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Em Rondônia, operação contra corrupção prende ex-prefeito, empresário e militar

Assem Neto

Do UOL, em Porto Velho

09/04/2013 10h10Atualizada em 09/04/2013 14h14

O ex-prefeito de Porto Velho Roberto Sobrinho (PT) afastado do cargo por suspeita de corrupção em novembro do ano passado, foi preso às 6h desta terça-feira (9) em uma megaoperação de combate à corrupção que é realizada simultaneamente em 12 Estados. A suspeita é de que, em todas as unidades federativas, o rombo de desvios de verbas públicas, por meio de fraudes em licitações, ultrapasse R$ 1 bilhão.

Preso em operação do MP

  • Roberto Sobrinho é ex-prefeito de Porto Velho

Além do ex-prefeito, o ex-vereador e candidato derrotado a prefeito nas últimas eleições, Mário Sérgio (PMN), também foi preso. A Secretaria de Segurança de Rondônia também confirmou a prisão do diretor administrativo e financeiro da Emdur, Wilson Lopes, apontado nas investigações como delator de todo o esquema em Rondônia.

Roberto Sobrinho e Mário Sérgio foram presos em casa. Eles fizeram exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) antes de ser encaminhados ao presídio da cidade. Mário Sérgio presidiu a Empresa Municipal de Urbanização (Emdur), alvo de uma CPI na Câmara de Vereadores que apontou o ex-gestor como principal envolvido no desvio de R$ 15 milhões em 2011.

Operação Nacional contra a Corrupção

SP: Ação contra empreiteiras que estariam manipulando licitações públicas com ajuda de agentes públicos
RN: Ação contra esquema de fraude na contratação de shows
BA: Ação contra esquema de fraude na contratação de shows
CE: Ação contra o alto escalão da Prefeitura de Quixeramobim, onde aconteceria um esquema de fraudes
RO: Ação contra ex-prefeito de Porto Velho, vice e mais dois acusados de desvio de verbas públicas e superfaturamento
MS: Ação contra três irmãos acusados de vender CNHs (Carteiras Nacional de Habilitação)
RJ: Ação contra traficantes e suspeitos de suborno e tráfico de drogas na Mangueira
MG: Ação contra esquema de sonegação fiscal de empresas que comercializam café em RJ, MG e ES
ES: Ação contra esquema de sonegação fiscal de empresas que comercializam café em RJ, MG e ES
PR: Ação contra delegado e investigadores acusados de cobrar propina de fabricantes de produtos piratas

Outras duas prisões foram realizadas por volta das 8h30 (horário local): a do empresário Sílvio Jorge Barroso de Souza, que atua no aluguel de máquinas pesadas, e seu segurança, Edson penha Ribeiro Filho, que é policial militar.

UOL está tentando contato com representantes dos presos, mas, até o momento, ninguém foi localizado para comentar o assunto. O MP concede uma entrevista coletiva no final da manhã para dar detalhes das condutas dos presos nas fraudes investigadas.

A operação

Ao todo, 80 policiais civis foram envolvidos na ação, batizada de "Operação Luminus". Um total de 12 mandados de busca e apreensão está sendo cumprido em escritórios de contabilidade, de advocacia, residências e empresas de Porto Velho, suspeitas de envolvimento em obras superfaturadas, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, fraudes em licitações e outras irregularidades em contratos com empresas fantasma.

O diretor-geral de Polícia Civil adjunto, Osmar Silva, informou que esta investigação não tem relação com as prisões realizadas na cidade na chamada "Operação Vórtice", que prendeu sete secretários municipais no fim do ano passado

De acordo com o presidente nacional do Grupo de Combate ao Crime Organizado dos Ministérios Públicos nacionais, o procurador-geral de Justiça de Rondônia, Hewerton Aguiar, que também coordena a operação em 12 Estados, "todos os mandados de prisão foram cumpridos e este trabalho tem o objetivo de apurar o desvio de R$ 1,1 bilhão dos cofres públicos". O procurador informa que a "Operação Luminus" se alinha à Meta 18 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que orienta o combate à improbidade administrativa e à corrupção.

Operação Nacional em 12 Estados

Uma operação conjunta entre Ministério Público, Polícia Federal e Ministério Público Federal cumpre mandados de busca e apreensão e de prisão em 12 Estados. O objetivo da ação, batizada de “Operação Nacional contra a Corrupção”, é desarticular uma organização criminosa suspeita de desviar recursos públicos federais e estaduais por meio de fraudes em licitações.

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A ação ocorre simultaneamente em 78 cidades e é coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), em parceria com outros órgãos.

Ao todo, foram mobilizados 144 promotores de Justiça e 1.200 policiais federais, rodoviários, civis, militares, servidores de Tribunais de Contas, Controladoria-Geral da União, Receitas Federal e Estaduais.

A previsão é de que sejam cumpridos 86 mandados de prisão, 311 mandados de busca e apreensão, 65 mandados de bloqueio de bens, e 20 mandados de afastamento das funções públicas, expedidos pela Justiça Estadual da Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Rondônia e São Paulo.

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