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Onyx prega "humildade" em gesto à oposição; Bebianno vê postura "atrasada"

O novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, e o novo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, durante a cerimônia de transmissão de cargo dos novos ministros que trabalharão no governo do presidente Jair Bolsonaro - DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO
O novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, e o novo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, durante a cerimônia de transmissão de cargo dos novos ministros que trabalharão no governo do presidente Jair Bolsonaro Imagem: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

Luciana Amaral e Marina Motomura

Do UOL, em Brasília

02/01/2019 11h47

O primeiro dia útil do governo Bolsonaro começou com pedidos de diálogo e acenos à oposição nos discursos oficiais. No entanto, em entrevistas após a cerimônia de transmissão de cargo, os novos ministros divergem sobre como se aproximar de partidos como PT e PSOL.

Nesta quarta-feira (2), foram empossados oficialmente os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil), General Heleno (GSI), Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência) e general Santos Cruz (Secretaria de Governo).

Após o evento, Onyx, que já havia pedido um "pacto de amor pelo Brasil" à oposição em seu discurso oficial, voltou a dizer que o governo de Jair Bolsonaro (PSL) tem que se aproximar de partidos opositores.

"A eleição tem que ser superada e o entendimento tem que surgir", declarou o novo ministro-chefe da Casa Civil a jornalistas.
Segundo ele, a união é necessária para unir o país e, segundo ele, o aceno à oposição foi combinado com o presidente Bolsonaro. "Todos os países do mundo tiveram a maturidade e a humildade de propor um pacto pelo país. Eu conversei com presidente hoje pela manhã. Então nos cabia fazer o primeiro gesto", declarou.

O general Santos Cruz, novo ministro da Secretaria de Governo, foi sucinto ao ser questionado da aproximação com os adversários políticos. "Harmonia governamental é fundamental. Integração é um aspecto fundamental para o funcionamento do governo", declarou a jornalistas após a cerimônia.

Já Gustavo Bebianno, novo comandante da Secretaria-Geral da Presidência, adotou um tom menos pacificador e classificou a postura de partidos como PT e PSOL, que anunciaram na semana passada boicote à cerimônia de posse de Bolsonaro, como "atrasada".

"A oposição feita de modo geral pelo PT e pelo PSOL são negativas [sic], não se visam os interesses da nação e sim os interesses do partido. São partidos que se colocam acima da nação brasileira. Enquanto governo, tiveram uma atuação lamentável, conduziram o país para uma situação caótica. É uma pena que enquanto oposição voltem a se comportar dessa maneira, atrasada, não leva a nada", declarou.

Apesar de agora pregar o diálogo através de seus ministros, no último dia 20 de dezembro, por meio das redes sociais, Bolsonaro ironizou à formação de um bloco de partidos de oposição. "PDT, PSB e PCdoB confirmam bloco de oposição a Bolsonaro na Câmara. Se me apoiassem é que preocuparia o Brasil", disse o presidente eleito. "Não darei a eles o que querem!." 

Já o PT, apesar de não formar o bloco, elegeu a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 57 parlamentares.
Bolsonaro participou da cerimônia nesta manhã, mas não falou com a imprensa. 

Após segurança reforçada na posse, Planalto tem dia "normal"

Menos de 12 horas após a posse de Bolsonaro, cujo esquema de segurança foi reforçado, o salão nobre do Planalto já estava lotado de convidados novamente, entre civis e militares - nem todos fardados. A estrutura foi mantida para a cerimônia e não se diferenciou do modelo praticado nos eventos do governo do ex-presidente Michel Temer (MDB).

Embora haja uma preocupação maior em relação à segurança desde o governo de transição, nesta quarta, o raio-x para a inspeção de bolsas e mochilas na garagem do Planalto, por onde passam funcionários e pessoas com crachás de livre acesso ao prédio, estava quebrado e os objetos que entravam não eram revistados.

A solenidade de transmissão de cargo dos quatro ministros que trabalharão no Planalto foi o primeiro compromisso oficial de Jair Bolsonaro como presidente. A agenda prevista para esta quarta inclui reuniões com autoridades estrangeiras e outra cerimônia de transmissão de cargo, a do ministro da Defesa, general Fernando Azevedo.

Bolsonaro ouviu de forma atenta as falas dos ministros e ex-ministros e agradeceu quando era aplaudido, mas não discursou. Na saída, ao subir a rampa interna do Planalto - que liga o salão nobre ao terceiro andar do prédio, onde se localiza o gabinete presidencial -, preferiu não dar entrevista à imprensa.

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