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No Senado, Foster defende Dilma em compra de refinaria de Pasadena

Em audiência no Senado, a presidente da Petrobras, Graça Foster, afirmou que os contratos envolvendo o ex-diretor Paulo Roberto Costa estão sendo apurados internamente na empresa e defendeu a estatal das denúncias de corrupção - Alan Marques/ Folhapress
Em audiência no Senado, a presidente da Petrobras, Graça Foster, afirmou que os contratos envolvendo o ex-diretor Paulo Roberto Costa estão sendo apurados internamente na empresa e defendeu a estatal das denúncias de corrupção Imagem: Alan Marques/ Folhapress

Bruna Borges

Do UOL, em Brasília

15/04/2014 16h52Atualizada em 25/04/2014 19h05

Durante as cerca de seis horas de audiência no Senado nesta terça-feira (15), a presidente da Petrobras, Graça Foster, defendeu a atitude da presidente Dilma Rousseff de aprovar a polêmica compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA).

A audiência começou às 10h50 e terminou às 16h50. O evento foi marcado pela defesa da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras por parte da oposição e elogios à empresa do lado dos parlamentares da base aliada.

Dilma era ministra da Casa Civil e presidia o Conselho de Administração da Petrobras em 2006. Ela aprovou a compra de 50% da refinaria de Pasadena por US$ 360 milhões. Em 2005, um ano antes de a Petrobras decidir fazer o negócio, a empresa de origem belga Astra Oil havia comprado a refinaria por US$ 42,5 milhões (veja tabela abaixo).

A presidente Dilma admitiu publicamente ter autorizado a compra com base num documento "tecnicamente falho" e que, se soubesse de todas as cláusulas, não teria aprovado a transação.

"A aprovação [da compra] de Pasadena não é mérito da presidenta [sic]. Naquele momento [2006] foi uma atitude correta. É mérito do conselho de administração que aprovou unanimemente 50% de Pasadena naquele momento lá atrás, em 2006", justificou Graça Foster. 

Por suspeita de ter representado um prejuízo milionário, a aquisição da unidade pela Petrobras tem sido alvo de investigações em diferentes órgãos, como o Ministério Público e a Polícia Federal. 

Graça também afirmou que se Dilma tivesse as informações sobre as cláusulas de "Put Option" e "Marlim", que teriam gerado prejuízo à empresa, a presidente não teria aprovado a compra de 50% da refinaria.

“A presidenta disse que não compraria e nós, hoje, não encaminharíamos, não aprovaríamos na nossa direção do colegiado hoje a refinaria se tivéssemos todos esses dados sobre a mesa”, afirmou a dirigente na audiência.

Valor da compra da refinaria de Pasadena

  • 2005

    A empresa de origem belga Astra Oil compra a refinaria por US$ 42,5 milhões. O ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, diz que o valor foi US$ 326 milhões. Já a atual dirigente, Graça Foster, afirma que pagou "pelo menos" US$ 360 milhões

  • 2006

    A Petrobras paga R$ 360 milhões à Astra por 50% da refinaria e parte dos estoques de petróleo

  • 2012

    A Astra, após se desentender com a Petrobras, aciona a Justiça e exige que a estatal compre o restante. A Petrobras paga, então, mais US$ 820,5 milhões por estoques de petróleo, juros, multas e honorários

  • Valor total

    O total pago pela Petrobras pela refinaria foi de US$ 1,18 bilhões. O ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, sustenta que o valor foi US$ 486 milhões, enquanto Foster diz que foi US$ 1,25 bilhão. Já o ex-diretor da área internacional Nestor Cerveró chegou ao valor de US$ 1,23 bilhão

A executiva da Petrobras admitiu ainda que a compra "definitivamente não foi um bom negócio".

Foster disse que há "evidências contábeis" de que a belga Astra Oil pagou mais do que os US$ 42,5 milhões pela refinaria de Pasadena. Segundo ela, a Astra pagou pelo menos US$ 360 milhões.

O valor total pago pela Petrobras na transação, segundo Foster, foi de US$ 1,25 bilhão. No entanto, há divergências entre Foster e o ex-presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, sobre os valores.

Abismo ético

Foster negou que a Petrobras esteja vivendo um "abismo da ético" ao comentar as denúncias envolvendo o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, preso pela Polícia Federal.

"Nós não vivemos um abismo da ética, graças a Deus e aos funcionários da Petrobras", defendeu Graça. "Os 85 mil funcionários da Petrobras não podem ser medidos por um comportamento que não é digno", disse a executiva ao se referir a Costa.

Ao fazer seus questionamentos sobre as irregularidades da Petrobras, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) fez uma provocação afirmando que a empresa vive um abismo ético.

Costa está preso desde março por suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 10 milhões e que intermediou doações eleitorais, segundo investigações da PF. Segundo Graça, a prisão dele causou "constrangimento" à empresa. Graça afirma que os contratos da Petrobras que tenham envolvimento do ex-diretor estão sendo apurados internamente pela  empresa.

A dirigente da estatal fez uma defesa enfática da Petrobras.  "[A Petrobras] não é uma quitanda. Ela é uma empresa de petróleo absolutamente séria e distinta de muitas empresas de petróleo no mundo", declarou.

Foster foi convidada a prestar esclarecimentos em audiência na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado em tentativa do governo de tirar o foco da CPI que deve ser criada sobre o assunto.

Amanhã, a Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara deve ouvir o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, autor do "parecer falho" que levou Dilma a autorizar a compra de Pasadena.

Entenda o caso da refinaria da Petrobras

 

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