Topo

MPF denuncia quatro ex-deputados envolvidos na Lava Jato

Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo
O procurador da República Deltan Dallagnol durante denúncia do MPF (Ministério Público Federal) contra os ex-deputados Imagem: Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo*

2015-05-14T17:09:13

2015-05-14T17:49:01

14/05/2015 17h09Atualizada em 14/05/2015 17h49

O MPF (Ministério Público Federal) no Paraná denunciou nesta quinta-feira (14) os ex-deputados Pedro Corrêa (ex-PP-PE), sua filha Aline Corrêa (PP-SP), André Vargas (ex-PT-PR) e Luiz Argôlo (afastado do SD-BA) pelos crimes de corrupção (pena mínima de 2 anos de prisão e máxima de 12 anos), lavagem de dinheiro (mínima de 4 anos e máxima de 16 anos e 8 meses de prisão), organização criminosa (mínima de 3 anos e máxima de 13 anos e 4 meses de prisão) e peculato (mínima de 2 anos, máxima de 12 anos de prisão). A denúncia também inclui três operadores financeiros e seis pessoas ligadas aos ex-parlamentares.

Agora a Justiça vai decidir se aceita as acusações e os transforma em réus. Os quatro já negaram ter cometido irregularidades.

Essa é a primeira denúncia contra políticos dentro da operação Lava Jato, que apura o desvio de verbas públicas de empresas estatais, principalmente a Petrobras, e órgãos públicos por meio de contratos fraudulentos para partidos e seus membros. 

Em entrevista coletiva nesta quinta, os procuradores disseram que o total de propina paga aos agentes políticos é de R$ 6,2 bilhões e envolve três partidos: PT, PMDB e PP.

A denúncia contra Vargas, que é ex-secretário de Comunicação do PT e ex-vice-líder do partido na Câmara, apontou que ele se beneficiou de propinas de contratos de publicidade – em agosto de 2008 e abril de 2014 – com a CEF (Caixa Econômica Federal) que somaram R$ 968 milhões e em um contrato com o Ministério da Saúde, no valor de R$ 120 milhões, de 31 de dezembro de 2010.

De acordo com o MPF, Luiz Argôlo passou a ser quase sócio nos negócios ilícitos e a ter favorecimentos nos repasses do PP. Ele teria visitado Alberto Youssef --delator do esquema criminoso -- pelo menos 78 vezes entre 2011 e 2014, com recursos de despesa de viagem de parlamentar. Argôlo foi denunciado por dez atos de corrupção, informou o MPF.

Até agora, segundo o MPF, foi pedido o reembolso a todos os acusados de R$ 6,7 bilhões aos cofres públicos. Pelo menos R$ 2,5 bilhões foram devolvidos ou estão bloqueados.

Pedro Corrêa foi denunciado por 280 atos de corrupção, 568 atos de lavagem de dinheiro e 123 atos de peculato. Ele não foi denunciado por organização criminosa porque o Supremo Tribunal Federal abriu procedimento específico sobre esse tipo de infração envolvendo o ex-deputado com outros políticos, ainda no exercício do mandato parlamentar. A força-tarefa afirma também que Pedro Corrêa  teve uma funcionária fantasma de nome Renasci.

Veja quem são os denunciados:

André Vargas (ex-deputado)
Leon Vargas (irmão de André Vargas)
Milton Vargas (irmão de André Vargas)
Ricardo Hoffmann (publicitário)
Pedro Corrêa (ex-deputado)
Ivan Vernon (ex-assessor de Pedro Corrêa)
Márcia Danzi (nora de Pedro Corrêa)
Aline Corrêa (ex-deputada, filha de Pedro Corrêa)
Alberto Youssef (doleiro)
Rafael Ângulo (carregador de dinheiro de Youssef)
Fábio Corrêa (advogado, filho de Pedro Corrêa)
Luiz Argôlo (ex-deputado)
Carlos Alberto Costa (ex-funcionário de Pedro Corrêa)

* Com Estadão Conteúdo

Mais Política