Ministro do STF revoga prisão domiciliar de irmã de Aécio

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

  • Cristiane Mattos/Reuters

    Andrea Neves chegou a ser presa em maio

    Andrea Neves chegou a ser presa em maio

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello decidiu revogar a prisão domiciliar imposta a Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves (PSDB-MG). A medida também beneficia outros dois investigados no processo: Frederico Frederico Pacheco de Medeiros, primo de Aécio, e o ex-assessor parlamentar Mendherson Souza Lima, que trabalhou com o senador Zezé Perrella (PMDB-MG), aliado do tucano.

Na decisão, o ministro também revogou a necessidade de os investigados usarem tornozeleira eletrônica e derrubou a proibição de que eles entrassem em contato com outros investigados e ficassem proibidos de viajar para fora do país.

Aécio, Andrea, Frederico e Mendherson foram denunciados por suspeita do crime de corrupção, após executivos da JBS fecharem um acordo de delação premiada e entregarem gravações de Aécio pedindo R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo.

A defesa de Aécio afirma que o valor foi um empréstimo pessoal e que não houve irregularidade.

Andrea, Frederico e Mendherson chegaram a ser presos, em maio, no curso das investigações, mas desde 20 de junho estavam em prisão domiciliar por decisão da 1ª Turma do STF, da qual participa o ministro Marco Aurélio, relator do processo.

O Supremo ainda não julgou se recebe a denúncia da PGR contra Aécio, o que significa que o senador e os outros investigados ainda não se tornaram réus no processo.

Após o recebimento da denúncia é que se instaura oficialmente um processo em que os réus serão julgados.

Entenda o processo

Aécio passou a ser investigados a partir da delação premiada de executivos da JBS. O diálogo em que Aécio pede o dinheiro a Joesley foi gravado secretamente pelo empresário, que fechou acordo de colaboração premiada.

A Polícia Federal rastreou que parte desse valor foi entregue por um executivo da JBS ao primo de Aécio, Frederico, que repassou o dinheiro a Mendherson.

Joesley afirma em sua delação que também tratou dos R$ 2 milhões com Andrea.

A investigação da JBS levou à apresentação de denúncia contra Aécio por corrução e obstrução de Justiça e à instauração de um novo inquérito contra o senador para apurar novas suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro, também a partir das investigações iniciadas com a delação da JBS.

O que diz Aécio

O advogado de Aécio, Alberto Zacharias Toron, afirmou, em nota, que a defesa do senador "refuta integralmente" o teor da denúncia e disse ver uma "inexplicável pressa" da PGR em apresentar a acusação, oferecida antes de o senador ser ouvido para prestar esclarecimentos.

Segundo Toron, a conversa entre Aécio e Joesley trata do oferecimento da compra de um imóvel da família do senador, recusada pelo empresário da JBS que, em troca, teria oferecido um empréstimo pessoal a Aécio.

O advogado diz que o diálogo não indica suspeitas de nenhum crime e que os próprios delatores da JBS afirmam não ter sido beneficiados pela atuação de Aécio no Senado.

O advogado de Andrea, Marcelo Leonardo, também afirma que a irmã do senador apenas ofereceu a venda de um imóvel ao empresário da JBS.

'Tem que ser um que a gente mata antes de delatar', diz Aécio sobre quem pegaria dinheiro da JBS

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