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Em vídeo, Aécio defende parentes e reitera inocência: "não fiz dinheiro na vida pública"

Do UOL, em São Paulo

23/05/2017 19h55Atualizada em 23/05/2017 21h33

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) divulgou nesta terça-feira (23) seu primeiro vídeo após ser alvo de abertura de inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) para investigação de supostos crimes de corrupção passiva, organização criminosa e obstrução à Justiça.

No vídeo, publicado na página de Aécio no Facebook, o senador voltou a declarar sua inocência diante das acusações da PGR (Procuradoria-Geral da República), que solicitou a abertura de inquérito com base nas delações premiadas de sete executivos da empresa JBS.

Tal como já fizera em artigo publicado na última segunda-feira na Folha de S. Paulo, Aécio se disse “vítima de uma armação” por parte dos delatores. Joesley Batista, presidente do grupo frigorífico, entregou áudio gravado de conversa com o senador em que o tucano pede R$ 2 milhões para pagar seu advogado de defesa na operação Lava Jato. O dinheiro, porém, jamais teria chegado ao defensor, segundo investigação da PGR e da PF (Polícia Federal).

Aécio Neves afirma que, na verdade, ofereceu, por meio de sua irmã Andrea, um imóvel a Joesley. O empresário teria negado e, mais tarde, sugerido ao próprio senador o empréstimo do dinheiro.

“Há cerca de dois meses, eu pedi a minha irmã que procurasse o senhor Joesley e oferecesse a ele a compra de um apartamento onde minha mãe vive há mais de 30 anos, herança de seu ex-marido, e que havia sido colocado à venda. Com parte desses recursos, eu poderia então pagar as despesas com a minha defesa em inquéritos que, tenho certeza, serão arquivados. E fiz isso porque eu não tinha dinheiro, não fiz dinheiro na vida pública”, diz Aécio no vídeo.

O senador diz que aceitou o empréstimo e que pretendia regularizar o acordo em contrato, embora não o tenha feito. Na versão de Joesley, em depoimento à PGR, Andrea já havia solicitado os R$ 2 milhões ao encontrar-se com ele.

Na sequência do vídeo, o tucano insiste que nem ele nem seus familiares – a irmã Andrea e o primo Frederico, presos na última quinta-feira (18) – cometeram crimes. Diz ainda que lutará pela liberdade de ambos e que tentará retomar suas funções de senador, retiradas provisoriamente pelo ministro do STF Edson Fachin.

Parentes presos

Andrea Neves foi presa na última quinta-feira, durante operação da PF, acusada de pedir dinheiro a Joesley Batista em nome do irmão Aécio. No mesmo dia, Frederico, primo do senador, também foi detido por ter sido filmado recebendo os R$ 2 milhões acordados entre o empresário e o político.

Nesta terça-feira, a defesa de Andrea entrou com recurso no STF solicitando sua soltura. Os advogados argumentam que o pedido de prisão foi feito por "razões que, se existentes, poderiam ser aplicadas para a pessoa física do senador Aécio Neves, nunca para sua irmã".