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Política

Mesmo após punição, deputados do PMDB devem votar novamente contra Temer

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

24/10/2017 04h00

A punição aplicada pelo PMDB contra os seis deputados do partido que votaram pelo prosseguimento da primeira denúncia contra o presidente Michel Temer, em agosto, não foi suficiente para mudar a posição dos dissidentes.

Nesta quarta-feira (25), eles devem se juntar à oposição e votar outra vez contra o peemedebista no plenário da Câmara, mesmo depois de terem sido suspensos de suas funções partidárias por 60 dias por descumprirem o fechamento de questão do PMDB sobre a denúncia.

Oficialmente, o partido não deve fechar questão para o segundo processo, no qual também estão denunciados os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), ambos do PMDB. A cúpula da legenda entende que não há necessidade de impor uma posição partidária desta vez.

A reportagem do UOL apurou que Celso Pansera (RJ), Jarbas Vasconcelos (PE), Laura Carneiro (RJ), Veneziano Vital do Rêgo (PB) e Vitor Valim (CE) votarão “não” ao parecer do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), aprovado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça da Câmara), na última quarta (18).

Se o relatório do tucano for aprovado, a denúncia será barrada e não seguirá para o STF (Supremo Tribunal Federal), como aconteceu com a primeira, por 263 votos a 227 –com 19 ausências e duas abstenções.

O outro punido em agosto, Sergio Zveiter (RJ), deixou o PMDB um dia depois da suspensão e posteriormente se filiou ao Podemos. Ele foi o relator de parecer contrário a Temer na CCJ, que foi derrotado ainda na comissão.

Zveiter reclamou que a direção do partido praticou “grave discriminação pessoal e política” contra ele ao tentar “interferir e obstruir” sua livre manifestação como deputado federal.

Dentre os 62 deputados que integravam o PMDB na primeira denúncia, barrada no dia 2 de agosto, 52 votaram em acordo com a orientação partidária, três faltaram à sessão e um se absteve de votar --o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (MG).

Essas manifestações beneficiaram Temer, já que a denúncia precisava de 342 votos para prosperar.

Votos

Dois dos cinco punidos que continuam no PMDB declararam seus votos ao UOL. “Voto pela apuração. Qualquer denúncia que ocorrer, eu mantenho a minha tradição, a minha história. É uma questão de princípio minha”, afirmou Jarbas Vasconcelos.

"Não sei se o partido vai entender, espero que sim. É uma maneira minha, não posso mudar isso por uma ameaça partidária, seja ela qual for”, completou o pernambucano.

Vitor Valim, por sua vez, disse que sua postura será a mesma da passada e que “não teme” votar para investigar Temer. Na votação de agosto, ele declarou que "ninguém está acima da lei".

Para evitar problemas com o partido, os outros peemedebistas firmaram um compromisso com o líder da bancada na Câmara, Baleia Rossi (PMDB-SP), de não falar publicamente sobre a denúncia. Mas a reportagem apurou que os seus votos não serão alterados.

"Deixa eu falar isso para você na quarta-feira. É um compromisso que eu tenho de ficar calada", comentou Laura, às gargalhadas.

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