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Dilma diz que acusações sem prova são "um tanto quanto Idade Média"

Do UOL, em Brasília

30/06/2015 14h13Atualizada em 30/06/2015 15h25

A presidente Dilma Rousseff disse, em entrevista nos Estados Unidos nesta terça-feira (30), que as acusações sem provas a suspeitos de corrupção na Petrobras são "um tanto quanto Idade Média".

"Quando a gente fala em democracia, falamos é disso: a obrigação da prova ser formada com fundamentos, e não simplesmente com ilações e sem acesso às peças acusatórias. Isso é um tanto quanto Idade Média. Não é isso que se pratica hoje no Brasil."

Dilma disse ainda que não vai demitir ministros "pela imprensa". Dois componentes do primeiro escalão de Dilma, Edinho Silva (Comunicação Social) e Aloizio Mercadante (Casa Civil), foram citados em delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, um dos delatores da operação Lava Jato, que investiga denúncias na estatal.

A petista disse ainda que, como o governo não tem acesso à delação, "vai aguardar toda a divulgação dos fatos" e acredita "que seja necessário que todos tenhamos acesso às mesmas coisas". "Aqueles que são mencionados [na delação] não têm como se defender porque não sabem do que são acusados", acrescentou, voltando a dizer que os vazamentos são "seletivos".

Dilma afirmou que um dos princípios da democracia é o respeito ao "direito de defesa" e que não ter acesso às peças acusatórias é "um tanto quanto Idade Média".

Dono da UTC, Pessoa afirmou ainda na delação que repassou R$ 3,6 milhões de caixa dois para o ex-tesoureiro da campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010, José de Filippi, e para o ex-tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, entre 2010 e 2014.

Na última quinta-feira (25) o STF (Supremo Tribunal Federal) homologou a delação do empresário, o que significa que as informações prestadas por ele em depoimento à Procuradoria Geral da República poderão ser utilizadas como indícios para ajudar as investigações.

Pessoa entregou à Procuradoria-Geral da República planilha intitulada "Pagamentos de caixa dois ao PT" na qual lista repasse de R$ 250 mil à campanha do atual ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) ao governo de São Paulo, em 2010. O empresário acusa o também ministro Edinho Silva (atualmente na Secretaria de Comunicação Social) de tê-lo pressionado para doar R$ 7,5 milhões à campanha de Dilma em 2014, sob o risco de perder contratos na Petrobras, segundo a revista "Veja". Os dois ministros negam as acusações e dizem que as doações foram legais.

Dilma deu entrevista a jornalistas ao lado do presidente americano, Barack Obama, na Casa Branca, em Washington. Entre outros assuntos, os dois mandatários anunciaram um acordo para acelerar a emissão de vistos.

O presidente dos EUA evitou tecer comentários acerca das investigações de atos de corrupção na Petrobras. Durante a entrevista coletiva, ele afirmou que normalmente não comenta casos que ainda estão sendo investigados, pois nos Estados Unidos, o Departamento de Justiça trabalha para a Presidência. "Portanto, não me cabe fazer comentários específicos", disse.

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