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Pezão passa noite em sala monitorada e recebe pão com manteiga no café

Fábio Motta - 29.nov.2018/Estadão Conteúdo
Pezão chega a Niterói, onde está preso em uma sala especial da PM Imagem: Fábio Motta - 29.nov.2018/Estadão Conteúdo

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

30/11/2018 10h43

O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (MDB), preso nesta quinta-feira (29) pela Polícia Federal, passou a primeira noite na prisão em uma sala individual (de 3 metros por 4 metros), sem grades e monitorado por câmeras de segurança.

O espaço conta com cama, prateleira e mesa. Uma divisória separa o dormitório do banheiro, que conta com pia, vaso sanitário e chuveiro.

No seu primeiro café da manhã preso, Pezão recebeu pão com manteiga e café com leite servidos no refeitório, mesmo cardápio dos demais detentos da unidade prisional da Polícia Militar, em Niterói, na região metropolitana do Rio.

O governador foi beneficiado com a sala de estado maior, por ter sido preso durante o exercício do cargo. Ele chegou ao local na tarde de quinta-feira após prestar depoimento na sede da Polícia Federal, na zona portuária do Rio e passar por procedimento de triagem.

No dia 1º de janeiro, ao fim do mandato, Pezão deverá ser transferido de unidade.

Ontem, ao chegar no presídio, o governador teve direito a uma refeição noturna: arroz ou macarrão, feijão, farinha, carne, legumes, salada, sobremesa e refresco. Ao todo, quatro refeições serão oferecidas por dia.

De acordo com a Polícia Militar do Rio, responsável pela administração do presídio, o governador terá que participar todos os dias do hasteamento da bandeira que acontece às 8h e 18h, assim como os demais presos.

Pezão também terá que fazer trabalhos no interior da unidade como cuidados com horta. O governador do Rio terá direito a banho de sol e poderá participar de atividades físicas.

Após o período de 40 dias, visitas serão permitidas uma vez por semana, exceto de advogados que já têm acesso ao cliente e terão que respeitar os horários estipulados para atendimento.

De acordo com a PM, um scanner foi instalado para monitoramento de presos e visitantes, sem necessidade de revista manual nas entradas.

Com a prisão de Pezão, o vice-governador Francisco Dornelles (PP) assumiu o cargo. Ele já havia assumido em 2016 quando o governador precisou se ausentar por 7 meses para tratamento de um câncer.

Prisão no Palácio Laranjeiras

O governador do Rio foi preso ontem às 6h no Palácio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro, localizado no bairro de Laranjeiras, na zona sul da cidade.

De acordo com as investigações, além de integrar o esquema de propina do ex-governador Sérgio Cabral (MDB), preso em 2016, Pezão desenvolveu mecanismos próprios de desvios com a saída do ex-governador do cargo.

Em depoimento, Pezão negou ter recebido propina de empreiteiros ou mesada de Cabral. Ele afirmou que a única coisa que recebeu do ex-governador foi um sistema de som, em 2008, como presente de aniversário.

As informações sobre o depoimento foram dadas pelo advogado Flávio Mirza, que representa o emedebista, ao jornal “Folha de S.Paulo”.

O pedido de prisão preventiva --sem prazo-- foi feito pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

Pezão é acusado de receber mais de R$ 25 milhões (R$ 39,1 milhões em valores atualizados) em propina entre 2007 e 2015, segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República).

Em entrevista coletiva, Dodge disse que a prisão de Pezão foi necessária pois a investigação apontou que o esquema de lavagem de dinheiro estava em curso.