Delegado vai ouvir sindicalista baleado em acampamento pró-Lula no PR

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Facebook

    O sindicalista Jefferson Menezes, baleado no pescoço em ataque a tiros contra o acampamento montado em Curitiba para apoiar o ex-presidente Lula

    O sindicalista Jefferson Menezes, baleado no pescoço em ataque a tiros contra o acampamento montado em Curitiba para apoiar o ex-presidente Lula

O delegado Fábio Amaro, chefe do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) em Curitiba, afirmou neste domingo (29) que o autor dos disparos que feriram dois militantes em Curitiba, na madrugada de sábado (28), ainda não foi identificado. O ataque a tiros aconteceu no acampamento de pessoas contrárias à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no bairro Santa Cândida, a menos de 1 km da sede da Polícia Federal, onde o petista está preso desde o último dia 7.

Amaro chefia o inquérito instaurado ontem. Além da coleta de imagens de câmeras de segurança próximas ao local dos disparos, o delegado ouviu testemunhas --entre as quais, vizinhos e dois integrantes do acampamento-- e uma das vítimas, a advogada Márcia Koakoski, 42.

Ele deve ouvir, assim que a equipe médica liberar, o sindicalista Jéfferson Lima de Menezes, 38, presidente do Sindicato dos Motoboys de Santo André (Grande São Paulo). Ele está internado no Hospital do Trabalhador, na capital paranaense, em função de um tiro, de raspão, no pescoço.

Em entrevista ao UOL, o policial afirmou que novos depoimentos devem ser tomados até a próxima quarta-feira (2), mas preferiu não dizer quais, além da vítima internada.

"É um trabalho de formiguinha em que as pessoas serão ouvidas --inclusive a segunda vítima, ainda hospitalizada", afirmou.

Menezes está internado com quadro estável, mas sem previsão de alta. Ele atuava na equipe de seguranças voluntários do acampamento momento em que houve o ataque --pouco antes das 4h, efetuado por um homem, a pé, que foi até o local em um carro do tipo sedan. Imagens de câmeras de segurança divulgadas ontem pela polícia mostram o momento em que o rapaz atira contra os militantes.

A perícia localizou seis cápsulas de pistola calibre 9 mm no local.

Imagens mostram suspeito atirando contra acampamento pró-Lula em Curitiba

Militante hospitalizado faz aniversário amanhã

A presidente da CUT-PR (Central Única dos Trabalhadores no Paraná), Regina Cruz, afirmou que desde ontem à tarde um carro da Polícia Militar faz a ronda na região do acampamento. Ela lembrou o episódio do ataque ao ônibus da caravana de Lula pelo Sul, também no Paraná, ainda sem solução após um mês do ocorrido. Regina participava da caravana, mas estava em outro veículo.

"Desde a caravana de Lula vêm ocorrendo várias outras situações de jogarem pedras nos acampados, fora os xingamentos. Mas o pior é quando a agressividade chega ao ponto de alguém usar uma arma letal --aí é mesmo para se investigar como tentativa de homicídio", disse.

De acordo com a dirigente, que é ligada ao setor de segurança privada, a organização do acampamento está realizando orçamento com empresas para instalação de câmeras de vigilância no acampamento, inclusive com identificação de cenas noturnas e de longo alcance.

"Acredito que a polícia queira esclarecer logo esse caso até em função da cobrança dos veículos de comunicação sobre as investigações e também nossa, que somos de movimentos sociais [Regina é também da Frente Brasil Popular no estado]. Esperamos que isso não fique impune com o ataque à caravana de Lula e nem o assassinato da [vereadora] Marielle Franco [no Rio, em 14 de março passado]. Houve um atentado a mão armada."

Regina contou que o militante hospitalizado faz aniversário amanhã.

"Ele preside um sindicato e estava ali [no acampamento] como militante. Temos uma equipe de seguranças voluntários que se reveza, ele estava nela", afirmou. "É um negro que luta pelos direitos dos trabalhadores e que amanhã faz aniversário. A gente espera que ele fique bom logo. Ele está bem, fora de perigo, mas, como o tiro foi na região da cabeça, estão sedando para ele não se mexer e cuidando dele de uma forma especial", contou.

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