Temer diz que pediu doação à Odebrecht, mas não autorizou irregularidades

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

  • Evaristo Sá/AFP

    Acusações de José Yunes contra Eliseu Padilha (d) preocupam o governo do presidente Temer (e)

    Acusações de José Yunes contra Eliseu Padilha (d) preocupam o governo do presidente Temer (e)

Em comunicado à imprensa divulgado no final da tarde desta sexta-feira (24), o presidente Michel Temer afirmou ter pedido apoio financeiro à Odebrecht para as campanhas do partido na eleição de 2014, mas disse não ter "autorizado, nem solicitado" que as doações fossem feitas de forma irregular.

A afirmação do presidente chega um dia depois de seu amigo pessoal e ex-assessor especial no Planalto, José Yunes, ter admitido que recebeu um "pacote" em seu escritório a pedido do hoje chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB-RS).

O ex-executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho afirmou em seu acordo de delação premiada que parte dos R$ 4 milhões dos repasses da empreiteira que estavam sob a responsabilidade de Padilha foram entregues no escritório de Yunes.

Veja a íntegra da nota:

"Quando presidente do PMDB, Michel Temer pediu auxílio formal e oficial à Construtora Norberto Odebrecht. Não autorizou, nem solicitou que nada fosse feito sem amparo nas regras da Lei Eleitoral. A Odebrecht doou R$ 11,3 milhões ao PMDB em 2014. Tudo declarado na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral. É essa a única e exclusiva participação do presidente no episódio.

Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República"

Yunes acusa Padilha

Em dezembro do ano passado, veio a público a delação premiada de Cláudio Melo Filho, ex-executivo da Odebrecht, em que ele citava, entre outros fatos, uma operação que envolvia José Yunes, Michel Temer e Eliseu Padilha.

Melo Filho disse ter levado ao escritório de Yunes, a pedido de Padilha, parte do dinheiro ao PMDB que foi acertado em jantar no Palácio do Jaburu, residência oficial do então vice-presidente Temer. Participaram do encontro no Jaburu, além de Melo Filho e do próprio Temer, o então presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, e Eliseu Padilha.

O jantar ocorreu em maio de 2014 e, segundo o delator, Temer fez um pedido direto a Marcelo Odebrecht por dinheiro para as campanhas do partido. Ficou acertado que a Odebrecht daria R$ 10 milhões, dos quais R$ 4 milhões ficariam sob a responsabilidade de Padilha, ainda segundo o depoimento de Melo Filho.

De acordo com o delator, o papel de Padilha era coordenar a distribuição dos repasses feitos pela empreiteira ao grupo mais próximo a Temer no partido. Um dos destinatários teria sido o então deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que teve o mandato cassado no ano passado.

O executivo contou também que parte dos R$ 4 milhões foi entregue, a pedido de Padilha, no escritório de Yunes, em São Paulo.

A divulgação pela imprensa da delação de Melo Filho, em dezembro do ano passado, levou Yunes a pedir demissão do cargo de assessor especial da Presidência.

Na ocasião, ele divulgou uma carta em que negava o relatado pelo executivo e exaltava a amizade "de décadas" com o presidente Temer. Ambos foram deputados constituintes em 1988.

A versão de Yunes, porém, mudou na semana passada, quando ele voluntariamente prestou depoimento à PGR, conforme noticiou a "Folha".  Ao Ministério Público, ele contou ter sido procurado por Padilha, que lhe pediu o favor de receber alguns "documentos" em seu escritório, que seriam em seguida buscados por um emissário.

Quem foi ao escritório entregar os "documentos", diz Yunes, foi o doleiro Lucio Funaro, apontado como operador de Eduardo Cunha, ou seja, responsável por viabilizar a entrega de propina ao deputado do PMDB. Cunha sempre negou ter participado em irregularidades investigadas pela Lava Jato.

Yunes disse que não procurou verificar o que havia dentro do pacote que lhe foi entregue e negou ter operado dinheiro de campanha para o PMDB.

O ministro Eliseu Padilha ainda não se manifestou sobre as acusações de José Yunes.

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