Advogado de Garotinho recorrerá de transferência e alega "vácuo" em imagens de prisão

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

  • Domingos Peixoto/Agência O Globo

O advogado do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (PR), Carlos Azeredo, informou neste sábado (25) que irá recorrer da transferência para a penitenciária de Bangu sofrida pelo político e disse haver um "vácuo" nas imagens do circuito interno de segurança no momento da agressão que o cliente alega ter sofrido dentro da cela na prisão em Benfica, onde estava anteriormente.

Garotinho relatou à Polícia Civil ter sofrido agressões físicas e ameaças na cela da Cadeia Pública Frederico Marques. De acordo com a defesa dele, um homem teria invadido o local e o agredido com um porrete.

No entanto, a Seap (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária) alega que Garotinho estava sozinho em uma galeria composta por nove celas, todas vazias. A Seap disse ter examinado as imagens das câmeras da cadeia, que "não detectaram presença de qualquer pessoa ou estranhos na galeria onde se encontrava o detento que pudessem causar tais lesões".

Como "punição" por supostamente não ter provado a agressão, Garotinho foi transferido para a Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira (Bangu 8), na zona oeste carioca, e está instalado em uma cela monitorada por câmera 24 horas.

O juiz eleitoral Ralph Machado Manhães Júnior, da 98ª zona eleitoral - Campos dos Goitacazes, foi consultado e autorizou a transferência da Cadeia Pública Frederico Marques, onde estão os presos da Lava Jato no Rio, para unidade prisional de segurança máxima e, se a VEP (Vara de Execuções Penais) do Tribunal de Justiça do RJ o entendesse, até mesmo para um presídio federal. Na autorização, o juiz determina que Garotinho seja mantido em cela separada de outros presos e garantida sua segurança.

O advogado de Garotinho vai recorrer da decisão por entender que foi unilateral e houve tratamento desigual entre o cliente e outros presos da Lava Jato, como o também ex-governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). No entanto, o pleito só poderá ser protocolado na segunda-feira (27), próximo dia útil. Na tarde deste sábado, Carlos Azeredo visitou Garotinho na prisão.

"Vou recorrer, até porque a Vara de Execuções Penais não mandou transferir ninguém. A Seap é que transferiu por sua conta. Eu acho estranho que a Seap não agiu da mesma forma com o Sérgio Cabral, que teve várias iguarias apreendidas pelo Ministério Público", disse, ao acrescentar ter "certeza" de um privilégio de Cabral.

Nesta sexta (24), o MP-RJ (Ministério Público do Estado do Rio) apreendeu diversos alimentos finos como castanhas, presunto cru, queijos variados, bolinhos de bacalhau, iogurte em balde de gelo, entre outros, durante pente fino feito dentro das celas de Cabral, da sua mulher e ex-primeira dama Adriana Ancelmo, do empresário dos ônibus Jacob Barata Filho e da ex-governadora Rosinha Garotinho (PR), mulher de Anthony. A ação aconteceu na cadeia de Benfica, onde todos estes citados continuam detidos.

"Garotinho alega que foi agredido, então ele é vítima. O Cabral estava lá com várias iguarias que os servidores públicos não vão conseguir comprar porque não receberam o 13º salário", afirmou o advogado.

Lapso em imagens de segurança
Em relação às divergências quanto às imagens do momento em que Garotinho teria sido agredido na cela, Azeredo falou que há um "vácuo" nas gravações.

"Há um vácuo, sem o período justamente que é alegado pelo ex-governador. Não tem nenhuma imagem, não tem nenhuma gravação", disse. "Isso é um sistema né? Alguém opera esse sistema. Não sei o que pode ter acontecido. Agora, existem gravações da entrada do home theater no presídio? Das iguarias? Não. Por que a Seap não vai ter que apresentar isso? Vou requerer todas as imagens das entradas, das apreensões, tudo."

Azeredo ainda afirmou que o atual secretário de administração penitenciária, coronel Erir Ribeiro Costa Filho, era homem de confiança de Cabral e hoje é ligado ao governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), também investigado em esquemas de corrupção. Por isso, disse, o Ministério Público deveria afastar Erir do cargo.

"Senão, eu vou requerer. Houve um favorecimento aos presos da quadrilha do Sérgio Cabral", informou.

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