Após nova fase, Lava Jato diz que vai recorrer de absolvição de Cláudia Cruz

Bernardo Barbosa

Do UOL, em Brasília

  • Pedro Ladeira - 5.nov.15/Folhapress

    Cláudia Cruz, mulher de Eduardo Cunha, foi absolvida por Moro

    Cláudia Cruz, mulher de Eduardo Cunha, foi absolvida por Moro

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, disse nesta sexta-feira (26) que o MPF (Ministério Público Federal) vai recorrer da absolvição da jornalista Cláudia Cruz, mulher do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Lima chegou a dizer que a sentença proferida ontem decorreu do "coração generoso" do juiz Sergio Moro.

A informação foi dada em entrevista coletiva sobre nova fase da Lava Jato, deflagrada hoje e que mirou suspeitos de se beneficiarem de esquema de corrupção na Petrobras ligado à compra de um campo de petróleo no Benin, país da costa oeste da África. Segundo Santos Lima, parte da propina chegou "indiretamente" a Cláudia Cruz.

"Nós sabemos que parte desses valores abasteceu a conta que foi usada por Cláudia Cruz para seus gastos em bens de altos valores. Nós vamos recorrer [da absolvição]. Nós discordamos, cremos que isso decorre muito mais do coração generoso do doutor Sergio Moro na interpretação de um fato envolvendo a esposa de uma pessoa sabidamente ligada à corrupção", afirmou o procurador.

De acordo com Lima, uma pessoa com o "nível cultural" de Cláudia Cruz tinha "indicativos suficientes para saber" que os recursos que recebia eram incompatíveis com o salário que Cunha recebia como deputado federal.

"Ao gastá-los, ela cometeu o crime de lavagem. Nós não estamos acusando Cláudia Cruz de corrupção, mas de lavagem. Então, nesse aspecto o comportamento dela não é justificado e é criminoso", declarou o procurador.

Ontem, Moro absolveu Cláudia dos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Segundo MPF, ela recebeu em uma conta na Suíça mais de US$ 1 milhão da propina ganha por Cunha oriunda do esquema do Benin. O ex-deputado foi condenado justamente por seu envolvimento no mesmo caso.

Sérgio Moro inocenta mulher de Cunha na Lava Jato

Atual fase da Lava Jato investiga esquema

A fase da Lava Jato deflagrada hoje --a 41ª da operação-- tem justamente as irregularidades na compra do campo de petróleo africano como foco. De acordo com o MPF, US$ 10 milhões foram pagos em propina e espalhados por diversas contas na Suíça, entre elas uma de Eduardo Cunha.

Além de Cunha, foram condenados por fatos relativos ao esquema o ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada e o lobista João Augusto Rezende Henriques, operador do PMDB, que está preso desde 2015 na Lava Jato.

Apesar de citar Cláudia Cruz como possível beneficiária da negociata, mesmo que indiretamente, Lima disse que não haveria uma nova acusação contra ela. Isso porque o MPF já a havia acusado no caso -- dando origem ao processo em que Cláudia foi julgada por Moro ontem.

Ao comentar a absolvição, a defesa de Cláudia Cruz afirmou que a decisão não surpreendeu. "A sentença reconhece que ela não praticou nenhum ato ilícito", disse o advogado Pierpaolo Bottini. "Cláudia ficou satisfeita e aliviada com a decisão", resumiu.

Por volta das 12h desta sexta, o UOL procurou o escritório Bottini & Tamasauskas, que defende Cláudia Cruz, para saber o posicionamento da defesa sobre a decisão do MP de recorrer da absolvição da jornalista. A reportagem aguarda contato dos advogados.

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