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Leia a transcrição da entrevista de Geraldo Julio à Folha e ao UOL

22/03/2013 06h00

Geraldo Julio, prefeito do Recife, participou do "Poder e Política", projeto do UOL e da Folha conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues. A gravação ocorreu em 20.mar.2012 no estúdio do Grupo Folha em Brasília.

 

 

Geraldo Julio – 20/3/2012

Narração de abertura:

Folha/UOL:Olá internauta. Bem-vindo a mais um "Poder e Política - Entrevista".

Este programa é uma realização do jornal Folha de S.Paulo e do portal UOL. E a gravação é realizada aqui no estúdio do Grupo Folha, em Brasília.

O entrevistado desta edição do Poder e Política é o prefeito do Recife, Geraldo Julio.

Folha/UOL: Prefeito, muito obrigado por sua presença no estúdio da Folha e do UOL. E eu começo perguntando: os prefeitos de capitais estiveram em Brasília para tratar de pacto federativo com os presidentes da Câmara e do Senado. Como o sr. resumiria, de maneira bem simples, para um leigo entender, as principais reinvindicações dos prefeitos?
Geraldo Julio:Bem, a discussão que está sendo feita, Fernando, é sobre o pacto federativo em relação às responsabilidades dos municípios, dos estados da União, e a fonte de recursos para poder bancar essas responsabilidades. O fato é que, em 1988, com a promulgação da Constituição, se estabeleceram as regras de divisão dos recursos tributários. Naquela época, 76% da receita da União era compartilhada com estados e municípios. Corresponde a arrecadação do IPI e do imposto de renda. Esse número hoje, 25 anos depois, um quarto de século depois, é de apenas 44%. Então, os estados e municípios tinham direito de compartilhar 76% da receita da União, e hoje só 44%.

Enquanto isso, as responsabilidades sobre saúde, educação, saneamento, infraestrutura, cidadania e todas as responsabilidades que o serviço público tem estão sobrecarregadas na responsabilidade dos municípios brasileiros. Principalmente, os municípios brasileiros. Então, o momento de discussão é uma momento muito importante.

Folha/UOL: Basicamente, para um leigo entender, os estados e as cidades, que são entes federativos também, desejam ter um pedaço maior do bolo da arrecadação de impostos. É isso, não é?
Geraldo Julio:Isso. Isso. Seria uma correção histórica desses 25 anos. Seria colocar a Contribuição Social sobre o Lucro [CSLL] e a Cofins [Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social] na base de cálculo do FPM [Fundo de Participação dos Municípios] que é a transferência de recursos que a União faz para os municípios.

Folha/UOL: O fundo dos municípios, não é?
Geraldo Julio:É. Nós teríamos um crescimento de cerca de dois terços do valor a gente recebe hoje.

Folha/UOL: Só para o internauta entender: Cofins, por exemplo, é uma contribuição. E por ser uma contribuição, a contribuição que vai toda para os cofres federais não é dividida entre os estados e municípios. A ideia dos estados e dos municípios é repartir o Cofins também. É isso?
Geraldo Julio:Isso. Cofins e a CSLL são as duas principais.

Folha/UOL: Que é a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.
Geraldo Julio:Se repartisse elas duas também, a situação dos estados e municípios hoje seria outra. Essa é uma discussão que não se faz de uma dia para o outro.

Folha/UOL: Pois é. Eu ia entrar exatamente nisso porque é difícil encontrar alguém que governe um estado, uma prefeitura ou país abrindo mão dos recursos. Por que o sr. acha que o governo federal, sobre o comando da presidente Dilma Rousseff, abriria mão de parte dos recursos?
Geraldo Julio:Primeiro, a responsabilidade sobre essa situação não é de um governo, não é do governo da presidente Dilma. O próprio governo, e isso merece elogio nosso, está colocando em discussão essa questão do pacto federativo. Isso é importante. Mas é importante que descentralize os recursos, hoje, no Brasil. Há um esforço grande do governo federal fazer essa descentralização. Mas através de convênios com os municípios e estados que são carregados, naturalmente, pela legislação de uma burocracia muito grande. Hoje, um município desenha um projeto e, até transformar ele numa obra entregue à população, vão vários anos por conta de uma grande burocracia que, aliás, sobrecarrega ministérios, sobrecarrega a Caixa Econômica Federal, sobrecarrega os municípios, que precisam montar unidades de captação de recursos. Se esses recursos fossem descentralizados automaticamente, os prefeitos teriam autonomia para fazer a aplicação de recursos e, naturalmente, as obras aconteceriam mais rápidas no nosso país.

Folha/UOL: Mas deixe eu repetir a pergunta. Ainda assim, é difícil encontrar um político governando algum ente federado que me diga, eu nunca encontrei um, o seguinte: “Está ótimo o meu orçamento. Estou com dinheiro sobrando. Estou querendo dar um pouco para alguém aí, algum vizinho”. É assim com o governado federal, com os estaduais e com os municípios. Quando o governo federal se vir ameaçado por essa possibilidade, certamente vai tentar impedir isso. Se o Congresso quiser votar ou não.
Geraldo Julio: É. Nós fomos convidados hoje pelo presidente Henrique Eduardo [Alves, da Câmara] e pelo presidente Renan [Calheiros, do Senado] exatamente com a disposição do Congresso Nacional de mediar uma discussão sobre o pacto federativo.

Folha/UOL: O que o governo federal ganha?
Geraldo Julio:O governo federal ganha efetividade da ação dos municípios no Brasil. O governo federal quer que a vida do brasileiro melhore. Que as coisas acontecem em todos os municípios brasileiros. E a descentralização de recursos é uma coisa importante para isso. O governo federal faz isso transferindo recursos para saneamento, para a infraestrutura, para casa, para saúde, para a educação. Mas transfere sobre um critério, sobre uma legislação extremamente burocrática que, por sinal, faz o serviço público gastar mais para conseguir fazer essa descentralização. Tem algumas medidas, Fernando, que estão sendo colocadas para resolver a coisa de maneira mais rápida.

Folha/UOL: É isso que eu ia perguntar para o sr. Quais são elas?
Geraldo Julio:Por exemplo, uma delas é uma PEC [Proposta de Emenda Constitucional] que está em tramitação, de autoria do dep. Mendonça Filho (DEM) de Pernambuco, que diz o seguinte: Que não se criem novas despesas para os municípios e para os governos estaduais através de lei federal, despesas gerais, sem identificar qual vai ser a fonte de recursos. Ou seja, não aprovar...

Folha/UOL: O que foi criado, nos últimos anos, de despesas para os municípios ou para os estados sem apontar a fonte?
Geraldo Julio:Existem 27 projetos de lei hoje tramitando no Congresso Nacional para criar pisos, tetos mínimos, responsabilidades...

Folha/UOL: Mas cite o que já existe que foi criado e atrapalhou, digamos, a gestão.
Geraldo Julio:Existe discussão sobre a renumeração de servidores, pisos nacionais a serem aplicadas por todos os  municípios. Responsabilidade sobre liberdade assistida. Ou seja, uma série de responsabilidades sendo colocadas a cargo dos municípios e dos governos estaduais sem que seja identificada a fonte de recursos.

Uma outra coisa importante, que está tramitando no Senado Federal e ajudaria os municípios brasileiros imediatamente, é mudar  um dispositivo da questão 43 do Senado Federal....

Folha/UOL: O que é isso?
Geraldo Julio:... Que trata de endividamento, Hoje, um município, mesmo que tenha a capacidade  de endividamento alta, só pode emprestar, tomar emprestado, por ano, 16% de sua receita. E há uma proposta tramitando no Senado de mudar esse percentual de 16% para 30%. Então, o Recife, por exemplo, tem uma capacidade de endividamento alta. Se eu puder tomar por ano mais recursos emprestados, eu vou poder fazer agora, neste ano de 2013, muito mais investimentos na cidade do Recife, favorecendo a população da minha cidade. Então, essa é uma medida que podia ser tomada imediatamente no Senado Federal, de aprovar isso. E, viabilizar que todos os municípios que tem capacidade de financiamento, façam mais obras nesse ano agora.

Folha/UOL: Agora, nessa conversa dos prefeitos de capitais, que ocorreu nessa semana com os presidentes da Câmara e do Senado, qual foi a impressão que ficou para o sr. sobre a viabilidade de haver essa repactuação para que nesse pacto federativo novo, os estados e as cidades recebam mais dinheiro?
Geraldo Julio:Nós precisamos fazer duas discussões. Uma de médio-longo prazo, que é a correção histórica de uma situação que se colocou por 25 anos. Resultado de 25 anos do modelo de desenvolvimento e que se coloca os municípios muito apertados no ponto de vista fiscal e com grande encargo de responsabilidades e competências a se desenvolver. Então, uma discussão de médio-longo prazo. Mas as discussões imediatas podem ser feitas. Por exemplo, a incidência de PIS/Pasep sobre as receitas municipais. Então, nós pagamos à União 1% das nossas receitas como PIS/Pasep que poderiam ser imediatamente retiradas, viabilizando que os municípios tenham mais receita. Assim como essa coisa da resolução do endividamento que nós acabamos de mencionar. E eu apresentei também, Fernando, hoje, na reunião que nós tivemos com o presidente do Senado e presidente da Câmara, a possibilidade do governo federal criar um fundo nacional de desenvolvimento dos municípios. Que seria injetar dinheiro fundo a fundo nas contas do município, vinculado a um fundo municipal, criado por lei municipal, que garanta transparência, publicidade, controle, fiscalização dos Tribunais de Contas voltados para investimento. Mas que façam com que os municípios consigam, neste ano de 2013, fazer investimentos. Isso viabilizaria que todos os municípios brasileiros conseguissem fazer investimentos e gerar empregos no seu município, gerar oportunidades, melhorar a infraestrutura do seu município. Esse ano de 2013, que é um ano que a gente precisa que a economia cresça e o investimento público é importante para isso.

Folha/UOL: Tudo isso tem que ser combinado com quem está do lado de lá do muro, com o governo federal, Poder Executivo. Com quem no Poder Executivo, no governo da administração Dilma Rousseff, essa conversa já existe e quais são as primeiras reações, segundo seu melhor juízo?
Geraldo Julio:O Congresso Nacional se colocou como mediador dessas discussões. Quis receber dos governadores e, agora, dos prefeitos de capitais propostas para fazer essa discussão dentro do Congresso e com o Poder Executivo também. Essa proposta, por exemplo, que faço é uma proposta que seria extremamente positiva na minha visão para o Poder Executivo, para o governo da presidente Dilma. Porque ela viabilizaria que todos os prefeitos dos municípios brasileiros tivessem condições de fazer investimento neste ano. Isso é importante para o crescimento da economia nacional. Isso seria importante para a própria área econômica e financeira do governo federal porque viabilizaria que as coisas acontecem de maneira mais rápida.

Folha/UOL: Deixe eu perguntar um pouco sobre gestão. Nós, brasileiros, assistimos nos últimos anos, a impressão que se tem é de um inchaço das máquinas públicas em vários níveis. No caso das cidades, no caso da sua cidade, Recife, como está a gestão da cidade? Quantos funcionários o sr. tem? Quantos secretários muncipais o sr. tem? E, a pergunta, é possível enxugar um pouco a máquina e ter mais eficiência? E gastar menos e fazer mais?
Geraldo Julio:Eu acho que é sempre possível fazer isso. Nós, por exemplo, cortamos o número de secretarias. Eu extingui duas secretarias.

Folha/UOL: Quantas são ao todo agora?
Geraldo Julio:Eram 24. Hoje são 22. Eu extingui 600 cargos comissionados. Corresponde a um corte de 25% dos cargos comissionados do município. E instituí seleção para cargo comissionado. Por exemplo, eu fiz uma seleção para contratar gestores que são responsáveis pelo monitoramento dos projetos prioritários do governo onde participaram três mil pessoas. Isso foi feito ainda durante a transição, em dezembro. Participaram três mil pessoas. Nós selecionamos os 20 melhores com base nos critérios de currículo e de entrevistas realizadas. E eu nomeei esses gestores que vão acompanhar os projetos prioritários no meu governo. Então, são 20 pessoas que foram selecionadas por competência. Na área da saúde, eu juntei técnicos especializados, junto com a Associação Brasileira de Saúde Coletiva, que também indicou um técnico. Formei uma mesma banca examinadora e selecionei os gerentes regionais de saúde da cidade do Recife através de currículos e memoriais que foram entregues pelos candidatos. Foram 91 candidatos para seis vagas e nós escolhemos o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto e o sexto colocado para...

Folha/UOL: São cargos comissionados esses?
Geraldo Julio:Cargos comissionados que estão sendo escolhidos com base numa seleção que vê aquele que tem mais competência, mais condições de responder.

Folha/UOL: Quantos cargos comissionados tem hoje a prefeitura do Recife?
Geraldo Julio:Eu reduzi de 2700 cargos para 1100 cargos.

Folha/UOL: Esse número, no seu entender, é adequado? Ele ainda pode ser reduzido? Qual é a sua impressão com alguns meses já de mandato?

Geraldo Julio:Esse número é um número que nós fizemos um esforço muito grande. O corte foi de 25%. Nós estamos, agora, estruturando o governo para atender ao programa de governo que nós construímos com a sociedade. E é o número que vai ficar colocado para dar respostas do aumento da capacidade de realização que a gente quer fazer na gestão pública do Recife.

Folha/UOL: Esses cargos comissionados estão ligados diretamente ao prefeito ou estão espalhados pelas secretarias?
Geraldo Julio:Tem cargos no gabinete do prefeito. Vinte cargos no gabinete do prefeito. E os outros são espalhados em todas as secretarias.

Folha/UOL: Esses dois mil e...
Geraldo Julio:Dois mil e cem.

Folha/UOL: Dois mil e cem. Entendi. O sr. assumiu a prefeitura do Recife depois de algumas gestões do Partido dos Trabalhadores.  A herança que o sr. recebeu do PT é boa ou ruim?
Geraldo Julio:Bom, o mais importante para mim é olhar para a frente. É saber aquilo que eu estou comprometido a fazer com a população. O que eu estou comprometido veio do debate que a gente fez com a população e eu tenho dedicado meu foco, meu tempo, minha dedicação o tempo inteiro para isso.

Eu recebi a prefeitura com R$ 111 milhões de reais em caixa, R$ 106 milhões de reais de contas a serem pagas, em restos a pagar. E recursos em captação. Recebi R$ 1 bilhão em contratos assinados com a Caixa Econômica Federal para captar recursos do PAC e mais R$ 1 bilhão em negociação com a Caixa Econômica Federal. Esse é o cenário financeiro do que foi recebido lá.

A capacidade financeira da prefeitura vem sendo aquém da demanda de infraestrutura que o Recife precisa. Historicamente, o Recife investe R$ 200 milhões por ano e isso tem sido insuficiente para as demandas de infraestrutura que o crescimento tem gerado na cidade.

Folha/UOL: Qual o tamanho da dívida hoje do município?
Geraldo Julio:O Recife tem uma dívida pequena, na casa dos 30% da receita corrente líquida anual.

Folha/UOL: Equivale a quanto, aproximadamente?
Geraldo Julio:De menos de R$ 1 bilhão.

Folha/UOL: Menos de R$ 1 bilhão?
Geraldo Julio:É. Mas tem uma capacidade de endividamento ainda muito alta. Então, aquela resolução que a gente deu para o Senado que pode ser alterada permitira ao Recife tentar suprir o déficit de infraestrutura que a gente tem na nossa cidade.

Folha/UOL: Recentemente, fez sucesso no cinema um filme que mostra muitas cenas da cidade, O Som ao Redor. O sr. acha que esse filme retrata de maneira fiel esse fenômeno do crescimento das grandes cidades, no caso de Recife?
Geraldo Julio:O Recife tem um caso especial em relação a essa do fenômeno urbano. Nós vivemos, durante a década de 90 e parte dos anos 2000, como a capital mais violenta do país. Pernambuco era o estado mais violento do país. O Recife era a capital mais violenta do país. E muita gente se afastou das ruas. Há seis anos atrás, nós iniciamos, em Pernambuco, uma política de segurança pública chamada Pacto pela Vida, que é liderada pelo governo do estado. Eu, enquanto secretário no governo do estado, coordenei também essa política, o Pacto pela Vida. E essa política reduziu a violência em quase 40% no estado e em 50% na capital. O que está acontecendo? Todo mundo está querendo voltar para a rua ao mesmo tempo. Então, nós estamos voltando a utilizar as calçadas, os parques, as praças, a andar de bicicleta. Então, o fenômeno das pessoas voltarem às ruas do Recife com muita força, com muito vigor. O que é uma coisa rica. O problema é que o desenvolvimento urbano lá foi feito do muro para dentro nos últimos 15, 20 anos. Então, a cidade se desenvolveu em 15, 20 anos para uma do muro do lote para dentro. Mas, nesse momento, que há uma sensação de segurança na cidade pela redução da violência que ocorreu, está todo mundo querendo ir para a rua. Então, o fenômeno urbano lá está fervendo na nossa cidade.

Folha/UOL: Agora, voltando ao filme O Som ao Redor, o sr. acha que aquilo que a gente assiste já não está mais acontecendo ou ainda é um pouco a realidade daqueles bairros ali, que são mostrados no filme?
Geraldo Julio:Não, ainda acontecem casos como o do filme na nossa cidade, mas há uma mudança expressiva. E essa volta das pessoas para a rua vai ajudar. Quanto mais gente a gente tem na rua, melhor fica o ambiente, mais segura fico. Então é saudável. Essa é uma modificação que a gente precisa fazer e que a gente vai precisar discutir o desenho urbano da cidade.

Folha/UOL: Se não sair uma repactuação sobre as distribuições do recursos que vão para os estados e municípios que são coletados pelo governo federal, o sr. conseguirá continuar a governar ou o sr. acha que haverá uma situação caótica? O que vai acontecer se nenhum acordo for feito?
Geraldo Julio:A situação do Recife é uma situação em que a gente fez as contas com muito cuidado para poder estabelecer os compromissos que nós fizemos com a população durante a campanha eleitoral. Então, tudo foi feito com muita responsabilidade, com muito cuidado, e esse compromissos serão cumpridos dentro da minha gestão.

Mas a capacidade do investimento do município do Recife é baixa. E nós estamos falando aqui de uma capital brasileira. Mas nós precisamos fazer a discussão do pacto federativo não só em relação às capitais, mas em relação à todos os municípios.Principalmente, os 80% dos municípios brasileiros que dependem das transferências da União para poderem fazer as suas despesas.

Folha/UOL: O sr. disse aqui que a presidente da República, o governo brasileiro, tem interesse que o Brasil vá bem, que os brasileiros fiquem bem. Não caberia ou, a pergunta, caberia à presidente da República, talvez, liderar esse processo? Porque eu estou vendo que, por enquanto, o governo federal não se manifestou.
Geraldo Julio:A presidente convidou os prefeitos, fez uma reunião agora, no mês de fevereiro. Anunciou liberação de recursos, mas...

Folha/UOL: Mas sobre o pacto federativo.
Geraldo Julio:Sobre o pacto federativo, há uma discussão instalada pelo Poder Executivo também, com a presidente, pelo Congresso Nacional e, principalmente agora...

Folha/UOL: Mas sinalizando que vai ceder alguma coisa? A gente não enxerga isso. Quando a gente conversa com os ministros da área ou com o Palácio do Planalto, sim, discussão tem. Agora, abrir mão de recursos não vai acontecer. É isso que a gente houve. É nesse sentido que eu pergunto. 
Geraldo Julio:Não, acho que a discussão tem que ser feita. A discussão tem que ser feita. Tem que haver pressão e contrapressão. Isso faz parte do jogo político e do jogo de negociação. Mas precisa ser feita. A discussão tem que ser feita e, em algum momento, essa correção dessa distorção histórica de 25 anos precisará ser refeita porque os municípios brasileiros não vão conseguir funcionar. Vão chegar à uma situação de colapso. Já existem municípios com muita dificuldade de pagar, até mesmo, a folha de pagamento, fazer a manutenção mínima da cidade. Então, a situação está posta hoje. Isso vai precisar ser debatido e ser corrigido. 

Folha/UOL: Deixe eu falar uma coisa que não está na pauta, mas é relacionada a isso. Nos últimos 30 anos, foram criados, aproximadamente, 1500 cidades no Brasil. Foi um erro?
Geraldo Julio:Essa não é uma avaliação simples de ser feita e eu acho que precisaria ser analisados casos e casos.

Folha/UOL: Mais da metade dos municípios brasileiros... O Brasil tem 5568 cidades. Mais da metade delas não tem receita própria para sobreviver. Se elas não tem receita, como podem ser entes federados?
Geraldo Julio:Vivem da transferência de recursos.

Folha/UOL: Para que tem um prefeito lá? Não era melhor ser um bairro da cidade maior vizinha?
Geraldo Julio:É uma discussão que precisa ser feita. Essa daí são as que...

Folha/UOL: O que o sr. acha?
Geraldo Julio:Essas são as que passam mais dificuldade. As que vivem só da transferência de recursos da União

Folha/UOL: Pois é. Mas é metade.
Geraldo Julio:Elas são as que estão passando mais dificuldade, não tenho dúvida nenhuma. Se esse modelo for adequado ou não, esse debate precisa ser feito.

Folha/UOL: Porque é uma discussão não só sobre o pacto federativo, de distribuir dinheiro. É organização do Estado brasileiro, não é? Porque, não vou nem falar de alguns estados que foram criados também, nos últimos 30 anos, os territórios que viraram estado e outro que foi dividido ao meio. Mas essas cidades são inviáveis economicamente. Elas vão viver a vida inteira de recursos sendo transferidos. Se elas não geram recursos, para que elas tem que ser independentes?
Geraldo Julio:Isso depende da condição territorial também, Fernando, de cada município desse. Tem município desse que não poderia ser atendido sendo subsede de outros municípios. Mas precisa ser analisada cada situação. Agora, se as transferências...

Folha/UOL: Como é no Recife, aliás? Eu não tenho a situação do Recife, só do Brasil. Lá também...
Geraldo Julio:Não, há região metropolitana está equilibrada já há muitos anos. Não houve criação...

Folha/UOL: Mas e no interior?
Geraldo Julio:O estado de Pernambuco não foi um estado que tenha criado muitos municípios.

Folha/UOL: Explosão de municípios?
Geraldo Julio:Não, não. O estado de Pernambuco não.

Folha/UOL: Mas o sr. acha que existe espaço político para essa discussão, que me parece, também, ser importante? Não existe, né? Nunca vai se discutir isso. Fechar essas cidades e devolvê-las para as cidades originais.
Geraldo Julio:Não. Eu acho que todo debate pode ser feito. Toda discussão pode ser feita. Essa é uma que pode ser feita também.

Folha/UOL: O sr. imagina: 2500 cidades, são 2500 prefeitos, 2500 vice-prefeitos, milhares de secretários e funcionários que não precisariam existir, né? Gastando dinheiro.
Geraldo Julio:É. Eu não tiraria essa conclusão assim, de que esses municípios todos não precisariam existir. Eu acho que esse é debate que também pode ser levado.

Folha/UOL: Mas alguns, certamente, não deveriam, não é?
Geraldo Julio: Sim. Eu acho que é um debate que pode ser feito. Eu acho que a gente não pode estar fechado a nenhum tipo de debate. Agora, que as transferências precisam ser revistas, isso é uma coisa que está muito clara porque os números dizem isso. Nós temos divididos 76% e hoje só ter 44%...

Folha/UOL: Por que eu digo isso? Porque uma cidade como o Recife que depende, claro, dos impostos coletados também, mas que tem receita própria, se não tivesse ocorrido essa explosão de municípios no Brasil, certamente, cidades como o Recife se beneficiariam. Porque é menos recursos para pagar estruturas inúteis no interior do país. Seriam usadas nas cidades mais produtivas e que poderiam administrar áreas maiores.
Geraldo Julio:É. A gente precisa ter a dimensão disso que você está colocando. A quantidade de municípios desses que, em uma avaliação mais aprofundada, pudessem tirar essa conclusão que você está colocando.

Folha/UOL: O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do seu partido, o PSB, deve ser candidato a presidente em 2014?
Geraldo Julio:
 O governador é uma liderança, hoje, nacional. É presidente nacional do partido, um partido que cresceu bastante nas eleições de 2010, cresceu bastante nas eleições de 2012. Mas, certamente, essa não é a pauta nem do governador nem do partido, neste momento. A nossa pauta agora é a pauta de 2013. A pauta de uma ano importante para o país. A pauta de um ano em que a gente precisa que o país cresça. Então, é isso que está no centro das nossas preocupações.

Folha/UOL: O sr. é uma pessoa, evidentemente, muito ligada ao governador Eduardo Campos. Foi secretário dele quando ele era, enfim, no mandato anterior dele, antes de ser prefeito. E repete o discurso dele. Ele tem dito isso muito em público. Agora, aqui, no Congresso, todos os integrantes, quase, do PSB, todos os líderes do PSB nacionalmente falam da inevitabilidade da candidatura de Eduardo Campos [a presidente da República]. Que mal faria se ele fosse candidato à presidente?
Geraldo Julio:
 Não, mas eu acho que não falam assim, com essa objetividade, essa clareza que estão colocando.

Folha/UOL: Falam. O líder no Congresso do PSB fala isso. Que é inevitável.
Geraldo Julio:
 Esse é uma debate que está se colocando. Inclusive, eu acho que é antecipação do debate eleitoral para este ano, ela é uma antecipação inadequada. Eu acho que nós deveríamos ter muito foco, agora, nas gestões. Os prefeitos nos seus municípios, os governadores em seus estados, o governo federal também. Para que a gente possa superar um ano que é difícil, Fernando. Este ano é um ano desafiador. O Nordeste vive uma seca muito dura. A economia precisa crescer. O investimento público tem um papel importante. Nós vimos a importância do investimento público no ano de 2009. No ano de 2009, na crise financeira internacional. E este é um ano que a gente precisa fazer o país crescer. O país só cresceu 0,9% e neste ano precisa crescer mais. Tanto para a gente não ter problema com emprego na escala nacional, quanto para o poder público, e aí principalmente a esfera do município, não ter um problema mais grave ainda na questão das suas contas.

Folha/UOL: Por que, então, os deputados, senadores do PSB dia sim, dia também, sempre falam da inevitabilidade da candidatura de Eduardo Campos à presidente?
Geraldo Julio:
 Eu acho que não é sobre inevitabilidade. Eles são perguntados...

Folha/UOL: E dizem que ele [Eduardo Campos] será candidato.?
Geraldo Julio: São perguntados sobre a condição, a liderança, a importância, a posição que tem hoje o presidente do partido, o governador Eduardo Campos, no cenário nacional. De fato, ele é presidente nacional do partido, como eu disse, um partido que cresceu bastante na eleição de 2010, que cresceu bastante na eleição de 2012, e está posto esse debate. E eles precisam responder sobre aquilo que é colocado, sobre o que são indagados.

Folha/UOL: Mas aqueles integrantes do PSB que falam, como a gente ouve no Congresso de deputados e senadores do seu partido, que Eduardo Campos será candidato à presidente de maneira peremptória, ao dizerem isso, atrapalham o momento pelo qual passa o país então?
Geraldo Julio: Na minha avaliação, nós deveríamos fazer esse debate em 2014, no ano da eleição, focado na eleição, no debate eleitoral, e não nesse ano. Essa é a minha visão.

Folha/UOL: Então, atrapalha agora??
Geraldo Julio: É. Essa é a minha visão. Eu acho que nós deveríamos, nesse momento, viver o país e, principalmente, viver a economia do país, fazer o país crescer.

Folha/UOL: Mas, então, isso é um discurso que deve ser evitado agora?
Geraldo Julio: Nesse momento, eu avalio que sim.

Folha/UOL: O PSB faz parte do governo Dilma Rousseff. Fez parte do governo Lula, não é? Há dois ministros que pertencem ao PSB hoje.  Se, eventualmente, houver essa discussão, ela se cristalizar como o sr. diz, no início de 2014, o PSB deve deixar o governo Dilma Rousseff no momento em que a discussão se estabelecer e houve uma candidatura??
Geraldo Julio: É. Essa discussão é uma decisão que eu não tenho como antecipar. Mas, qual é o histórico do PSB em relação ao governo da presidenta Dilma e em relação ao governo do presidente Lula? Um histórico de lealdade, de fidelidade, de um trabalho extremamente colaborativo, de ser, no Congresso Nacional, um partido extremamente leal, ativo, que trabalha, que trabalha nas condições melhores e nas condições difíceis, nos momentos difíceis. O PSB tem sido um partido importante para o governo, seja no Congresso Nacional, seja na cena política como um todo. Na atuação dos governadores, dos prefeitos, nas gestões. Eu acho que o PSB é um partido que tem colaborado bastante em nome de um país melhor, em nome de um projeto de país melhor.

Folha/UOL: Sim. Mas o que eu perguntei é: No momento em que a discussão se estabelecer... O sr. disse “essa discussão sobre eleição é em 2014”. Em que momento, em 2014, tomando a decisão, o PSB também teria que enfrentar o fato de estar dentro do Governo, sair ou não?
Geraldo Julio: Se acontecer isso com qualquer partido...  Com qualquer partido que esteja na base e que venha a ter uma candidatura, nesse momento precisa se discutir a participação dentro do governo. Com qualquer partido no momento adequado.

Folha/UOL: Esse momento adequado é quando? É janeiro? É junho? É maio? Quando é??
Geraldo Julio: É porque eu não colocaria a coisa como se já estivesse posta. A candidatura já existe ou está definido que ela vai existir. Eu não colocaria as coisas assim.

Folha/UOL: Não, claro. Mas se, eventualmente, houver, tem que sair do governo?
Geraldo Julio: Nesse momento, precisa se fazer essa discussão.

Folha/UOL: Mas, se houver, tem que sair governo, nesse caso??
Geraldo Julio: Sim. Sim. Não só para o PSB. Para qualquer candidatura.

Folha/UOL: Agora, o momento para discutir isso objetivamente seria quando? Em que momento em 2014? Em que mês o sr. acha que é mais adequado começar a discutir esse assunto?
Geraldo Julio: Acho que não há mês marcado, Fernando. Acho que isso depende do cenário político, do cenário econômico, de como o país esteja andando. Eu acho que essas coisas não têm data marcada. Eu só acho que a antecipação é uma coisa que não é saudável para o país.

Folha/UOL: O governador Eduardo Campos disse numa entrevista, logo depois de se encontrar com empresários em São Paulo, que é possível fazer muito mais do que faz o governo Dilma. O sr. concordar?
Geraldo Julio:Concordo. Eu acho que sempre é possível fazer mais. Não só em relação ao governo da presidente Dilma, mas eu acho que todos os governos que têm acertos também têm questões que poderiam ser feitas de maneira melhor, mais eficiente, mais rápida. Eu acho que sempre tem um caminho para se fazer mais. E eu acho que a gente deve estar buscando isso sempre. Eu acho que um país precisa estar buscando isso sempre. Um estado, um município precisa estar sempre buscando uma maneira de fazer mais. Esse poder ter feito mais.

Folha/UOL: O empresário Jorge Gerdau, que participa voluntariamente no governo Dilma Rousseff, deu uma entrevista na semana passada e disse que é burrice haver tantos ministérios. Hoje há 39 ministérios. O sr. concorda?

Geraldo Julio:Olha, eu não tenho base para fazer uma discussão sobre quantos ministérios o país precisaria ter. Mas essa é uma discussão que eu acho que é preciso ser feito. O tamanho da máquina pública é uma discussão sempre feita. Lá no meu município, eu cortei a secretaria, como eu disse á você no início da entrevista. E cortei 25% dos cargos comissionados. Encontrei o caminho de fazer isso. Encontrei o caminho de fazer essa redução.

Folha/UOL: O sr. acha que a presidente Dilma teria como encontrar esse caminho também?
Geraldo Julio:Eu não tenho dados técnicos e informações para fazer essa análise.

Folha/UOL: Qual é a diferença entre, estiveram juntos há tampo tempo em várias eleições para presidente, entre PT e PSB? O que o sr. diria que são as diferenças principais entre esses dois partidos?
Geraldo Julio:Eu posso te responder do que é que o PSB vem fazendo.

Folha/UOL: Mas o que o diferencia do aliado?
Geraldo Julio:O PSB vem fazendo uma gestão com base em resultado de maneira extremamente democrática com a participação da sociedade. Vem obtendo resultados expressivos. Isso se colocou nessa última eleição, em 2012, quando nós tivemos um percentual de reeleição na casa dos 70%, enquanto a média nacional de todos os partidos foi na casa de 50%. Isso mostra que a gestão do PSB na esfera municipal vem sendo aprovada pela população, que é administrado pelo PSB nos municípios.

Então, o PSB vem procurando ouvir a população, fazer uma coisa democrática, olhar para os que mais precisam o tempo inteiro. Mas ter muita eficiência na gestão. Poder fazer mais com menos e em menos tempo. Essa é uma coisa que a gente está sempre buscando fazer.

Folha/UOL: O PSB tem no nome a expressão “socialista”. O Partido Socialista Brasileiro. O sr. se considera socialista?
Geraldo Julio:Sim, sim.

Folha/UOL: Qual é o conceito em linhas gerais?
Geraldo Julio:O conceito é de sempre olhar para o combate à desigualdade. Sempre olhar para aqueles que mais precisam. E procurar fazer as coisas da maneira mais participativa. Ou seja, os nossos governos, os governos que são liderados pelo PSB, procuram fazer isso o tempo inteiro. Fazer os planos, os programas, sempre discutindo com a sociedade em cada bairro, em cada lugar, em cada cidade, no caso dos governos estaduais, para entender qual é a demanda da vida cotidiana das pessoas, o que é importante para melhorar aquele bairro, aquela cidade, aquele estado. Podendo fazer essa discussão e, aí, transformar isso em um diagnóstico, em planos operativos, entender bem a situação e focar nos que mais precisam porque se a gente não tiver a decisão política de fazer o governo funcionar em nome dos que mais precisam, dificilmente a ação do governo vai chegar neles.

Folha/UOL: Mas, em uma frase, defina o que é ser socialista no seu entender.
Geraldo Julio: Trabalhar para os que mais precisam.

Folha/UOL: Tem alguns colegar do sr. no partido que, aqui em Brasília, pensando na maximização da divulgação da marca do partido do PSB, gostariam de ver o nome agregado ao número porque, no Brasil, os eleitores não escrevem, eles votam no número. O número do partido é 40. E alguns defendem o nome do partido ser trocado para PS40. O que o sr. acha dessa ideia?
Geraldo Julio:Eu acho que o nome Partido Socialista Brasileiro é um nome bom. É um nome que começa a ser bastante conhecido nacionalmente. Um nome que foi bastante conhecido no meu estado, no Nordeste, que hoje começa a ser mais difundido nacionalmente. Eu acho que o nome PSB é um nome bastante adequado.

Folha/UOL: É um erro mudar para PS40?
Geraldo Julio:Eu acho que essa discussão sobre o número é uma discussão que, durante os períodos de campanha, o debate eleitoral, as campanhas eleitorais, essa coisa do número é uma coisa que se fixa muito rapidamente. Não só do PSB, mas em todos os partidos. Eu acho que essa é uma coisa que o eleitor brasileiro já está bastante acostumado.

Folha/UOL: Ou seja, o sr. é contra mudar o nome, então?
Geraldo Julio:Sim. Eu defendo uma posição de manter o PSB.

Folha/UOL: O sr. é prefeito de Recife. É o seu primeiro cargo eletivo, não é? O sr. se enxerga na política em outros cargos eletivos? O que o sr. pretende para a sua carreira?
Geraldo Julio:Bem, eu sempre trabalhei no serviço público. Eu sou servidor concursado do Tribunal de Contas do estado há 20 anos. Sempre trabalhei no serviço público. Sempre defendi o serviço público. Eu acredito no serviço público. Eu acho que o serviço público pode ser eficiente. E acredito na política também. Eu vejo a política como meio de transformação da sociedade. E acredito que tem muita gente bem intencionada, comprometida, honesta, trabalhadora na política.

Então, eu estou feliz de ser agente público, servidor público concursado, e de estar na política. É claro que, depois dessa primeira eleição e cumprindo esse meu primeiro mandato, naturalmente, vou permanecer na atividade política.

Folha/UOL: O sr. gostaria de ser governador de Pernambuco, deputado? O que o sr. gostaria de fazer depois de cumprir essa missão como prefeito?
Geraldo Julio:A minha disposição é a de me manter na prefeitura, cuidar dos meus quatros anos de governo. Cumprir tudo aquilo que está no meu programa de governo, um programa de governo que foi construído durante os três meses da campanha, mas, assim, visitando 80 bairros da cidade, conversando com 60 instituições que representam a sociedade. Então, eu tenho um programa de governo que trata de diversas áreas. E, aí, a minha disposição é a de governar a cidade por esses quatros anos que cumprir tudo que está lá no meu programa.

Folha/UOL: Em campanhas eleitorais recentes, tema sobre comportamento, costumes, acabaram frequentando muito o noticiário sobre eleições. Eu vou fazer uma listagem de dois ou três temas aqui. Gostaria de ouvi-lo, brevemente, qual é a sua posição a respeito. Tema 1: Liberalização da lei sobre a prática do aborto. O sr. é a favor ou contra?
Geraldo Julio:Eu sou contra.

Folha/UOL: O sr. acha que tem que ser mantida tal como está?
Geraldo Julio:Sim.

Folha/UOL: Casamento gay, entre pessoas do mesmo sexo. O sr. acha que deve ser aprovado para o país todo, de maneira geral?
Geraldo Julio:A lei já permite.

Folha/UOL: É, mas ainda há algumas restrições. Os que defendem acham que ainda deveria haver uma lei mais específica. O sr. acha que poderia haver uma alguma outra legislação para tornar isso mais claro?
Geraldo Julio:Não. Eu acho que a lei e a Justiça já definiram essa questão. Ela já está viabilizada no país inteiro.

Folha/UOL: Que a Justiça que definiu. Então as pessoas vão na Justiça e fazem. E tem uma lei para tornar isso mais evidente ainda, ou não?
Geraldo Julio:Não. Eu considero essa questão resolvida, Fernando. Eu acho que isso já está vencido

Folha/UOL: O sr. não tem nada contra?
Geraldo Julio:Não. Eu acho que isso já está vencido.

Folha/UOL: Descriminalização do uso de drogas leves.
Geraldo Julio: Não. Eu sou contra.

Folha/UOL: O sr. acha que a forma de combate ao uso de drogas é a mais correta como é feita hoje?
Geraldo Julio:Eu acho que tem muitas famílias no Brasil sofrendo muito por causa da droga. Só sabe o sofrimento de uma família quem tem na família uma pessoa que entrou nas drogas. E acho que a gente não deve abrir essa porta não. A violência no Brasil é grande, é crescente. Tem uma ligação muito forte com as drogas. A epidemia do crack é gravíssima no nosso país. Precisa ser trabalhado por todas as esferas de poder, pela sociedade em geral, pelas famílias. Então, eu não acho que a gente deve abrir porta para as drogas no Brasil, não.

Folha/UOL: Mas o sr. acha que deveria ser descriminalizado o uso da droga por parte daquele que é a vítima, no caso, que é o consumidor?
Geraldo Julio:Não. Eu acho que a gente não deve abrir essa porta, não.

Folha/UOL: Então, a pessoa que usa drogas deve ser criminalizada pelo fato de usar?
Geraldo Julio:Não. A discussão não é bem assim. Eu sou solidário e o meu programa de governo tem diversas ações para atender ao usuário. Consultório de rua...

Folha/UOL: Mas é um crime, né?
Geraldo Julio:... Centros de atendimento psicossocial de álcool e drogas. O atendimento e internação. O apoio às famílias. Nós precisamos atender essas pessoas, cuidar dessas pessoas, cuidar das famílias e tirá-los da droga. Esse é o meu sentimento. Essa é a minha disposição.

Mas eu acho que o sofrimento que é causado às famílias brasileiras pela droga não deve ter mais janelas abertas. Essa é a minha opinião.

Folha/UOL: Qual leitura o sr. faz dessa decisão recente do Congresso de eleger o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) para presidir a Comissão de Direito Humanos e Minorias? Ele que, publicamente, havia manifestado posições consideradas racistas e homofóbicas?
Geraldo Julio:Pelo que tenho acompanhado pela imprensa desse caso, considero que é uma questão de tempo. Mais cedo ou mais tarde, essa situação vai ser revista.

Folha/UOL: De que forma?
Geraldo Julio:Com a saída dele.

Folha/UOL: Mas ele disse que não vai sair.
Geraldo Julio:Bom, pelo que a gente lê, acho que mais cedo ou mais tarde essa situação será resolvida.

Folha/UOL: Por que o Congresso fez isso?
Geraldo Julio:Só o Congresso pode responder.

Folha/UOL: O sr. acha que errou o Congresso?
Geraldo Julio:Eu acho que só o Congresso pode responder. A leitura que a sociedade, e o próprio Congresso, está fazendo nesse momento mostra que isso precisa ser revisto.

Folha/UOL: O sr. acha que foi impróprio, talvez, uma pessoa com esse tipo de característica? Todo respeito, aí, ao que ele pensa. Eu não estou fazendo juízo de valor sobre o que ele pensa. Mas o sr. acha que ele tem o perfil para comandar uma comissão dessas?
Geraldo Julio:Eu não faço juízo de valores nem sobre ele, nem sobre as ideais dele e nem quero, aqui, estar cometendo nenhum tipo de ingerência no que faz o Congresso Nacional. O fato é que a reação foi muito grande, o que mostra que existe ali questões que precisam ser avaliadas ou reavaliadas. E, pelo que a gente lê, pelo que a gente tem escutado, pelo que a gente tem visto, essa é uma situação que provavelmente vai ser revista muito em breve.

Folha/UOL: Esclareça para todos os que vão assistir, ler, essa entrevista qual é a preferência e a forma correta da regência do nome da sua cidade. É melhor dizer “estou no Recife” ou “em Recife”?
Geraldo Julio:[risos] Estou no Recife.

Folha/UOL: Por quê?
Geraldo Julio: Eu acho que essa é, do ponto visto gramatical, a forma mais correta, não é?

Folha/UOL: Então, quando os paulistas, os gaúchos, falam que estão em Recife, estão falando errado, então?
Geraldo Julio:Não! Para ir para o Recife, pode ir para ficar “em” ou ficar “no”. A gente fica satisfeito em receber a visita.

Folha/UOL: Está certo. Prefeito Geraldo Julio, muito obrigado por sua entrevista à Folha e ao UOL.
Geraldo Julio:Eu que agradeço a todos que vão nos assistir e ler também.

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