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Operação Lava-Jato

Prisão de Pezão foi necessária pois crimes estavam em curso, diz Dodge

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

29/11/2018 09h42

  • Governador do Rio, Pezão foi preso nesta quinta em operação da PF
  • Vice, Francisco Dornelles assume o governo do Rio
  • Para PGR, há indícios de que Pezão recebeu propina  durante governo
  • Pezão ficará detido em sala especial da prisão da PM em Niterói
  • Futuro governador, Witzel diz que prisão não afetará transição

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou nesta quinta-feira (29) que a prisão do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB), foi necessária pois a investigação apontou que o esquema de lavagem de dinheiro comandado pelo político ainda estava em curso.

Segundo Dodge, que fez o pedido de prisão, a maior facilidade de ocupantes de cargos públicos para ocultar os bens de origem ilícita também pesou na decisão. O mandato de Pezão termina este ano.

"O que se percebe é que um dos crimes em curso é o crime de organização criminosa e as informações coligidas pela autoridade policial, pela força tarefa da Lava Jato no Rio e em Brasília são no sentido de que essa organização criminosa continua atuando, especialmente em relação à lavagem de dinheiro", disse a procuradora.

"A lavagem de dinheiro é o crime que se pratica após o crime de corrupção e que consiste em ocultar ou dissimular onde o dinheiro desviado está. Isso, pelas informações reunidas nessas investigações, continua a ser feito", afirmou Dodge.

O mandado de prisão foi expedido pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), sob a relatoria do ministro Félix Fischer. Como a prisão é preventiva, Pezão deve ficar detido por tempo indeterminado. Ele é investigado pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção.

De acordo com as investigações, Pezão teria recebido mais de R$ 25 milhões (R$ 39,1 milhões em valores atualizados) entre 2007 e 2015

Severino Silva/Agência O Dia/Estadão Conteúdo
Pezão foi preso nesta quinta-feira (29) pela PF Imagem: Severino Silva/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

Dodge concedeu entrevista coletiva a jornalistas na manhã desta quinta-feira. A procuradora disse que não poderia dar detalhes sobre as suspeitas pois o processo está sob sigilo judicial.

Para a procuradora, a prisão dos investigados é importante para facilitar a recuperação aos cofres públicos dos valores desviados.

"O dinheiro desviado por atos de corrupção e escondido por atos de lavagem de dinheiro precisa retornar aos cofres públicos, porque esse é um dinheiro oriundo de impostos cobrados da população. E é por essa razão que crimes dessa natureza são extremamente graves", disse Dodge.

A procuradora afirmou ainda que há indícios de que Pezão teria assumido a liderança do esquema de corrupção no governo do Rio, originado ainda na gestão de Sérgio Cabral (MDB), ex-governador que comandou o estado de 2007 a 2014. Cabral está preso desde 2016.

"Há indícios de que Pezão recebeu propina após assumir"

Segundo o procurador regional da República Leonardo de Freitas, as investigações reuniram indícios de que Pezão continuou a receber propina de empresas investigadas no esquema após assumir o governo do estado, em 2014.

"É possível dizer que a gente tem elementos que [mostram que] os pagamentos continuavam mesmo após o senhor Luiz Fernando Pezão ter assumido o governo do Estado do Rio de Janeiro", afirmou na entrevista.

De acordo com Freitas, depoimentos de delatores na investigação apontam que a propina recebida por Pezão teria principalmente duas fontes, uma "mesada" recebida quando ele ainda era vice-governador de Cabral e pagamentos ilícitos de empresas de transporte público

"Há indícios de que Pezão recebeu propina no governo"

UOL Notícias

Quarto governador preso no Rio

Pezão foi preso por volta das 6h desta quinta-feira dentro do Palácio das Laranjeiras, sede do governo fluminense. Ao todo, foram expedidos nove mandados de prisão preventiva.

Ele é o quarto governador do Rio de Janeiro preso e o primeiro em cumprimento do mandato --Cabral e o casal Anthony e Rosinha Garotinho são os outros três. Também foram detidos, anteriormente, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (MDB), e vários parlamentares da Casa.