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Lava Jato: ex-secretário de Cabral e coronel da PM são presos pela PF

22.out.2012 - Régis Fichtner, em entrevista coletiva sobre a concessão do Maracanã - ERBS JR./Frame
22.out.2012 - Régis Fichtner, em entrevista coletiva sobre a concessão do Maracanã Imagem: ERBS JR./Frame

Luciana Quierati e Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

15/02/2019 06h53Atualizada em 15/02/2019 12h13

Resumo da notícia

  • MPF diz que ex-secretário teria ocultado patrimônio e destruído provas
  • Fichtner já havia sido preso no âmbito da Lava Jato em 2017
  • Coronel da PM seria "pessoa da mala" do ex-secretário, segundo os procuradores
  • Lava Jato identificou transferência de R$ 725 mil de Fichtner ao coronel

Ex-secretário da Casa Civil no governo de Sérgio Cabral (MDB) no Rio de Janeiro, Régis Fichtner foi novamente preso pela PF (Polícia Federal) no âmbito da operação Lava Jato nesta sexta (15). 

Segundo o MPF (Ministério Público Federal), ele é "figura central do braço administrativo da organização criminosa" que envolve o ex-governador. Também foi preso o coronel da PM (Polícia Militar) Fernando França Martins, tido como a "pessoa da mala" do ex-secretário, segundo os procuradores. Eles foram alvos de mandados de prisão preventiva, que não têm prazo.

Fichtner, que participou do episódio que ficou conhecido como "Farra dos Guardanapos", ocorrido em 2009 em Paris, chegou a ser preso em 23 de novembro de 2017 na Operação C'Est Fini desdobramento da Lava Jato, mas foi solto uma semana depois por decisão da Justiça

Advogado natural de Porto Alegre (RS), Fichtner é considerado um dos homens da "cúpula" de Cabral e esteve ao lado do ex-governador em seus dois mandatos, tendo comandado a Casa Civil entre 2007 a 2014.

O ex-secretário foi preso novamente nesta sexta em razão do aprofundamento das investigações, segundo o MPF. Colaboradores "possibilitaram identificar 'o homem da mala' de Fichtner, o coronel Fernando França Martins", diz Lava Jato.

De acordo com a Polícia Militar do Rio de Janeiro, o coronel Fernando França Martins consta como inativo desde 1999. "A Corregedoria Interna da Secretaria de Estado de Polícia Militar vai abrir um procedimento apuratório e também irá colaborar com todas as investigações até o esclarecimento dos fatos", disse o órgão. 

Os investigadores apontam que Martins era pessoa de confiança de Fichtner e responsável por recolher parte da propina recebida pelo ex-secretário. "A proximidade era tanta, que na agenda telefônica do ex-secretário, continha informações do CPF e RG do coronel". A Lava Jato diz que, entre, 2014 e 2016, houve transferência de R$ 725 mil do ex-secretário ao coronel, tido como "uma espécie de segurança" de Fichtner.

O MPF pediu a prisão do ex-secretário alegando que ele teria ocultado patrimônio e destruído provas. 

A primeira prisão de Fichtner, em 2017, foi motivada pelas investigações de que ele teria recebido, de acordo com os procuradores da República, R$ 1,5 milhão em propina para favorecer empresas privadas com atos de ofício e concessão de benefícios fiscais.

Além do ex-secretário e do coronel da PM, uma funcionária da Casa Civil também foi intimada a prestar informações.

A reportagem ainda não conseguiu contato com as defesas dos suspeitos.

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