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Subsecretário e diretor da Riotrilhos são presos em operação ligada à Lava Jato

Gabriel de Paiva/Agência O Globo
Atual subsecretário de Turismo do Governo do Estado, Luiz Carlos Velloso foi preso em casa, em Copacabana, na zona sul do Rio Imagem: Gabriel de Paiva/Agência O Globo

Gustavo Maia e Nathan Lopes

Do UOL, no Rio e em São Paulo

2017-03-14T06:36:58

2017-03-14T12:19:32

14/03/2017 06h36Atualizada em 14/03/2017 12h19

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (14) mais uma operação derivada da Lava Jato no Rio de Janeiro. Foram cumpridos mandados de prisão, de condução coercitiva e de busca e apreensão na ação que mira pagamentos de propinas e lavagem de dinheiro em contratos da linha 4 do metrô. A obra custou R$ 9,7 bilhões, segundo o Governo do Rio.

A PF prendeu Heitor Lopes de Sousa Junior, diretor de Engenharia da Riotrilhos (Companhia de Transportes sobre Trilhos do Estado do Rio), e Luiz Carlos Velloso, ex-subsecretário de Transportes do Estado do governo Sérgio Cabral (PMDB) e atual subsecretário de Turismo.

Segundo a Polícia Federal, as investigações, iniciadas há 4 meses, em conjunto com o MPF (Ministério Público Federal) e a Receita Federal, apontaram que os dois procuravam as empreiteiras interessadas em assumir obras de infraestrutura no Estado, "cobrando vantagens indevidas com o objetivo de garantir a contratação para os serviços".

Em nota, a PF informou ainda que a propina era paga, "principalmente, de forma dissimulada a partir de aditivos que aumentavam os valores devidos, bem como alteravam o escopo técnico das obras". 

A operação foi batizada de Tolypeutes, gênero do animal conhecido como tatu-bola. Trata-se de uma referência ao “Tatuzão”, equipamento utilizado nas escavações das obras do metrô.

A ação da PF foi aberta por ordem do juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, com base no acordo de leniência da Carioca Engenharia. A investigação apura R$ 5,4 milhões em propinas e 31 transferências para empresas de Heitor Lopes.

Quarenta policiais federais foram destacados para cumprir os dois mandados de prisão preventiva, 13 de busca e apreensão e três de condução coercitiva na capital fluminense e no município de Sapucaia (RJ).

Segundo a polícia, os presos serão indiciados por corrupção e lavagem de dinheiro e, em seguida, encaminhados ao sistema prisional do Estado.

Procurada pela reportagem do UOL, a Secretaria de Turismo declarou que Luiz Velloso exerce as funções de subsecretário executivo na pasta desde janeiro de 2015, "com lealdade e competência". A Riotrilhos, por sua vez, informou que "desconhece o teor das acusações e se coloca à disposição para eventuais esclarecimentos".

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A Lava Jato no Rio foi a responsável pela prisão de Cabral, de sua mulher, Adriana Ancelmo, e do empresário Eike Batista.

A força-tarefa investiga corrupção na contratação de diversas obras conduzidas no governo do peemedebista, entre elas, a reforma do Maracanã para receber a Copa do Mundo de 2014, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) Favelas e o Arco Metropolitano, financiadas ou custeadas com recursos federais.

Já investigação da força-tarefa do MPF (Ministério Público Federal) no Paraná apurou pagamento de vantagens indevidas a Cabral em decorrência do contrato celebrado entre a Andrade Gutierrez e a Petrobras, sobre as obras de terraplenagem no Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro).

Deste novembro do ano passado, Cabral foi alvo de seis denúncias: cinco do Ministério Público do Rio e uma da Procuradoria da República, no Paraná.

Linha 4

Orçada em R$ 9,7 bilhões, a construção da nova linha do metrô do Rio sofreu atrasos e quase foi paralisada por falta de recursos. A inauguração aconteceu no dia 30 de julho, uma semana antes da abertura dos Jogos Olímpicos.

A Linha 4 tem 16 km quilômetros de extensão e liga os bairros de Ipanema, na zona sul, e Barra da Tijuca, na zona oeste da capital fluminense. (Com Estadão Conteúdo)

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