Nova relatora de pedido de Lula no STF foi citada em interceptações

Do UOL, em São Paulo

  • Pedro Ladeira/Folhapress

    A ministra do STF Rosa Weber, que apreciará pedido contra decisão liminar que suspendeu posse de Lula

    A ministra do STF Rosa Weber, que apreciará pedido contra decisão liminar que suspendeu posse de Lula

A ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Rosa Weber, que é a nova relatora do pedido da defesa de Luiz Inácio Lula da Silva para garantir sua posse como ministro e, com isso, a obrigatoriedade de eventualmente ser apenas julgado pela corte, é citada nominalmente pelo ex-presidente em interceptações telefônicas nos dias 4 e 7 de março de 2016. As interceptações do telefone de Lula foram feitas pela Policia Federal no âmbito das investigações da Operação Lava Jato. 

Conversa do dia 4 de março

A conversa telefônica interceptada no dia 4 de março, sexta-feira, aconteceu pouco depois de Lula ter sido conduzido coercitivamente pela PF para depor naquele dia, na área VIP do aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo.

A ligação foi feita a pedido da presidente Dilma Rousseff, e Dilma conversa com Lula sobre a ação da PF contra ele e sugere um encontro pessoal entre os dois (Dilma seguiria de Brasília no dia seguinte, 5, para visitar Lula no apartamento dele em São Bernardo do Campo, no ABC paulista).

Dilma depois passa o telefone para Jaques Wagner, então ministro-chefe da Casa Civil, e Lula fala da ministra do STF Rosa Weber para ele. Segundo o auto da interceptação telefônica da PF, "após o diálogo com Dilma, LILS (Luiz Inácio Lula da Silva) conversa então com Jaques Wagner. LILS solicita que JW converse com Dilma a respeito do 'negócio da Rosa Weber". Veja a transcrição da PF:

"LILS: Eu acho que eles quiseram antecipar o pedido nosso que tá na Suprema Corte, que tá na mão da Rosa Weber.

Jaques Wagner: Entendi.

LILS: Sabe, eles tão tentando antecipar, como eles ficaram com medo de a Rosa fosse dá, eles tão tentando antecipar tudo isso... Porque ela poderia tirar isso da "Lava Jato". O Moro fez um espetáculo pra comprometer a Suprema Corte.

LILS: Mas viu querido, "Ela" tá falando dessa reunião, ô Wagner eu queria que você visse agora, falar com "ela", já que "ela" tá aí, falar o negócio da Rosa Weber, que tá na mão dela pra decidir. Se homem não tem saco, quem sabe uma mulher corajosa possa fazer o que os homens não fizeram.

Jaques Wagner: Tá bom, falou! Combinado, valeu querido, um abraço. Um abraço na Marisa e nos meninos..."

Conversa do dia 7 de março

A outra citação nominal a Rosa Weber foi feita pelo ex-presidente Lula ao advogado Luiz Carlos Sigmaringa Seixas, no dia 7 de março, de acordo com a transcrição da conversa feita pela PF:

"LILS: Tá bom. E a nossa Rosa Weber? Quando é que ela vai decidir alguma coisa?

Sigmaringa: E eu sei lá p. Eu sei lá. P. nenhuma."

Conversas do dia 26 de fevereiro

Rosa Weber fora citada ainda nominalmente pelo advogado Roberto Teixeira, que defende Lula, em ligação para o telefone do ex-presidente no dia 26 de fevereiro. Segundo a PF, Teixeira sugere que Lula procure Jaques Wagner e que o "assunto é Rosa Weber". Veja a transcrição da PF:

"Roberto Teixeira: Fala pra ele, fala pro "nosso amigo" aí que o nome daquele assunto é Rosa Weber.

Moraes: Ah, tá, tá bom, já guardei...

Roberto Teixeira: O nome da pessoa é Rosa Weber, e que seria conveniente ele falar com o... (interrompido)"

Outra ligação do dia 26 sugere que o assunto da conversa entre Teixeira e Lula foi novamente Rosa Weber e envolve Jaques Wagner na questão (ele seria o "baianinho"), conforme transcrição:

"LILS: Só para lembrar. O que é essa pessoa, esse nome que você falou?

Roberto: Aquela "coisa" caiu com "ela".

LILS: Caiu com ela? Tá bom.

Roberto: Agora, eu sei que aquele "baianinho" está indo embora. Eu acho que ele que é o caminho para falar com ela.

LILS: Eu vou tentar falar com ele."

Ministra já decidiu contra Lula

Rosa Weber, entretanto, já decidiu contra a defesa de Lula no dia 4 de março último, quando manteve as investigações simultâneas do Ministério Público Federal e do Ministério Público do Estado de São Paulo sobre o tríplex do Guarujá (SP) e o sítio de Atibaia (SP), propriedades atribuídas ao petista pelos investigadores da Operação Lava Jato.

 

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