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Na Câmara, Lula defende reforma política e diz que povo foi à rua para "comer filé"

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou nesta terça-feira (29) a medalha "Suprema Distinção" da Câmara - Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou nesta terça-feira (29) a medalha "Suprema Distinção" da Câmara Imagem: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Do UOL, em Brasília

29/10/2013 16h34Atualizada em 29/10/2013 18h48

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que governou de 2003 a 2010, ganhou nesta terça-feira (29) a medalha "Suprema Distinção", concedida pelo presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). A cerimônia ocorreu horas depois de Lula ter recebido uma medalha no Senado devido à sua participação como deputado constituinte em 1988.

Em seu discurso após receber a homenagem, Lula disse que os protestos que tomaram conta do país em junho se devem à melhora no nível de vida dos brasileiros, mas estimulou os jovens a não perderem o interesse na política. "Nós tivemos em junho uma lição de civilidade democrática. (...) O povo foi para a rua exigir um pouco mais de Estado. (...) O povo foi para a rua pra dizer que precisa de mais coisas porque ele aprendeu a comer contra-filé e ele não quer voltar a comer acém. Ele quer comer filé de verdade. Ele quer ser tratado como cidadão de primeira classe."

Ao defender o exercício da política como meio de reivindicar melhoras, Lula disse que "vimos uma parte daquela movimentação [dos protestos de junho] negar a política, como se nada prestasse". Mas, para o ex-presidente, esse é o momento do Congresso "dizer para a juventude que não adianta ser contra a política. A coisa mais extraordinária e exuberante que eu vivi é a convivência democrática de construir diálogo na diversidade".

O petista defendeu a reforma política para ampliar a participação da sociedade no processos legislativos. "Não vejo outra maneira de continuar a exercer a política como atividade transformadora."

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O ex-presidente defendeu o Congresso das críticas que recebeu durante as manifestações pelo país. Ele disse que o Legislativo é o poder "que mais se expõe a críticas da mídia" e declarou que "não tem nada mais nobre que o exercício do mandato parlamentar", porque é renovado a cada quatro anos.

O petista chegou até mesmo a elogiar a oposição durante sua fala. "Quero compartilhar essa distinção [medalha] com os deputados que contribuíram para mudar o Brasil, incluindo os que fizeram oposição ao governo."

O ex-presidente fez elogios ao seu governo (2003-2010), exaltando o Bolsa Família, a geração de empregos e o acesso de estudantes à universidade. "Foi um presidente sem diploma universitário e um vice sem diploma universitário que vão passar para a história como a dupla que mais fez universidades no país", disse, em referência a si mesmo e ao ex-vice-presidente José Alencar.

Em sua fala antes de Lula, Henrique Eduardo Alves destacou que "poucas pessoas são tão merecedoras" de receber essa medalha quanto o ex-presidente.

Ele lembrou a história de migrante do homenageado de Pernambuco até São Paulo, onde começou sua trajetória de sindicalista a fundador do PT e presidente da República.

“Com 87% de aprovação popular, tornou-se um dos políticos mais respeitados do mundo inteiro. Com Lula, os brasileiros perderam o complexo de inferioridade e o País ganhou destaque no cenário externo, além de mudanças positivas no cenário interno, com a criação de 15 milhões de empregos sem descontrole da inflação”, afirmou Alves.

Alves também registrou a importância de sua presença no cenário político nacional. “Quero deixar o reconhecimento, em nome da Câmara dos Deputados, pelo papel que o senhor tem desempenhado durante toda a sua atuação política”, disse, citando a frase célebre pronunciada pelo ex-presidente de que somente sossegaria quando todo brasileiro fizesse três refeições por dia. “Muito obrigado, presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, finalizou.

A medalha da "Suprema Distinção" já havia sido entregue anteriormente ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Cerimônia no Senado

Em sessão solene, o Senado entregou medalhas em homenagem aos 25 anos da Constituição de 1988 para os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, que também foi deputado constituinte, e José Sarney, que convocou a Assembleia Constituinte quando era presidente, em 1985.

Em breve discurso após a cerimônia, Lula elogiou o ex-presidente Sarney por ter tido "comportamento digno" durante a Constituinte e ter ouvido os "desaforos" dos parlamentares.  Lula defendeu ainda a atividade política e disse que a presidente Dilma segue a Constituição. Segundo ele, a Constituição de 88 é "o trabalho mais extraordinário que o Congresso já viveu". (Com Agência Câmara)

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