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Onyx pede trégua à imprensa mas abandona entrevista após questão sobre Coaf

Guilherme Mazieiro

Do UOL, em São Paulo

2018-12-07T16:58:57

2018-12-07T22:23:13

07/12/2018 16h58Atualizada em 07/12/2018 22h23

O futuro ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PSL), Onyx Lorenzoni (DEM) abandonou uma entrevista coletiva, nesta sexta-feira (7), após ser questionado sobre as investigações do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). O órgão de controle apontou movimentação financeira atípica de um ex-assessor do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL).

"Setores estão tentando destruir a reputação do senhor Jair Messias Bolsonaro. No Brasil, a gente tem que saber separar o joio do trigo. Nesse governo é trigo. (...) Onde é que estava o Coaf no mensalão, no petrolão?", disse ele em pergunta retórica.

Questionado sobre as suspeitas levantadas pelo Coaf, o ministro respondeu: “Eu lá sou investigador? Qual é a origem do dinheiro? Quanto o senhor [repórter que havia feito a pergunta] recebeu este mês?”, disse Onyx, repetindo a pergunta. Em seguida, Lorenzoni abandonou entrevista coletiva. 

Momento antes, durante palestra a empresários, ele havia dito pedido uma “trégua à imprensa”.

“O mínimo que a imprensa tem e fazer é respeitar a vontade popular e deixar [que possamos] construir o plano de governo. A partir de 1º de janeiro, pode criticar mas, agora, por favor, uma trégua pelo bem do nosso país”, disse.

Segundo o ministro, a vontade da maioria da população está fora da imprensa, “está nas ruas”. “E a população escolheu o caminho da esperança”.

Após abandonar a coletiva às pressas puxado por assessores, convidados que estavam no evento abordaram jornalistas para saber o que tinha motivado a movimentação do ministro. “Vimos que ele subiu o tom e saiu depois. Foi por causa de uma pergunta?”, questionou ao UOL um empresário que preferiu não se identificar.

A investigação do Coaf apontou que o ex-assessor do vereador Flavio Bolsonaro (PSL), policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz, movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.

Uma das transações apontadas seria um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

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