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Pastor polêmico diz que não renunciará à presidência de comissão

Protesto, em Ribeirão Preto (SP), contra o pastor e deputado Marco Feliciano (PSC-SP), eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara e acusado de manifestações racistas e homofóbicas - Márcia Ribeiro/UOL
Protesto, em Ribeirão Preto (SP), contra o pastor e deputado Marco Feliciano (PSC-SP), eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara e acusado de manifestações racistas e homofóbicas Imagem: Márcia Ribeiro/UOL

José Bonato

Do UOL, em Ribeirão Preto (SP)

11/03/2013 22h42Atualizada em 12/03/2013 00h18

O pastor e deputado Marco Feliciano (PSC) afirmou na noite desta segunda-feira (11) que não renunciará à presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. A declaração foi feita durante culto celebrado na igreja que ele preside, a Catedral do Avivamento, em Ribeirão Preto (313 km de São Paulo), e foi uma resposta à possibilidade de a indicação dele para o cargo ser reavaliada pelo seu partido.O parlamentar é acusado de dar declarações homofóbicas e racistas.

Marco Feliciano reuniu cerca de 350 pessoas, metade dos assentos existentes do templo, e cerca de 30 pastores. O público foi chegando aos poucos ao local e ultrapassou, por volta das 20h, os cerca de 200 manifestantes reunidos do lado de fora da igreja. O culto começou às 19h. Ele havia convocado simpatizantes para um ato hoje na cidade, contra uma suposta perseguição religiosa da parte de "ativistas gays".

Marco Feliciano declarou que é perseguido e cerceado no seu direito de se manifestar. Também relatou que ele e sua família recebe ameaças de morte. “Estou passando por um teatro de horrores. Hoje isso se passa comigo, amanhã serão outras pessoas. Mas eu não vou desistir. Já nasci campeão”, afirmou.

Pastor convocou apoiadores; clique na imagem e veja

  • Divulgação

Feliciano afirmou que, caso a homofobia se torne crime no país, mediante a aprovação do projeto de lei 122/2006, que está no Senado, haverá a volta da “Inquisição ao contrário, vão jogar nossas vidas na lama”.

O deputado afirmou que defende a família brasileira e não concorda que crianças de zero a seis anos de idade tenham sexualidade indefinida, como, segundo ele, defendem o MEC (Ministério da Educação) e o Conselho Federal de Psicologia.

"Aleluia"

“Não posso concordar que uma criança toque no órgão genital da outra e não se fale nada. Se ensinamos o caminho que [as crianças] devem andar, elas não se desviarão dele.” As falas de Feliciano foram respondidas com gritos de “aleluia” da plateia.

O deputado declarou que recebeu o apoio da igreja católica e de pastores evangélicos com relação às manifestações de repúdio a sua pessoa. Entre os pastores está Silas Malafaia, da Assembleia de Deus.

Feliciano disse que, na próxima segunda-feira (18), voltará a celebrar culto na igreja em Ribeirão Preto e pediu que cada um dos presentes levasse mais alguém junto.

Feliciano discursou por cerca de 30 minutos. No final, deixou o local por uma saída que evitou que ele e os manifestantes do lado de fora se encontrassem.

O culto durou cerca de 90 minutos, durante os quais pastores discursaram, sem mencionar diretamente a situação do deputado, e cantaram. Feliciano também cantou em três das sete canções entoadas.

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