João Santana e Mônica Moura envolvem Lula e Dilma em caixa 2; entenda a delação em 6 pontos

Felipe Amorim, Gustavo Maia e Mirthyani Bezerra

Do UOL, em Brasília e em São Paulo

  • Divulgação/STF

    João Santana e sua mulher, Mônica Moura, durante gravação de suas delações

    João Santana e sua mulher, Mônica Moura, durante gravação de suas delações

Divulgadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) nesta sexta-feira (12), as gravações dos depoimentos do marqueteiro João Santana e de sua mulher, Mônica Moura, que integram seus acordos de delação premiada, contém acusações que podem implicar os ex-presidentes petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e o ex-ministro Antonio Palocci na Justiça, entre outros personagens da política brasileira.

Por meio de notas, Lula e Dilma disseram que o casal mentiu nos depoimentos. Preso, Palocci não se pronunciou até o momento.

João Santana e Mônica Moura trabalharam em diversas campanhas do PT, como a de Lula, em 2006, e as duas de Dilma, em 2010 e 2014. Eles foram presos em fevereiro de 2016, na 23ª fase da Operação Lava Jato, suspeitos de receber pagamentos com origem em dinheiro desviado da Petrobras, e deixaram a cadeia em agosto do mesmo ano.

O acordo dos dois com a PGR (Procuradoria-Geral da República) foi firmado em março deste ano. Um mês depois, as delações de ambos foram homologadas pelo ministro Edson Fachin, do STF, relator da Lava Jato na Corte. Nesta quinta (11), o magistrado decidiu retirar o sigilo dos depoimentos. André Santana, que trabalhava com Mônica Moura, também firmou acordo de colaboração.

A Justiça Federal em cinco Estados (Paraná, São Paulo, Rio Grande do Norte, Sergipe e Mato Grosso do Sul), o STJ (Superior Tribunal de Justiça) e o próprio STF são os destinos dos pedidos de providência encaminhados pela PGR à Corte com base nas delações dos três. São citados 16 políticos em 21 petições.

Veja abaixo seis pontos para entender as delações:

Dilma e Lula sabiam de caixa 2

João Santana disse acreditar que Lula e Dilma tinham conhecimento de pagamentos por meio de caixa dois nas respectivas campanhas presidenciais. Segundo Santana, o ex-ministro Antonio Palocci dizia que algumas decisões sobre pagamentos precisavam da autorização "do chefe", o que ele interpretou como uma referência a Lula.

Dilma avisou da prisão por e-mail secreto

Mônica Moura afirmou que foi avisada pela ex-presidente Dilma de que o casal seria preso pela Operação Lava Jato três dias antes de as ordens de prisão virem à público. O alerta foi feito por uma conta secreta de e-mail, de conhecimento apenas de Dilma e Mônica, segundo o relato.

Pagamento de cabeleireiro de Dilma

Mônica Moura declarou ter pago despesas da então presidente Dilma Rousseff, como gastos pessoais de cabeleireiro. Os serviços custaram no total cerca de R$ 90 mil e foram pagos entre 2010 e 2014, mesmo fora de períodos de campanha eleitoral, segundo afirmou Mônica em sua delação.

Caixa dois em campanhas no exterior

O casal relatou ter recebido pagamentos por meio de caixa dois de empreiteiras brasileiras para atuar em campanhas eleitorais em outros quatro países: Venezuela, Angola, Panamá e El Salvador. A empreiteira Odebrecht teria feitos pagamentos para a atuação do casal em campanhas de todos esses países.

Santana atuou em eleições presidenciais para Hugo Chávez, na Venezuela, José Eduardo Santos, em Angola, José Domingos Arias, no Panamá, e Maurício Funes, em El Salvador.

Compra de apoio por tempo de TV

O marqueteiro João Santana classificou como um "leilão oculto" o que ocorre em campanhas eleitorais por conta das coligações partidárias. O apoio e o consequente tempo extra de propaganda na televisão era "invariavelmente" trocado pelos partidos por "ajuda financeira", segundo o delator.

Lula se queixou de Graça Foster

Em sua delação, Santana afirmou ter ouvido de Lula "fortíssimas críticas" ao trabalho da então presidente da Petrobras, Graça Foster. Segundo o marqueteiro, Lula pediu que ele dissesse a Dilma que Graça estava intencionalmente atrasando pagamentos a empresários para a realização de obras, e que isso poderia atrapalhar a sua campanha à reeleição, em 2014.

Dilma, por sua vez, respondeu, de acordo com o delator, que a presidente da Petrobras estava "colocando ordem na casa" e acabando com a "esculhambação".

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