Operação Lava Jato

Moro teria "alta probabilidade" de ser o presidente eleito se quisesse, diz Deltan

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

  • Andre Penner/AP

    Para procurador, Moro não concorrer em 2018 prova que ele não tinha aspiração política

    Para procurador, Moro não concorrer em 2018 prova que ele não tinha aspiração política

O juiz Sergio Moro teria "alta probabilidade de êxito" de ser, hoje, o presidente eleito do Brasil, na avaliação de Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público no Paraná. Ele fez a afirmação ao UOL na tarde desta quinta-feira (1º) para demonstrar que o magistrado não teve nenhuma "aspiração política" durante a condução dos processos da operação e no fato de assumir o Ministério da Justiça no futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL).

A alegação de que o juiz atuou de modo parcial não tem qualquer amparo na realidade", disse Deltan à reportagem. "Se o juiz tivesse aspiração política, poderia ter concorrido nas eleições com alta probabilidade de êxito para qualquer cargo a que aspirasse, até mesmo presidente

Críticos de Moro, como o advogado Antonio Carlos de Almeida Kakay, dizem que ele é um "ativista político" que se assumiu agora. O PT também endossou reprovações semelhantes. Para eles, uma das provas seria o fato de Moro tirar o sigilo da colaboração premiada do ex-ministro Antonio Pallocci com denúncias ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a uma semana do primeiro turno das eleições. Outra razão seria ter divulgado o grampo telefônico entre a então presidente Dilma Rousseff e Lula e ter julgado o caso do triplex do petista sem ter competência para isso.

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Deltan discorda totalmente. "É evidente que advogados buscarão criar argumentos para anular processos, esse é o trabalho deles", ponderou. Mas ele entende que a colaboração de Palocci atendeu a interesses da defesa. "A publicidade de um dos mais de dez termos de colaboração do Palocci aconteceu para garantir o direito de defesa e evitar a anulação do processo - se houvesse intenção política, seria levantado o sigilo sobre inúmeros termos e não só aquele que interessava ao processo, o que poderia ter sido feito."

Para ele, "sempre haverá pessoas dispostas a atirar pedras na Lava Jato pelos mais variados interesses, inclusive escondendo o contexto para dar a fatos a interpretação que se pretende". No entanto, ele elogia a atitude de Moro ao aceitar o cargo de ministro oferecido por Bolsonaro. "O que vejo é alguém já provado e aprovado na sua dedicação à causa pública que está se dispondo a contribuir ainda mais para seu país."

Medidas anticorrupção

Antes de conversar com o UOL, Deltan publicou um texto no Facebook elogiando o fato de Moro ter entrado dentro do avião hoje cedo com o pacote de "Novas Medidas Contra a Corrupção". A campanha de Bolsonaro não quis assinar compromisso com o documento, como revelou o UOL. Deltan, apoiador da campanha, gostou do que viu.

"A foto é emblemática: o pacote das Novas Medidas Contra a Corrupção estava em suas mãos na viagem ao encontro do presidente eleito", afirmou o procurador na rede social.

Moro não quis revelar ao UOL se discutiu a aplicação do pacote das "Novas Medidas Contra a Corrupção" com Bolsonaro na manhã de hoje. O juiz disse apenas que concederá uma entrevista coletiva na semana que vem explicando temas como esse.

Deltan disse no Facebook que a Lava Jato seguirá bem em Curitiba mesmo sem Moro. "A Lava Jato seguirá com outros magistrados", afirmou. "Há ainda bastante por fazer e será feito. Perde-se o grande talento de um juiz, mas a maior parte da equipe seguirá firme lutando contra a corrupção, como profissionais, na operação, e como cidadãos."

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