que lutou pelo cargo e, mesmo que condenado no conselho, ainda pode escapar da cassação no plenário do Senado, onde a votação é secretaContinua no foco político e, se condenado, pode ficar inelegível até 2027 por conta da Lei da Ficha Limpa
Renunciar e assumir o cargo de procurador de Justiça de GoiásSai do foco político e, mesmo perdendo o foro privilegiado no STF, passaria a responder às denúncias no Tribunal de Justiça de Goiás, foro mais qualificado que a Justiça comumPode ficar inelegível até 2027 por conta da Lei da Ficha Limpa
  • Fonte: "Folha de S.Paulo" e "Blog do Fernando Rodrigues"

Vazamento de interceptações telefônicas colhidas pela Polícia Federal mostraram, no entanto, que além de conhecer a atuação de Cachoeira, Demóstenes também interferia a favor do empresário em assuntos políticos e supostamente obtinha, como recompensa, repasse de dinheiro resultante da exploração do jogo ilegal em Goiás.

Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal autorizou a abertura de inquérito para investigar a participação de Demóstenes Torres no esquema ilegal. O relator do processo, ministro Ricardo Lewandowski, determinou a quebra de sigilo bancário do senador e pediu levantamento das emendas parlamentares do político.

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