Processo de impeachment

Em ato no RJ, Dilma critica secretária das mulheres e lembra estupro coletivo

Paula Bianchi

Do UOL, no Rio

A presidente afastada, Dilma Rousseff, foi recebida aos gritos de "volta, querida" durante o ato Mulheres pela Democracia organizado pela Frente Brasil Popular no centro do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (2). A área em frente ao palco foi reservada exclusivamente para as mulheres, em especial para o grupo que veio em passeata do Largo da Carioca até a Praça 15 de Novembro, onde Dilma discursou por cerca de meia hora.

Entre o público que aguardava Dilma era possível encontrar tanto bandeiras feministas, pedindo o fim da cultura do estupro e o afastamento do presidente interino, Michel Temer, quanto de entidades sindicais como a CUT (Central Única de Trabalhadores) e a CTB (Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil). A CUT chegou a distribuir bonés para os participantes.

Dilma falou ao lado da ex-secretária especial de Políticas para as Mulheres Eleonora Menicucci, e das deputadas federais Jandira Feghalli (PCdoB-RJ) e Benedita da Silva (PT-RJ). A presidente afastada lembrou o caso de estupro coletivo ocorrido semana passada na capital fluminense e criticou a posição da atual secretária de Políticas para Mulheres, Fátima Pelaes, que tinha se pronunciado publicamente, na época de deputada federal, contra o aborto.

"É grave que a secretária das mulheres diga isso no momento em que ocorreu um estupro coletivo que nos enche de vergonha como mulheres. E nenhuma mulher pode se calar frente a isso", afirmou. Depois da polêmica, a nova secretária voltou atrás em uma nota, defendendo o direito de aborto para mulheres que engravidaram após serem estupradas.

A presidente afastada lembrou ainda o caso da babá que foi proibida de usar o banheiro no Country Club do Rio no fim de maio. "Essa cultura de estupro contra as mulheres e ao mesmo tempo da exclusão social tem que ser combatida", afirmou.

Enquanto Dilma discursava, um grupo de mulheres tentou chegar até o palco. Uma delas conseguiu pular o gradil que separava o espaço, sendo contida por seguranças.  O público então começou a gritar "solta ela", levando a presidente afastada a chamar a atenção do segurança que segurava a manifestante. "Solta ela, solta ela! Aqui a gente tem assegurada a liberdade de expressão de todas vocês", disse Dilma. O grupo todo acabou sendo autorizado a se aproximar. 

Dilma Rousseff criticou ainda as medidas e anúncios do governo interino de Temer, que chamou de "golpista". Segundo ela, a atual gestão está repleta de retrocessos, entre eles a revisão do pré-sal, as mudanças no Bolsa Família e a extinção, agora revogada, do Ministério da Cultura. Como em outros eventos, Dilma classificou o impeachment de "golpe institucional".

Antes do fim do ato, encerrado com uma apresentação da Clarice Falcão, a organização anunciou que Dilma se comprometeu a ir até o Palácio Capanema, sede do Ministério da Cultura no Rio de Janeiro, ocupada por manifestantes há 20 dias. Centenas de pessoas se dirigiram ao local, mas a presidente afastada acabou deixando a cidade sem passar pela ocupação. Mais cedo, Dilma visitou o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ) que está internado em tratamento de câncer.

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