Réu e denunciado: entenda as acusações contra Lula na Justiça

Do UOL, em Brasília

  • Ernesto Rodrigues/Folhapress

A denúncia oferecida nesta quinta-feira (15) pela força-tarefa da Operação Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é a quarta ligada à Operação Lava Jato. Caso o juiz responsável pelo caso aceite a denúncia, Lula se tornará novamente réu. O petista já é réu em três ações, e, agora, denunciado em mais duas, o que leva ao total de cinco casos contra ele na Justiça.

Na primeira ação em que se tornou réu, em julho, Lula será julgado pela Justiça Federal do Distrito Federal pelas acusações de que teria tentado obstruir investigações da Operação Lava Jato para evitar a colaboração premiada do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

A segunda ação em que Lula virou réu, em setembro, diz respeito a supostas vantagens indevidas recebidas na construção e reforma de um apartamento tríplex do Guarujá (SP) e no pagamento do armazenamento do acervo pessoal do ex-presidente, ambas custeadas pela construtora OAS numa soma de R$ 3,8 milhões. 

Moacyr Lopes Junior/Folhapress
O edifício Solaris, em Guarujá (SP), onde ficaria o tríplex de Lula
Conforme a denúncia, Lula seria o dono real do imóvel, o que ele nega. Ele será julgado pelo juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelos processos em primeira instância da Lava Jato.

Em outubro, o ex-presidente virou réu pela terceira vez. Neste processo criminal, que também tramita na Justiça Federal do Distrito Federal, Lula é acusado de praticar delitos entre os anos de 2008 e 2015, de acordo com denúncia do MPF (Ministério Público Federal).

A acusação afirma que os crimes envolvem a liberação de empréstimos do BNDES para financiar obras da construtora Odebrecht em Angola.

Nesse mesmo mês, o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a inclusão de Lula no "inquérito-mãe" do escândalo do petrolão.

Apelidado de "quadrilhão", esse inquérito corre na Suprema Corte. Apura a existência de uma organização criminosa formada para assaltar a Petrobras e outras estatais. Envolve 66 pessoas, entre elas empresários e políticos de três partidos: PT, PMDB e PP.

Na semana passada, o ex-presidente foi denunciado pelo MPF em Brasília pelos crimes de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O Ministério Público acusa Lula de ter supostamente negociado sua influência sobre contratações do governo federal.

A denúncia acusa ainda seu filho Luis Cláudio de ter recebido ao menos R$ 2,5 milhões de empresários ligados ao suposto esquema.

A denúncia aponta a atuação de Lula para interferir na compra de 36 caças pelo governo brasileiro e na prorrogação de incentivos fiscais destinados a montadoras de veículos por meio da Medida Provisória 627.

Os casos ocorreram entre 2013 e 2015, quando Lula já não era presidente --à época, a presidente era a também petista Dilma Rousseff, ex-ministra dos governos Lula.

O petista nega todas as acusações e acusa a força-tarefa da Lava Jato de "perseguição".

"Provem minha corrupção e irei a pé ser preso", disse Lula

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