Operação Lava Jato

Prefeito de Porto Alegre pede a Temer apoio de Exército no dia de julgamento de Lula

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

  • Pedro Ladeira/Folhapress

O prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan (PSDB), solicitou nesta quarta-feira (3) ao presidente Michel Temer (PMDB) a presença de tropas da Força Nacional Segurança e do Exército na capital gaúcha no dia do julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), marcado para 24 de janeiro.

A defesa do petista solicitou ao TRF-4, que é a segunda instância da Lava Jato de Curitiba e fica localizado em Porto Alegre, que o ex-presidente seja ouvido durante o julgamento, mas o pedido ainda não foi apreciado pelos desembargadores do tribunal.

O próprio Lula já comunicou ao partido que vai à capital gaúcha mesmo se não for ouvido. Ele deve chegar no dia 22 ou 23 e participar das manifestações preparadas pelo PT.

Através das suas redes sociais, o prefeito tucano divulgou nesta quinta-feira (4) a íntegra do ofício enviado ao Palácio do Planalto em que solicita a presença das tropas para "auxiliar na segurança da população e proteção dos próprios públicos, em razão do eminente perigo à ordem pública e à integridade dos cidadãos porto-alegrenses".

No documento, Marchezan pede o apoio considerando "a ameaça de ocupação de espaços públicos municipais pelos diversos movimentos sociais", a "menção à desobediência civil e luta propugnadas nas redes sociais por alguns políticos, inclusive senadores da República", e o fato de o TFR-4 ficar dentro de um parque municipal.

A Justiça Federal do Rio Grande do Sul já havia proibido que manifestantes acampassem no parque Maurício Sirotski Sobrinho (Parque Harmonia), que é vizinho à sede do TRF-4, em decisão a uma ação do MPF-RS (Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul) movida contra o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra).

Não foram proibidas manifestações nas proximidades do TRF-4. "A determinação judicial é para controlar o acesso de modo a assegurar a normalidade do trânsito de pessoas e veículos no entorno do Tribunal, garantido o direito de manifestação no Parque da Harmonia", destacou a Justiça, em nota.

A Presidência da República afirmou ter protocolado o ofício do tucano na manhã desta quinta-feira (4) e que o pedido será analisado pelos Ministérios da Defesa e da Justiça, responsáveis pelo Exército e pela Força Nacional de Segurança, respectivamente. 

O Tribunal vai julgar Lula no chamado caso tríplex da Operação Lava Jato, no qual ele já foi condenado em primeira instância pelo juiz federal Sergio Moro, da Justiça Federal do Paraná, a 9 anos e 6 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A defesa de Lula recorreu da sentença, mas se ela for confirmada pelos desembargadores do TRF-4, que compõem a segunda instância, Lula pode ficar impedido de disputar as eleições presidenciais de 2018 e até mesmo ser preso. Lula lidera as pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República em 2018.

Além dos atos em Porto Alegre, o PT prepara uma série de eventos que terá início no dia 13, com um "dia nacional de mobilização" que vai até o dia seguinte ao julgamento (25).

Os comitês de mobilização que o PT criou nos Estados para o julgamento também estão se preparando para organizar protestos em todo o país caso Lula seja condenado em decisão unânime, o que tornaria a candidatura dele praticamente inviável.

Nesta quinta-feira, a presidente do PT, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), se manifestou contra o ofício enviado por Marchezan a Temer também por meio das redes sociais.

Na postagem, ela diz ser inacreditável a atitude do prefeito. "É muito medo do povo. Primeiro o MPF do RS e agora esse prefeito?!Força Nacional e Exército?! Quem está destruindo o patrimônio público e agredindo o cidadão é o governo golpista apoiado por vocês", disse por meio da sua conta no Twitter.

Nas duas vezes em que Lula foi interrogado pela Justiça na Lava Jato, em Curitiba, também houve mobilizações de apoio ao ex-presidente. Em setembro do ano passado, ao chegar para depor, Lula passou por um corredor formado por militantes do MST. Em maio, os trabalhadores sem-terra acamparam em um terreno na capital paranaense.

Assim como acontece agora em Porto Alegre, a área no entorno do prédio da Justiça Federal de Curitiba também foi isolada nos dois interrogatórios de Lula.

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