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"Estou muito aliviado", diz Cabral após revelar ter recebido propina

Fábio Motta/Estadão Conteúdo
Imagem: Fábio Motta/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

26/02/2019 09h50

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB) afirmou em depoimento a procuradores do MPF (Ministério Público Federal) estar "aliviado" ao admitir, pela primeira vez, ter recebido propina "várias vezes", inclusive dentro do Palácio Laranjeiras, residência oficial do governo fluminense. Ele disse querer continuar aliviado "seja o tempo que passar na cadeia".

"Gente, eu tô muito aliviado, sabia? Quero continuar ficando aliviado. Seja o tempo que eu passar na cadeia", disse em vídeo ao qual a TV Globo teve acesso. A declaração ocorre após o ex-governador ter mudado de advogado no processo.

Cabral, que no fim ano passado decidiu fazer uma delação premiada junto ao MPF (Ministério Público Federal) e à PGR (Procuradoria Geral da República), disse que tirava entre 2% e 3% dos valores das obras. "Eu tirava os meus proveitos dos meus combinados. Eu quero x% da obra, quero 2%, 3% da obra. E o Régis fazia o acordo se beneficiava dessa caixa única aqui", contou.

Régis Fichtner foi ex-secretário da Casa Civil do governo de Cabral e segundo o ex-governador era responsável pelo esquema de pagamento de propinas. "Tudo comandando pelo Régis. Eu dava na mão dele, dizia: Régis, que quero assim, faz assim e ele ia fazendo e combinando e tirando lá os proveitos dele", disse Cabral.

Além do ex-secretário, o ex-governador do Rio também citou o ex-governador Luiz Fernando Pezão como um dos beneficiários da propina. "Houve entregas dentro do palácio, houve várias vezes, para o Pezão, para o Régis", disse Cabral, citando que o esquema teria tido início no começo do seu governo, em 2007. "Desde o começo do governo. É, se não foi janeiro, foi fevereiro, se não foi fevereiro foi março quando começou a rodar a propina paga por agentes, fornecedores e prestadores de serviços", afirmou. 

Pezão está preso desde novembro do ano passado quando foi deflagrada a Operação Boca de Lobo, que investiga um esquema criminoso no governo do estado que teria tido início em 2007, durante a gestão do ex-governador Sérgio Cabral (MDB). A defesa de Pezão tem dito que o governador "jamais cometeu qualquer ato ilícito e sempre esteve à disposição das autoridades públicas para quaisquer esclarecimentos."

Fichtner teria recebido R$ 1,5 milhão enquanto estava no comando da Casa Civil, de 2007 a 2014. Ele foi preso pela segunda vez no dia 15 de fevereiro e teve pedido de liberdade negado pelo TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região). No pedido de habeas corpus, a defesa dele diz que a prisão seria ilegal por se basear apenas em relatos do delator Carlos Miranda, apontado como operador financeiro do esquema criminoso implantado no governo Cabral.

Cabral foi condenado a 198 anos e seis meses de prisão e até então negava ter recebido propina para favorecer empreiteiras para a realização de obras públicas. Ele já tinha admitido ter recebido caixa dois. A estratégia mudou após Cabral ter aceitado fazer delação premiada e mudado de defesa. 

Ex-secretário de Cabral volta a ser preso pela Lava Jato

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Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado neste texto, o Palácio Laranjeiras é a residência oficial do governo fluminense. A sede do governo fica no Palácio da Guanabara. O texto foi corrigido.

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