Topo

Senado adia para amanhã sessão para eleger novo presidente

Luciana Amaral, Hanrrikson de Andrade e Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília

01/02/2019 22h15

Após horas de impasse, o presidente em exercício da Mesa Diretora do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), suspendeu na noite desta sexta-feira (1º) a sessão em que iria acontecer a eleição para a Presidência da Casa. O adiamento aconteceu em meio a uma disputa entre dois grupos de senadores que discutiam sobre se a votação para a Presidência da Casa seria secreta ou aberta. 

A sessão foi adiada para este sábado (2), às 11h.

"Não pode haver acordo contra a Constituição e nem contra a liberdade de expressão", disse Renan Calheiros (MDB-AL) ao ser questionado sobre se havia acordo para a eleição marcada para o sábado.

A sexta-feira foi marcada pela discussão de como seria a votação para eleger o presidente da Casa. O regimento interno do Senado prevê que a votação seja secreta. No entanto, questões de ordem foram apresentadas por parlamentares do bloco de oposição a Renan Calheiros para que o pleito fosse aberto.

Eles alegaram que a população tem o direito de saber em que o parlamentar votou e o princípio da transparência nas ações tomadas em plenário.

A discussão para decidir se a votação para a escolha da Presidência do Senado seria ou não secreta também estava diretamente relacionada com a candidatura de Renan. Parlamentares que apoiavam o seu nome acreditavam que, se a votação fosse secreta, como manda o Regimento Interno da casa, Renan teria mais chances de vencer a disputa. 

Por outro lado, os partidários das candidaturas contrárias à de Renan dizem acreditar que se a votação fosse nominal e aberta, menos parlamentares se sentiriam dispostos a votar em Renan.

Antes do início da sessão, no plenário, funcionários do Senado apostavam que, ao contrário, se a votação fosse aberta, o presidente interino Davi Alcolumbre seria o vitorioso no primeiro turno. Diversos senadores contra o voto explícito questionaram o interesse de Alcolumbre em presidir a sessão tendo intenção de se candidatar ao posto da presidência para suposto benefício próprio.

Sob tumulto e protestos - com direito a um "roubo" da pasta de Alcolumbre por Kátia Abreu (PDT-TO) -, o parlamentar do Democratas acabou acatando a questão de ordem e promoveu votação para escolher como seria o formato do voto à presidência. 

Por 50 a 2, o voto aberto ganhou, mas criou-se um impasse. Os senadores contrários ao voto aberto e que rejeitaram a consulta anterior sobre como se daria a votação à presidência não aceitavam mais a condução dos trabalhos por Alcolumbre.

"Vossa excelência chegou 10h, sentou na mesa, presidiu a sessão. Tirou os mais idosos. Tirou o Petecão, segundo suplente. Depois transformou uma sessão preparatória em sessão deliberativa, demitiu o Bandeira, que é secretário-geral da Mesa. Isso é um ato administrativo. Com que poder? Se vossa excelência pode tudo isso, quem sou eu, o Renan, Cavalo do Cão?", disse Renan Calheiros.

Os senadores buscaram um acordo, pois o presidente interino disse que só sairia da mesa para ser substituído por José Maranhão (MDB-PB), aliado de Renan, se este não revogasse a definição da votação aberta. Após mais bate-boca e nenhum consenso, preferiram suspender a sessão e retomá-la neste sábado.

Após cinco horas de sessão, dois senadores apresentaram questões de ordem para que os trabalhos fossem suspensos e retomados no dia seguinte. Eles alegaram que não havia mais clima para realizar a escolha do novo chefe da Casa depois de um longo debate sobre o voto aberto ou fechado.

"Acho que democracia só acontece se tiver regras. Quando não tem, dá nisso aí", disse o senador Jaques Wagner (PT-BA).

Renan não descartou a possibilidade de judicializar a questão. 

"Só no Brasil a maioria judicializa alguma coisa. Porque no Brasil a minoria tem complexo de maioria. Só no Brasil. A questão é, como, com uma minoria, eleger um presidente apesar da Constituição e do regimento", disse o senador. 

Indagado sobre se a articulação contra o seu nome teve a participação da Casa Civil, comandada por Onyx Lorenzoni, Renan deu uma resposta enigmática. 

"Acho que a Casa Civil é inamovível. Você acha que a Casa vai se movimentar? Ela é inamovível", afirmou.

Para defender voto aberto, Kajuru revela que pai tinha amante

UOL Notícias

Mais Política