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Justiça nega soltura a Garotinho; medo de rivais faz ex-governador evitar banho de sol

Garotinho foi preso por agentes da Polícia Federal na quarta-feira (22) - Wilton Junior/Estadão Conteúdo
Garotinho foi preso por agentes da Polícia Federal na quarta-feira (22) Imagem: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

24/11/2017 10h42

O TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro) negou na quinta-feira (23) pedido de soltura para o ex-governador Anthony Garotinho (PR), preso no dia anterior, junto com a mulher, Rosinha Garotinho (PR), sob suspeita de corrupção e financiamento ilegal de campanha.

A decisão foi tomada em caráter monocrático pela desembargadora Cristina Feijó e ainda será analisada pelo pleno do tribunal. A defesa do político afirmou que vai recorrer ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) antes mesmo do julgamento definitivo.

O Ministério Público do Estado do RJ e a Polícia Federal apuram se o casal Garotinho participou de um esquema de cobrança de propina, além dos crimes de concussão (quando o agente público pratica extorsão), participação em organização criminosa e falsidade em prestação de contas eleitorais.

Garotinho e Rosinha estão presos na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na zona norte carioca, o mesmo presídio onde estão o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), o presidente licenciado da Alerj (Assembleia Legislativa do RJ), Jorge Picciani (PMDB) e outros políticos acusados e/ou investigados pela Operação Lava Jato.

Medo de rivais

A defesa de Garotinho afirmou que o ex-governador tem evitado as duas horas de banho de sol as quais teria direito para não encontrar seus rivais políticos na cadeia de Benfica.

"Eu perguntei se ele encontrou algum preso da Lava Jato, ele falou que não, mas que ele teme pela segurança dele por estar sozinho em um corredor e em uma cela, sozinho. Parece que é um corredor intermediário, e o próximo corredor seria o dos presos da Lava Jato", declarou o advogado do casal, Carlos Azeredo.

"Ele está com medo, né? Na presença de todas essas pessoas que ele denunciou, ele corre sério risco de vida", completou.

Na quarta, após a prisão do político, a defesa dele enviou uma nota na qual acusa Picciani de ter declarado a Cabral, em uma suposta reunião dentro da penitenciária, que daria um "tiro na cara de Garotinho". Também em nota, a Seap (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária) informou apenas que "garante a integridade física dos internos do sistema penitenciário fluminense".

Durante a gestão de Rosinha na prefeitura de Campos, Garotinho ocupou uma secretaria - 30.set.2011 - Rafael Andrade/Folhapress - 30.set.2011 - Rafael Andrade/Folhapress
Durante a gestão de Rosinha na prefeitura de Campos, Garotinho ocupou uma secretaria
Imagem: 30.set.2011 - Rafael Andrade/Folhapress

Caixa 2

A família Garotinho tem base política na cidade de Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, onde Rosinha foi prefeita de 2008 a 2016. A PF suspeita que o marido, que também já governou o município, cobrava propina nas licitações da prefeitura, exigindo pagamentos ilícitos para que contratos fossem honrados pelo poder público.

Além disso, segundo as investigações, "uma grande empresa do ramo de processamento de carnes", a JBS, firmou contrato fraudulento com uma empresa sediada em Macaé, também no norte fluminense, para prestação de suposto serviço de informática. A PF apura se o acordo seria fictício, com objetivo único de repassar R$ 3 milhões para campanhas eleitorais em Campos dos Goytacazes.

"Suspeita-se que os serviços não eram efetivamente prestados e que o contrato, de aproximadamente R$ 3 milhões, serviria apenas para o repasse irregular de valores para utilização nas campanhas eleitorais", informou a PF, em nota.

Além da própria carreira política, o casal Garotinho tem grande influência em relação a vereadores e lideranças partidárias na cidade do norte fluminense, relatam os investigadores.

Um dos delatores da JBS, o executivo Ricardo Saud, disse, em depoimento prestado em agosto, que houve um repasse de R$ 2,6 milhões a Anthony Garotinho.

As prisões foram determinadas pelo magistrado da 98ª Zona Eleitoral, Glaucenir de Oliveira. Também foi detido na ação o ex-secretário de Governo da Prefeitura de Campos dos Goytacazes Suledil Bernardino. No total, foram expedidos pelo juiz eleitoral nove mandados de prisão e dez de busca e apreensão.

Segundo o advogado Carlos Azeredo, não há motivos para Rosinha estar detida. Ele considera ainda que Garotinho é vítima de perseguição da Justiça.

“Na verdade, não houve acusação contra a Rosinha. Ela não foi acusada de nada até agora. Não há motivos para a prisão. Já o caso do Garotinho é mais peculiar. Ele sofre uma perseguição desde que denunciou irregularidades praticadas pelo desembargador Luiz Zveiter. O caso dele contraria as demais decisões da Lava Jato, onde também ocorreu caixa dois. Todas as decisões ocorreram na esfera da Justiça Federal. Só o caso dele que não, o que reforça o depoimento de perseguição."

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