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Haddad diz que prisão é penosa para qualquer um e que Lula sente o peso

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

22/11/2018 20h10Atualizada em 22/11/2018 21h02

O ex-candidato à Presidência da República Fernando Haddad (PT) afirmou nesta quinta-feira (22) que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) "sente o peso" da sua prisão.

Desde o dia 7 de abril, Lula está preso em Curitiba, cumprindo pena de 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá (SP), da Operação Lava Jato.

"O presidente, enfim, ninguém passa incólume 230 dias. É penoso para qualquer pessoa. Para ele também. Mas a gente tem que estar aqui dando força e mostrando que a luta continua”, declarou Haddad a militantes que acampam em um terreno alugado em frente à sede da Polícia Federal, em Curitiba, onde o petista está preso.

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Haddad visitou Lula na tarde desta quinta junto à senadora e presidente do PT, Gleisi Hoffmann. Pressionado pela militância a dar mais informações sobre Lula, o ex-prefeito de São Paulo afirmou: "Ele sente o peso [da prisão], tem momentos de mais euforias, de mais esperança, tem momentos... Mas assim, o Lula é um gigante, é um homem com uma capacidade de... É uma disposição impressionante".

"Às vezes ele brinca com a gente, né, Gleisi?”, continuou, direcionando-se à presidente do partido. "Hoje mesmo brincou: ‘não fica dizendo que eu estou muito bem, não, senão o povo acredita e tal. Tem dia que eu não estou’”, disse Haddad, que buscou amenizar em seguida: "Mas é a força de uma pessoa que tem força até para dizer que não está bem".

Já Gleisi declarou: "Claro, o Lula é uma pessoa forte, aguerrida, mas é um ser humano. Obviamente que você ficar na situação em que ele está tem consequências. Tem consequências emocionais, físicas, de saúde”.

Em seguida, emendou: “Então, a gente também fica muito preocupado com ele. E por isso a importância de vocês estarem aqui”.

Mudança no discurso

Esta foi a primeira vez desde a prisão do petista que quem o visitou não adotou um discurso padrão: o de que Lula está "bem", mas "indignado" com sua prisão ou "preocupado" com a situação do país.

A mudança no discurso acontece após o segundo interrogatório de Lula na Lava Jato, no caso do sítio de Atibaia (SP), realizado no dia 14 de novembro. Foi a primeira vez desde sua prisão que o ex-presidente deixou a sede da Polícia Federal.

A audiência foi marcada por momentos de tensão entre Lula e a juíza federal Gabriela Hardt, que substituiu o ex-juiz Sergio Moro aceitar um ministério no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

Mais de uma vez, a juíza direcionou reprimendas a Lula. Logo no início do interrogatório, o ex-presidente a questionou sobre a acusação. “Eu sou dono do sítio ou não?”, perguntou. “Se o senhor começar nesse tom comigo, a gente vai ter um problema”, respondeu Hardt.

A imagem de Lula envelhecido no interrogatório teria impressionado juízes de tribunais superiores em Brasília. Eles teriam voltado a discutir uma eventual prisão domiciliar ao ex-presidente, embora a possibilidade seja considerada remota. 

Nesta semana, a defesa de Lula sofreu ainda mais um revés na Lava Jato. Após uma negativa de Hardt, o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) também não permitiu que Lula fosse novamente interrogado no processo que investiga se o ex-presidente seria beneficiado com um terreno comprado pela Odebrecht para a construção de uma nova sede do Instituto Lula.

O ex-presidente também pode conhecer outras duas sentenças da Lava Jato em breve. Desde o dia 5 de novembro, o processo do instituto está concluso para decisão. Já o processo do sítio em Atibaia pode render a Lula uma nova condenação ou absolvição a partir de janeiro de 2019, após o término de prazos processuais estipulados por Hardt.

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