Ex-presidente do PP afirma que "petrolão e mensalão são a mesma coisa", diz revista

Do UOL, em Brasília

  • Paulo Lisboa - 13.abr.15/Brazil Photo Press/Folhapress

    O ex-presidente do PP Pedro Corrêa (ao centro), condenado pelo mensalão

    O ex-presidente do PP Pedro Corrêa (ao centro), condenado pelo mensalão

O ex-presidente nacional do PP Pedro Corrêa (PR) disse em uma proposta de acordo de delação premiada que recursos do chamado "petrolão" financiavam o mensalão. Segundo reportagem publicada pela revista "Época", Corrêa e investigadores da Operação Lava Jato negociam um acordo de delação premiada há seis meses e um dos principais personagens do relato de Corrêa seria o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "O petrolão e o mensalão são a mesma coisa", disse Corrêa, segundo a revista. Ainda de acordo com a publicação, Corrêa também teria dito aos investigadores que Lula sabia da existência do "petrolão".

A reportagem foi publicada na noite da última sexta-feira (4), mesmo dia em que o ex-presidente Lula foi conduzido coercitivamente pela PF (Polícia Federal) para prestar depoimentos a respeito de investigações conduzidas pela Operação Lava Jato.

De acordo com a revista, Corrêa teria dito aos investigadores que o "petrolão" seria o embrião do mensalão. O mensalão foi o esquema de compra de apoio político pelo governo denunciado em 2005 e que resultou na condenação de diversos empresários e políticos, entre eles o próprio Pedro Corrêa e figuras importantes do PT com o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu e o ex-presidente nacional da legenda José Genoino.

Em 2012, Corrêa foi condenado a nove anos e cinco meses de prisão. Em 2015, Corrêa, que cumpria sua pena em regime semiaberto, foi novamente preso, desta vez pela Operação Lava Jato. Em outubro de 2015, ele foi condenado em primeira instância a 20 anos de prisão por seu envolvimento no esquema de desvio de recursos da Petrobras. Em novembro, ele perdeu benefícios da pena que ele cumpria pela condenação no caso do mensalão. Entre os benefícios que Corrêa perdeu estavam o direito de cumprir sua pena em regime semiaberto e a anulação de dias descontados de sua pena anterior. 

Segundo Corrêa, uma das evidências de que o petrolão financiava o mensalão é uma transação entre a Dinamo Distribuidora de Petróleo e a 2S Participações, empresa do publicitário Marcos Valério, condenado no escândalo do mensalão e apontado como o seu principal operador.

Em sua proposta de delação, Corrêa teria contado que, em 2004, a Dinamo Distribuidora de Petróleo fez um depósito de R$ 1,7 milhão na conta da 2S Participações. Corrêa afirma que o dinheiro repassado a Marcos Valério era uma devolução referente a um "adiantamento" de propina paga no esquema do mensalão. A Dinamo, em troca, mantinha contrato com a Petrobras para a venda de álcool anidro.

Segundo a "Época", Corrêa narra cinco episódios aos investigadores que envolveriam o ex-presidente Lula e comprovariam a sua participação no esquema investigado pela Operação Lava jato. Em um deles, Corrêa teria se encontrado com Lula para cobrar maior participação do PP na distribuição da propina do esquema instalado na Petrobras. Segundo Corrêa, Lula teria dito que "Paulinho" (apelido do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa) estava atendendo bem o partido de Corrêa. 

A revista diz ainda que a proposta de acordo de delação premiada de Pedro Corrêa tem 73 capítulos e cita ao menos 130 agentes políticos e que o acordo deverá ser firmado nos próximos dias. Para ter validade, porém, o documento precisa ser homologado pela Justiça Federal.

Outro lado

Ainda de acordo com a revista "Época", a assessoria de imprensa do ex-presidente Lula afirmou que "não comenta supostas delações e repudia o jornalismo feito por vazamentos ilegais".

A defesa de Pedro Corrêa, segundo a publicação, não quis comentar a reportagem. O advogado Marcelo Leonardo, que defende Marcos Valério, afirmou que não poderia comentar o assunto por não ter acesso ao conteúdo da delação de Pedro Corrêa, mas teria dito que Marcos Valério estaria disposto a negociar um acordo de delação premiada com os investigadores da Operação Lava Jato. 

Como a Lava Jato chegou a Lula

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