Processo de impeachment

"Antes tarde do que nunca", diz Eduardo Cunha sobre Dilma

Do UOL, em Brasília*

O presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), postou um comentário em sua conta no Twitter horas após o afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT) do Planalto.

"Boa tarde a todos. Apenas uma frase: Antes tarde do que nunca", disse Cunha, sem fazer menção explícita ao impeachment.

Cunha é desafeto do PT e rompeu com o governo Dilma em julho do ano passado.

Na semana passada, Cunha e Dilma trocaram farpas após o afastamento do deputado do comando da Câmara.

Dilma havia lamentado que a decisão liminar sobre o afastamento de Cunha não tenha sido tomada antes. "A única coisa que eu lamento, mas eu falo 'antes tarde do que nunca', é que (…) ele tenha presidido, na cara de pau, o lamentável processo na Câmara [de votação do impeachment, no dia 17 de abril]", afirmou a então presidente.

Mais tarde, em entrevista após ser afastado por tempo indeterminado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), Cunha respondeu o comentário: "Quarta-feira nós vamos dizer 'antes tarde do que nunca' que o Brasil vai poder se livrar do PT".

O Senado aceitou, no início da manhã desta quinta, o pedido de abertura do processo de impeachment da presidente Dilma. Foram 55 votos a favor e 22 contra. Dilma deixa a Presidência um ano e quatro meses depois de assumir seu segundo mandato.

Por volta das 11h da manhã, Dilma foi comunicada oficialmente sobre o afastamento e assinou a intimação no Planalto. Em seguida, Michel Temer (PMDB) foi notificado e assumiu a Presidência interinamente.

Na semana passada, o ministro do STF Teori Zavascki determinou o afastamento de Cunha do mandato de deputado federal. Segundo o ministro, o presidente da Câmara "não possui condições pessoais mínimas" para exercer o cargo.

O ministro argumentou que o parlamentar "não se qualifica para o encargo de substituição da Presidência da República", pois ele responde pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro sob a acusação de integrar o esquema de corrupção da Petrobras, tendo recebido neste caso US$ 5 milhões em propina de contratos de navios-sonda da estatal.

Na avaliação do ministro, a Constituição determina que "ocupantes de cargos de linha sucessória da Presidência da República jamais poderão exercer o encargo de substituição caso estejam respondendo a processos penais".

Com Dilma afastada, Cunha seria a primeira opção na linha sucessória em situações de ausência (viagens, por exemplo) do atual presidente interino, Michel Temer (PMDB-SP).

Em dia de derrota de Cunha, Dilma e desafeto trocam farpas

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Maranhão

Com a saída de Cunha, assumiu interinamente a Câmara o deputado Waldir Maranhão (PP-MA). Nesta quinta, o ex-vice-líder do governo Dilma na Câmara, deputado Silvio Costa (PTdoB-PE), condenou a informação de que o presidente interino Michel Temer teria pedido uma solução rápida para a crise envolvendo a permanência de Maranhão no comando da Casa. "Ele começa muito mal, se metendo no Legislativo. Não é prerrogativa de Michel Temer eleger presidente da Câmara", disse Costa.

Candidato a novo líder da oposição ao governo Temer, Costa reagiu à revelação do líder do PPS, Rubens Bueno (PR), de que o presidente da República em exercício manifestou o desejo de que a normalidade na Câmara seja restabelecida. "O caminho é pressionar Eduardo Cunha (a renunciar). Waldir é efeito colateral (da saída) de Eduardo Cunha", afirmou Costa. O parlamentar desafiou Temer a agir para convencer Cunha a renunciar.

O deputado pernambucano disse que foi informado que, num primeiro momento, houve pressão sobre Cunha para que ele renunciasse. Segundo Costa, Cunha não só resistiu à sugestão como teria feito ameaças. "Eles estão com medo de Eduardo Cunha", declarou. O ex-vice-líder do governo petista concluiu que o único caminho para uma nova eleição para compor a Mesa Diretora da Câmara é a renúncia de Cunha, já que Maranhão não está disposto a abdicar do posto.

Costa avisou que os partidos aliados de Dilma Rousseff não vão tolerar manobras regimentais para destituir o pepista e ironizou o prazo dado por PSDB, DEM e PPS para Maranhão renunciar. "Quem dá prazo é oficial de Justiça", afirmou.

Para ele, Maranhão tem condições de presidir a Câmara até fevereiro de 2017, quando haverá a disputa pela sucessão na Câmara, e por isso, os partidos que apoiam a presidente da República afastada o apoiarão. Veio de Maranhão a tentativa de anular a votação do impeachment de Dilma.

O ex-líder disse não aceitar a solução proposta dos partidos do "Centrão" para que Maranhão conduza os trabalhos "sob tutela" de membros da Mesa Diretora. Costa acusou os aliados de Temer de promoverem um "golpe" no Executivo e tentar o mesmo no Legislativo. "Vai ser uma luta, mas ninguém tira o Maranhão", avisou. (*Com informações do Estadão Conteúdo)

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