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CNJ dá 15 dias para desembargadora explicar posts polêmicos

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Marília Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), publicou post em seu Facebook onde ameaça Guilherme Boulos: "Vai ser recebido na bala" Imagem: Reprodução

Guilherme Mazieiro

Do UOL, em São Paulo

18/01/2019 11h21

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) determinou a abertura de pedido de providências para apurar se houve ou não prática de conduta vedada pela desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro Marília Castro Neves, 61. O procedimento, sob comando do corregedor nacional de Justiça em exercício, Aloysio Corrêa da Veiga, dá 15 dias para que a desembargadora se manifeste sobre publicações recentes nas redes sociais.

Na última quarta-feira (16), a magistrada compartilhou em suas redes sociais um post com ameaça ao ex-candidato à Presidência e coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos (PSOL).

"A tristeza no olhar de quem vai ser recebido na bala depois do decreto do Bolsonaro", diz a publicação, com foto de Boulos. O post fazia referência também à flexibilização à posse de arma assinada no início da semana.

"Após a resposta da magistrada, a Corregedoria do CNJ decidirá sobre a necessidade ou não de abrir um processo administrativo para investigar a conduta", comunicou o órgão, em nota.

Guilherme Boulos disse que irá à Justiça contra Neves.

O ministro destacou que tramitam no CNJ cinco procedimentos disciplinares contra a magistrada, todos relativos ao uso das redes sociais de forma incompatível com os "princípios que norteiam a conduta do magistrado". Todos são relativos a uma postagem que a magistrada fez, em março de 2018, em que afirmou que a vereadora carioca, assassinada a tiros, Marielle Franco (PSOL) estava "engajada com bandidos" e "não era apenas uma lutadora". 

No mesmo post, Marília disse que parlamentar "foi eleita pelo Comando Vermelho [facção criminosa] e descumpriu compromissos assumidos com seus apoiadores". Os processos correm sob sigilo.

Polêmicas

Em outras postagens em redes sociais, Marília ironizou uma professora com síndrome de Down e atacou ações que tratam de assédio sexual.

"Assédio sexual é o que??? Paquera no trabalho???? Francamente!!!! Será que não temos nada mais importante pelo que lutarmos???? Uma pia de louça para lavarmos????", escreveu Neves em seu Facebook em 2015. 

Nesta quinta-feira, a desembargadora compartilhou mais publicações favoráveis ao uso de armas de fogo e contrárias à atuação do MTST.

Uma delas é uma reportagem da TV Record que mostra uma mulher armada reagindo a um assalto nos Estados Unidos. "É esse o risco que o Boulos e o Stédile - e quem mais pretender invadir propriedades - correrão daqui por diante", escreveu a desembargadora. 

Ainda pelas redes sociais, a desembargadora agradeceu ao "apoio" após a publicação contra Boulos. "Meus queridos amigos, Muito obrigada pelo apoio!!! É muito importante que lutemos contra esse tipo de censura - esse, sim, um discurso de ódio. Não tanto por mim, mas pela garantia do sagrado direito de expressão!!!  Se me calarem hoje, amanhã todos estaremos calados!!!  É ASSIM QUE COMEÇA A DITADURA!!!.

Outro lado

A assessoria de imprensa do TJ-RJ informou ao UOL, por nota, que não recebeu, até esta sexta-feira (18), informações sobre os fatos.