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Haddad diz ser "estranho" juiz entrar em governo que "ajudou a construir"

25.out.2018 - Fernando Haddad (PT) - Andre Penner/AP
25.out.2018 - Fernando Haddad (PT) Imagem: Andre Penner/AP

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

29/11/2018 23h35

O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT-SP) disse nesta quinta-feira (29) ser “no mínimo estranho” o fato de o ex-juiz federal Sergio Moro ter aceitado o cargo de ministro no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

Haddad, que perdeu para o pesselista no segundo turno das eleições presidenciais deste ano, deu as declarações durante evento do The People's Forum, em Nova York, nos EUA, intitulado “What Went Wrong When Brazil Went Right?” (em tradução livre: O que aconteceu de errado quando o Brasil foi para a direita?).

“Não gosto muito de fulanizar, mas é no mínimo estranho alguém deixar de ser juiz para se tornar ministro num governo que, na função de juiz, ele ajudou a construir”, disse sem mencionar o nome de Moro, ao responder uma pergunta relacionada à politização do judiciário.

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Principal nome da operação Lava Jato e juiz responsável pela condenação em primeira instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Moro pediu exoneração como juiz, cargo que ocupou por 22 anos, para ser ministro da Justiça e da Segurança Pública do governo Bolsonaro.

A condenação de Lula foi confirmada na segunda instância e o levou a ser preso em abril deste ano, além de impedi-lo, pela Lei da Ficha Limpa, de concorrer à eleição. Em pesquisas realizadas antes da campanha, o petista liderava as intenções de voto para a corrida presidencial.

Durante o evento desta quinta-feira, Haddad também disse que gostaria de saber se houve algum encontro secreto entre Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, porque até agora, segundo ele, o pesselista tem dito o que vai fazer “a favor dos EUA”, mas a reciproca não é verdadeira, algo que ele considera estranho em relações diplomáticas.

“O Brasil nunca se alinhou automaticamente, nem na Segunda Guerra Mundial, em que só entrou após saber as vantagens que teria se mandasse tropas para a Europa. Diplomacia funciona assim, parece que no Brasil perdemos essa visão”, disse.

O petista arrancou risadas da plateia quando contou que no Brasil é comum as pessoas mandarem as outras irem para Cuba e serem chamadas de comunistas. “É comum os ciclistas serem chamados de comunistas pelos motoristas, é comum gente ser xingada e ser mandada ir pra Cuba”, disse ao ser questionado como estava o Brasil pós-eleições presidenciais.

Haddad disse ainda durante a conversa que “ninguém se auto-intitula líder” ao ser questionado se ele viria a ocupar esse papel na centro-esquerda brasileira.

“O que eu posso te dizer é que vou estar disponível e com todas as minhas energias para defender a democracia. Eu estou aqui por isso, vim me inspirar na experiência de vocês, vim compartilhar a minha experiência, mas vim me inspirar na de vocês. Vocês têm dois anos na nossa frente [referindo-se às eleições de Trump, em 2016, e de Bolsonaro, em 2018]. Quero aprender o que aconteceu aqui para discutir com meus companheiros da centro-esquerda e da esquerda”, disse.

Haddad está em viagem pelos Estados Unidos anunciada por ele na semana passada. O ex-prefeito foi convidado a participar do lançamento de uma coalizão internacional progressista idealizada pelo senador americano Bernie Sanders e pelo ex-ministro das Finanças da Grécia Yanis Varoufakis, dia 1º de dezembro, em Nova York.