Relator de denúncia contra Temer deixa PMDB após punição: "perseguição política"

Gustavo Maia, do UOL em Brasília

  • Pedro Ladeira/Folhapress

    10.jul.2017 - Sergio Zveiter

    10.jul.2017 - Sergio Zveiter

Relator do parecer derrotado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara sobre a denúncia criminal contra o presidente Michel Temer (PMDB), o deputado federal Sergio Zveiter (PMDB-RJ) pediu nesta sexta-feira (11) a sua desfiliação do partido. Ele havia recomendado que o presidente fosse investigado por corrupção passiva.

O requerimento foi apresentado um dia depois de Zveiter e outros cinco deputados do PMDB terem sido punidos com a suspensão por 60 dias de suas funções partidárias por terem votado contra Temer no último dia 2. A decisão foi tomada por unanimidade pela Comissão Executiva da legenda, que havia fechado questão em favor do presidente.

Em manifestação enviada ao diretório do PMDB no Rio, Zveiter diz ter sofrido "ameaças de represálias e de expulsão oriundas da direção do partido e de outros membros do PMDB" depois de apresentar seu relatório pela autorização do prosseguimento da denúncia apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) contra Temer, pelo crime de corrupção passiva.

Ele também aponta que a direção nacional do PMDB praticou "grave discriminação pessoal e perseguição política" contra ele e "tentou interferir e obstruir" a sua livre manifestação como deputado federal. Zveiter acusou ainda o partido de "autoritarismo" e "postura abusiva" ao fechar questão a favor de Temer.

"Esse expediente não é compatível com o ambiente democrático e com a maturidade que as instituições brasileiras devem perseguir", escreveu.

Zveiter afirmou que ainda não tem um novo partido definido, mas está em fase de negociações. "Estou conversando! Existem convites. Estou avaliando", disse ao UOL.

O deputado disse ainda: "Com humildade e pé no chão tenho que escolher bem".

"Mas a vida é assim, né? Sempre termos que tomar decisões. Espero que Deus me proteja e ilumine neste momento!"

Além de Zveiter, Celso Pansera (RJ), Jarbas Vasconcelos (PE), Laura Carneiro (RJ), Veneziano Vital do Rego (PB) e Vitor Valim (CE) foram punidos pelo partido.

"Esta decisão foi tomada por descumprimento dos parlamentares ao fechamento de questão sobre o assunto em reunião realizada no dia 12 de julho, em Brasília", afirma nota divulgada pela assessoria do partido nesta quinta (10).

Renan Calheiros

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) também fez críticas ao partido. "Suspender deputado porque não colocou o presidente da República acima da Constituição é antidemocrático".

"Ninguém está imune à investigação, seja procurador-geral da República, presidente da República ou senador. E quem abusar, tem que ser penalizado pelo que fez, na forma da lei.

A Câmara precisa reformar o sistema política falido, votar a lei de abuso de autoridade e rechaçar esse fundo público eleitoral de R$ 3,6 bilhões, com aumento de imposto e déficit fiscal", afirmou.

A punição aos deputados foi comunicada por meio de ofício ao presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Gilmar Mendes, e inclui também a suspensão de atividades diretivas do partido.

A medida é cautelar e o caso ainda deve passar por análise da Comissão de Ética da legenda, que pode indicar novas punições aos seis parlamentares.

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