Operação Lava Jato

Pastor diz que Cabral pediu para que ele e missionária assinassem "doação" de sala de cinema

Paula Bianchi

Do UOL, no Rio

  • Fabio Motta/Estadão Conteúdo

    Cabral está preso preventivamente desde novembro

    Cabral está preso preventivamente desde novembro

Após o Ministério Público ter aberto um inquérito para investigar a instalação de uma sala de cinema na Cadeia Pública José Frederico Marques, onde estão detidos o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) e outros presos ligados à operação Lava Jato no Rio de Janeiro, um pastor que teria cedido o equipamento afirmou que ele e uma missionária foram convencidos pelo político a assinarem um termo de doação de equipamentos eletrônicos para a penitenciária.

Em nota divulgada nas redes sociais, o pastor Carlos Alberto de Assis Serejo, da Igreja Batista do Méier, e seu advogado Heckel Garcez Rodrigues Ribeiro dizem que o religioso e a missionária Clotilde de Moraes se reuniram com o ex-governador na biblioteca do presídio, quando o próprio Cabral pediu que eles assinassem um termo de uma doação que não existiu, porque o equipamento já se encontrava na penitenciária.

De acordo com a Seap (Secretaria de Administração Penitenciária), a doação do equipamento foi assinada por Serejo, pelo pastor Cesar Dias de Carvalho e pela missionária. Os três afirmaram representar a Igreja Batista do Méier e a Comunidade Cristã Novo Dia. O presidente do templo do Méier, João Reinaldo Purin Junior, no entanto, negou a ação e disse em vídeo divulgado pelo Facebook ser o único capaz de autorizar doações desse tipo.

Segundo a defesa de Cabral, a denúncia é falsa e trata-se de um "boato".

De acordo com o pastor, ele e a missionária foram chamados pelo ex-governador para ir à biblioteca durante um culto do pastor Cesar no dia 27 de dezembro. "O detento expôs a necessidade de que um representante de instituição religiosa ou filantrópica assinasse documento de doação de alguns equipamentos eletrônicos (TV, DVD e home theater) que, segundo Cabral, já estavam no local, a fim de legitimar o uso destes pelos presos", afirma a nota.

A nota informa ainda que, "segundo a fala de Sérgio Cabral, o diretor da entidade prisional teria alegado que o uso de todos os equipamentos só poderia ser oficializado caso houvesse o documento de doação. O preso solicitou ajuda e falou que era só assinar o papel, e esse favor foi feito! O foco jamais foi beneficiar exclusivamente o preso Sérgio Cabral. Jamais se compactuaria com quaisquer decisões que contrariassem as leis ou os valores cristãos."

O advogado do pastor defende que seu cliente foi induzido ao erro e não tinha noção do que estava ocorrendo quando assinou o documento, sendo que os dois foram "manipulados por um homem ardiloso cuja vida traduz a sua astúcia e o poder de manobra para conseguir o que almeja".

A Seap (Secretaria de Administração Penitenciária) informou que suspendeu o benefício das TVs em celas e recreação esportiva dos detentos por 30 dias e também a autorização da referida igreja de executar trabalho missionário em todas as unidades prisionais.

A sala de cinema, cuja montagem estava em conclusão, teria uma TV de LED smart de 65 polegadas com wifi, avaliada por R$ 9 mil a R$ 14 mil; um Blu-ray Player 3D que custa de R$ 10,6 mil a R$ 12 mil; e um aparelho de som receiver de 5.1 canais e 435 watts, avaliado em cerca de R$ 3 mil. Também teria um acervo inicial de 160 DVDs.

O controle da cinemateca do presídio seria feito por outro preso na Operação Lava Jato. Trata-se de Wilson Carlos Carvalho, ex-secretário de Governo de Cabral, condenado a 45 anos de prisão por corrupção. A cada três dias no local, cuidando dos DVDs e do tempo que cada preso passaria assistindo aos filmes, teria abatido um dia da sua pena.

O acesso dos internos à videoteca seria determinado pelo diretor da prisão, responsável por estabelecer dias e horários para os presos de cada galeria usufruírem do benefício. Ninguém teria acesso todos os dias, diz a Seap.

O MP apura a eventual prática de crimes contra a administração pública e falsidade ideológica ou material. Segundo a instituição, a situação também está sendo analisada pela Promotoria de Justiça responsável pela Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania da capital. Será apurado eventual ato de improbidade administrativa. (Com Estadão Conteúdo)

Cabral discute com juiz da Lava Jato durante interrogatório

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