Com malas de dinheiro, Grito dos Excluídos pede 'Fora, Temer' e 'Fora, Doria' em SP

Guilherme Azevedo

Do UOL, em São Paulo

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    Manifestantes ligados a movimentos sociais participam do 23º Grito dos Excluídos

    Manifestantes ligados a movimentos sociais participam do 23º Grito dos Excluídos

O presidente Michel Temer (PMDB) e o prefeito de São Paulo, João Doria Jr. (PSDB), foram os principais alvos dos manifestantes ligados a movimentos sociais reunidos neste 7 de Setembro para o 23º Grito dos Excluídos, na avenida Paulista, região central de São Paulo. Os participantes pediram moradia, saúde, educação e defesa de direitos de trabalhadores.

Os manifestantes também levaram malas cheias de notas falsas de dinheiro, uma referência aos R$ 51 milhões encontrados em um apartamento em Salvador que seria ligado ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB).

Aos gritos de "Fora, Temer" e "Fora, Doria", os manifestantes protestaram contra os projetos de privatização anunciados recentemente pelo presidente e o prefeito.

"Até a Casa da Moeda o governo golpista de Temer está querendo entregar ao capital financeiro internacional ", disse do carro de som Hugo Fanton, coordenador da CMP (Central de Movimentos Populares), um dos organizadores do ato.

Nelson Antoine/Estadão Conteúdo
Manifestantes levam malas com notas falsas em referência a dinheiro que seria de Geddel

Outro manifestante discursou convocando os presentes a lutar pela defesa do patrimônio público paulistano. "Fora, Doria. São Paulo não é sua, ela pertence a todos nós. Você quer vender nossa cidade, nossos equipamentos." Os movimentos lançaram nesta quinta-feira a campanha de assinaturas "São Paulo não está à venda" para pedir um plebiscito sobre o plano de Doria, que inclui a venda de ativos como o complexo de eventos do Anhembi e a concessão do estádio do Pacaembu.

Os manifestantes também desfilaram faixas em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Eleição sem Lula é fraude", diziam numerosos cartazes. Em discursos e nas ruas, Lula foi descrito como "perseguido". Para os manifestantes, a consolidação do "golpe" que levou Temer ao poder, com o impeachment de Dilma Rousseff (PT), depende também de Lula não poder se candidatar. O petista, que já foi condenado em primeira instância, corre o risco de ficar fora do pleito do ano que vem caso tenha a sentença mantida na segunda instância.

Os manifestantes se concentraram na praça Oswaldo Cruz e seguiram em caminhada até o parque Ibirapuera, onde o ato foi encerrado às 12h30. Os organizadores estimaram a presença do público em 15 mil pessoas, que seria o maior ato em dez anos. A Polícia Militar não informou estimativa.

Guilherme Azevedo/UOL
Manifestantes pediram Lula nas eleições de 2018

Ao UOL, Raimundo Bonfim, coordenador geral da CMP, afirmou que a situação hoje do brasileiro é muito mais grave do que a do primeiro Grito, em 1994, do ponto de vista do emprego e dos direitos trabalhistas e sociais. "Estamos voltando a ser pobres e miseráveis. A pobreza é hoje um dado real no Brasil. O Grito traz essa denúncia."

Alguns oradores não pouparam também de críticas o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). "Ele faz um governo de exclusão. O tratamento que dá à periferia é sempre pior. Até o comando de sua polícia já confirmou isso publicamente."

O manifestante se referia à entrevista ao UOL do tenente-coronel Ricardo Augusto Nascimento de Mello Araújo, o novo comandante da Rota, que declarou que os PMs que atuam na região nobre e na periferia de São Paulo adotam formas diferentes de abordar e falar com moradores.

União de gerações

A caminhada da Paulista até o Ibirapuera, de cerca de uma hora e meia, reuniu manifestantes de diversas origens e gerações, novos e velhos, brasileiros e até estrangeiros.

A aposentada Maria Amadia, 85, natural de Araxá (MG), é integrante de movimento pela moradia em São Paulo. Ela vive num edifício ocupado no Pari, região central da capital paulista, e luta pela posse efetiva.

Guilherme Azevedo/UOL
A aposentada Maria Amadia luta por uma casa

"Casa própria é a que a gente sabe que é da gente", sorri, enquanto caminha puxando a perna direita. Para Amadia, o Brasil precisa respeitar e preservar os seus cidadãos mais velhos. "Respeito é necessário."

Caminhando ao lado do filho Leonardo, o boliviano Milton Luz, há quase 20 anos no Brasil, conta que é preciso lutar contra o processo de privatização agora pretendido pelos governos. Trabalhando em oficina de costura no Brasil, ele lembra que a Bolívia foi "vítima" desse processo anos atrás e que as privatizações só fizeram aumentar os preços dos serviços, melhorando os lucros dos empresários, mas tornando tudo mais difícil para a população.

Guilherme Azevedo/UOL
O boliviano Milton Luz e o filho: contra privatizações

"Foi por isso que precisei deixar meu país. E isso agora pode acontecer aqui."

Luz defende a união do brasileiro, o que inclui seus dois filhos, que já nasceram aqui, pela defesa de direitos. Leonardo, 13, hoje no sétimo ano do ensino fundamental, sonha em ser advogado. "Para proteger as pessoas."

O pai, entretanto, se diz preocupado com a baixa adesão aos protestos: "Hoje é o dia da independência do Brasil. Mas onde estão as manifestações generalizadas das pessoas para tentar mudar essa situação? O povo parece não estar muito aí, é triste".

Guilherme Azevedo/UOL
Panelas contra o desemprego e a pobreza
Ao fim do ato, ao lado do Monumento às Bandeiras, junto do parque Ibirapuera, manifestantes voltaram a discursar contra Temer e Doria e as privatizações. Alguns bateram panelas vazias, para lembrar de que o brasileiro, hoje, está desempregado e com fome e não aguenta mais ser subtraído no básico para viver com dignidade.

O Grito dos Excluídos foi organizado nesta quinta-feira com atos menores em todo o Brasil, de acordo com os movimentos. Segundo os organizadores, as manifestações de Brasília e do Rio de Janeiro reuniram cerca de 200 pessoas.

Guilherme Azevedo/UOL
Fim do ato no Ibirapuera, com campanha contra privatizações em São Paulo

 

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