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Pai de dono diz que Lula quis comprar sítio porque "usava mais", mas oferta foi recusada

Vista aérea do sítio em Atibaia (SP), frequentado por Lula e sua família - 5.fev.2016 - Jorge Araujo/Folhapress
Vista aérea do sítio em Atibaia (SP), frequentado por Lula e sua família Imagem: 5.fev.2016 - Jorge Araujo/Folhapress

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

21/06/2018 21h38

Frequentador assíduo do sítio de Atibaia (SP), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quis comprar a propriedade por usá-la mais do que um dos seus donos, Fernando Bittar, e sua família. A oferta, no entanto, gerou desentendimentos entre os Bittar e acabou sendo recusada.

A afirmação é de Jacó Bittar, amigo de Lula, ex-prefeito de Campinas e pai de Fernando, e consta em uma declaração autenticada em cartório anexada aos autos do processo do sítio na noite desta quarta (20) pela defesa do ex-presidente. No documento, Jacó relata as relações entre as famílias Bittar e Silva e o sítio.

“A partir de 2014, o Lula teve algumas conversas comigo e com o Fernando dizendo que queria comprar o sítio porque o usava mais do que nós e se sentia constrangido com a situação. Eu sempre fui contra a venda e disse que eles poderiam usar o quanto quisessem e que isso me deixava feliz”, afirma.

Ele ainda diz que Fernando chegou a negociar com Lula e a ex-primeira-dama Marisa Letícia a venda do sítio. “Isso gerou uma briga na nossa família, porque eu não concordava com a venda”, conta Jacó.

A ação penal investiga se Lula recebeu cerca de R$ 1 milhão das empresas Odebrecht, OAS e Schahin por meio de obras feitas na propriedade, que era frequentada por ele e sua família. O MPF (Ministério Público Federal) diz que o sítio, registrado em nome de outras pessoas, pertence, na verdade, ao ex-presidente. A defesa de Lula nega.

Arrolado como testemunha no processo pela defesa de Lula, Jacó Bittar é portador de doença de Parkinson em estágio avançado. A defesa de Fernando alega que Jacó não se encontra em condições de prestar depoimento ao juiz Sergio Moro e solicitou que sua oitiva fosse substituída pela entrega de declarações por escrito. O MPF, no entanto, já se opôs ao pedido.

Ideia era que Lula e Marisa frequentassem sítio "desde o início"

No documento, Jacó Bittar relata ter conhecido Lula em 1978, quando o petista era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e ele era presidente do Sindicato dos Petroleiros de Campinas. Diz ainda que, após os dois terem participado da fundação do PT, se tornaram grandes amigos e que suas famílias convivem “intensamente” desde então. “Tenho os filhos do Lula como se fossem meus próprios filhos e sei que ele tem o mesmo sentimento e relação com meus filhos”, conta o ex-prefeito na manifestação anexada ao processo.

Jacó afirma que a ideia de comprar um sítio “perto de São Paulo” partiu dele, após superar um quadro de depressão por ter sido diagnosticado com Parkinson, em 2009. Segundo o ex-prefeito de Campinas, a intenção era reunir a família e os amigos próximos.

“Desde o início, minha ideia era que o Lula e a Marisa [Letícia, ex-primeira-dama] frequentassem o sítio com total liberdade, assim como meus filhos. Meu objetivo era ter um lugar de uso comum para todos”, diz.

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Jacó diz também ter doado para Fernando um valor que recebeu “por causa da anistia política” para que fosse efetuada a compra do sítio, e que tudo está declarado em seu imposto de renda.

Segundo ele, Marisa Letícia foi uma das primeiras pessoas a saber que o sítio havia sido encontrado e comprado.

“Eu mesmo contei para ela e ofereci [o sítio] para abrigar parte das coisas que eles tinham ganhado durante o mandato”, diz. De acordo com ele, Lula não estava nessa conversa e não soube da aquisição do sítio naquele momento.

Jacó afirma então que Marisa Letícia dizia que queria “fazer uma surpresa” para Lula sobre a existência de um lugar “que foi concebido para que nossas famílias frequentassem juntas”. Ele também diz que ficou a cargo da ex-primeira-dama providenciar um galpão para estocar as coisas, que não cabiam na casa.

“Demos total liberdade para ela, que ficou responsável por tocar essa questão, tanto na parte operacional, como na questão financeira. Não sei maiores detalhes de quem fez a obra porque não fui ao sítio nesse período”, diz.

Na luta contra o câncer, Lula passou "longos períodos" no sítio

Jacó afirma que quando Lula teve câncer, em 2012, foi oferecido a ele que ficasse no sítio para fazer seu tratamento. Na ocasião, diz Jacó, Lula passou “longos períodos” no local.

O ex-prefeito de Campinas afirma que, na época, “já ia menos ao sítio” devido a sua dificuldade de andar, e que seus filhos também diminuíram a frequência de idas à propriedade. “O Lula e a família dele, com a nossa anuência e incentivo, continuaram frequentando regularmente. A Marisa sempre gostou muito do sítio e adorava Atibaia”, diz.

Jacó afirma que, apesar de Lula e sua família utilizarem o sítio, “a propriedade sempre foi da minha família e o sítio sempre foi administrado pelo Fernando”.

“As idas frequentes e bem-vindas do Lula e da Marisa são decorrentes de uma amizade iniciada há quatro décadas e do relacionamento íntimo que temos”, diz. “Lamento profundamente que esse sítio tenha sido utilizado para acusar meu filho e meu amigo”, conclui.

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