Afirmações de Delcídio não servem para provar nada, diz advogado de Lula

Flávio Costa

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação / Teixeira, Martins & Advogados

    Para Cristiano Zanin, delator diz o que o negociador quer ouvir

    Para Cristiano Zanin, delator diz o que o negociador quer ouvir

Um dos advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cristiano Zanin Martins disse nesta terça-feira (15) que vai analisar a delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT-MS), mas adiantou que "afirmações não servem para provar nada, como diz a lei e como já confirmou o Supremo Tribunal Federal."

Para o defensor de Lula, as circunstâncias em que são feitas os acordos de colaboração levam o delator, que geralmente se encontra preso no momento das declarações, a dizer o que o negociador quer ouvir.

Na delação, Delcídio diz que Lula participou de reunião que selou a indicação de Nestor Cerveró para a diretoria internacional da Petrobras. Cerveró também já aderiu à delação premiada.

"Nem se preocupa se a versão não é compatível com o que ela própria disse antes. Mas é importante lembrar que a própria lei que disciplina a delação prevê que pode cometer um delito aquele que imputa uma conduta que pode configurar crime à pessoa que sabe ser inocente", diz o advogado do ex-presidente.

Zanin Martins diz não ver um "componente político" na decisão do ministro Teori Zavascki de homologar a delação do senador. "Até porque a homologação não significa uma confirmação do teor da colaboração premiada."

O criminalista acrescenta que as declarações de Delcídio "não têm nenhuma repercussão nas defesas já apresentadas, até porque, como já dito, a delação não serve para provar nada."

A delação premiada é composta de 21 termos de declarações do senador. Em sua manifestação ao STF, o Ministério Público Federal afirma que o acordo tem o objetivo de obter provas contra "organizações criminosas" que agiam no Executivo e no Legislativo.
 
"Tal acordo foi firmado com a finalidade de obtenção de elementos de provas para o desvelamento dos agentes e partícipes responsáveis, estrutura hierárquica, divisão de tarefas e crimes praticados pelas organizações criminosas no âmbito do Palácio do Planalto, do Senado Federal, da Câmara dos Deputados, do Ministério de Minas e Energia e da companhia Petróleo Brasileiro S/A, entres outras", afirma a Procuradoria..

Veja quem Delcídio do Amaral acusa em sua delação premiada

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